<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105</id><updated>2011-08-02T15:38:56.572-03:00</updated><title type='text'>DIÁRIO DE VIAGEM</title><subtitle type='html'>Os textos desta página são cartas que M. escreve para um amigo que (acho) mora na Europa. Todos os dia de manhã, ela deposita um envelope embaixo da minha porta. Depois de encher as latas do condomínio de bolos de papel, desisti, e resolvi publicar algumas por aqui. Assim, quem sabe, podem algum dia atingir o seu destinatário... 

Renata Magdaleno</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>90</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-4006896970527462535</id><published>2009-07-19T04:27:00.003-03:00</published><updated>2009-07-19T04:33:58.188-03:00</updated><title type='text'>Mais um para o café</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SmLL-SwsBCI/AAAAAAAAALc/LFLTYVbvEH0/s1600-h/lupa.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360070777572688930" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SmLL-SwsBCI/AAAAAAAAALc/LFLTYVbvEH0/s200/lupa.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;            Já estávamos na cozinha tomando café da manhã. O Fernando com um roupão azul de toalha e eu com um velho de seda brilhoso, comprado em uma viagem muito antiga, com alguma coisa em japonês escrita nas costas que até hoje não consegui (e nem tentei) decifrar.&lt;br /&gt;               Os cachorros começaram a latir antes mesmo que a campainha tocasse. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sra. Magnólia Flores? Delegado Edgard.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;            E me estendeu a mão sem falar sobrenome ou mais nada, como se a palavra delegado foi o suficiente para que o convidasse a entrar. Apertei a mão e continuei em pé na porta, sem sair o lugar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;            _ Sou o responsável pela investigação do caso do Sr. Luis Antonio Boas e gostaria de conversar um minuto com a senhora. Me convida para um café?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;           Eu juro que nunca acreditei que isso realmente acontecesse na vida real. Sempre achei que só nos filmes ou nos livros policiais uma abordagem como essa poderia existir. Eles não tinham que mandar cartas pelo correio, convocando para algum tipo de interrogatório? Uma correspondência dessas que você pode fingir que não recebeu? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;          Mas eu convidei. E o Fernando foi fazer o tal do café, enquanto a Juma e o Alfredo se encarregavam da vistoria, cheirando cada pedaço do sapato do delegado, verificando por onde ele tinha passado, arquivando aqueles cheiros todos na memória. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;          Nos jornais a história toda parecia há muito esquecida e admito que até eu, com tanto movimento pela casa - homem, livros, cachorros, estantes - tinha perdido o interesse. Quando passava pela portaria nem via mais o bolo de cartas em cima do armário e tudo estava como sempre esteve desde que me instalei por aqui. Foi isso o que disse para o delegado, depois de ele ter me explicado que os dois ainda andavam sumidos e que as investigações nesse tempo todo pareciam não progredir, até que uma pista importantíssima mudou tudo e a polícia tinha começado a interrogar os vizinhos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;          Não conseguia prestar muita atenção nas palavras que o delegado Edgard dizia. Olhava para o senhor de jaqueta na minha cozinha e, bem atrás da sua cabeça, via a carta de amor da vizinha escrita a lápis presa na geladeira e, na mesma parede, o quadro que Fernando tinha organizado com gráficos e anotações. E pensava no que poderia dizer ainda se ele resolvesse pedir para conhecer a casa. No escritório, em cima da mesa do computador, estava uma caixa com os bolos de correspondência que roubei da portaria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;          Mas depois de me perguntar sobre o casal, quantas vezes tinha visto os dois, como estavam nesses momentos, como era o movimento do prédio antes e depois, ele quis saber do Fernando. Tá certo que ele chegou do Chile bem depois de a história toda ter acontecido, mas era justamente isso o que parecia interessar ao investigador.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-4006896970527462535?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/4006896970527462535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=4006896970527462535&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/4006896970527462535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/4006896970527462535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2009/07/mais-um-para-o-cafe.html' title='Mais um para o café'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SmLL-SwsBCI/AAAAAAAAALc/LFLTYVbvEH0/s72-c/lupa.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-2594058117988674529</id><published>2009-03-15T18:51:00.000-03:00</published><updated>2009-03-15T18:53:04.749-03:00</updated><title type='text'>Dedos</title><content type='html'>Os dedos tocavam o teclado com delicadeza. Só dois. Os outros se armavam como se estivessem em alerta para alguma coisa, qualquer uma, talvez nenhuma, mas sempre alertas. Não procuravam letras, já sabiam o caminho e, além de delicados, eram ágeis, decididos. Nas mãos, unhas cuidadas, limpas, certas, provavelmente semanalmente lixadas. E as mesmas manchinhas cor de ferrugem que acompanhavam todo o corpo estavam ali  também. Muito branca, uma pele que, em alguns pontos, dava a impressão de ser transparente, com o desenhos de veias azuis à mostra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, largavam o teclado e buscavam um livro, quer dizer, alguma coisa dentro de um livro. Viravam páginas com ansiedade e um dos dedos acompanhava linhas de letras, uma após outra. Foi uma operação que, pelo menos para mim, pareceu demorar horas. Dezenas de páginas viradas, talvez centenas, milhares (quem sabe?). Vi no momento exato em que acharam. Uma das mãos se encolheu sobre o papel, formando uma espécie de caracol com os dedos curvados, com dobrinhas gordas que desenhavam uma cara. Se mexesse a mão, a cara ganharia vida, falaria. Mas ele não deveria saber que aquela mão podia tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos iam pelo meio, viam tudo num entrepálpebras. Mas ainda vi quando o livro se fechou e elas se deixaram apoiar por instantes na capa dura. Depois, sumiram do meu campo de visão, deixando um vazio naquela cena: computador, livro, estojo com canetas coloridas. Tudo abandonado numa mesa agora sem função. Reapareceram ao meu lado, acariciando meu braço. Até me abraçarem e ficarem aí paradas. Os dedos gordos, as sardas vermelhas, as unhas cuidadas. Podia dormir em paz. E nada mais tinha importância.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-2594058117988674529?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/2594058117988674529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=2594058117988674529&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/2594058117988674529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/2594058117988674529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2009/03/dedos.html' title='Dedos'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-5815656195773742814</id><published>2008-11-02T22:24:00.002-02:00</published><updated>2008-11-02T22:40:33.415-02:00</updated><title type='text'>A biblioteca</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SQ5G4MVLekI/AAAAAAAAAK4/exVZsJGte24/s1600-h/livros.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264222945639365186" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 180px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SQ5G4MVLekI/AAAAAAAAAK4/exVZsJGte24/s200/livros.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Chegaram três caixas de livros ontem do Chile, estão no meio do quarto dos fundos, exatamente no mesmo local onde os carregadores deixaram. Tantos livros que mesmo que eu bote toda a minha força contra a parede de uma das caixas, nada se move. Tantos que pedi para instalarem mais cinco prateleiras numa das paredes, distribuídas do teto até o chão. E olhando agora para eles, reunidos em três blocos compactos, não sei se haverá lugar para todos. Tantos que não consigo mexer em nada. Fico olhando para as estantes vazias e para os volumes encaixotados, sem saber por onde começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando monta tabelas no Excel. Achei incrível, mas cada um dos livros está anotado numa longa folha de papel e ele organiza um por um na tabela, planejando sua posição na estante de acordo com uma lógica que não consigo muito entender. Parece que os russos vão ficar perto do teto, mas Crime e castigo vem antes de Noites brancas, que é seguido de Irmãos Karamazóv. E antes que eu abrisse a boca para opinar, ele me explicou que a ordem não era cronológica, mas que Raskólnikov é um rapaz orgulhoso e nunca ia admitir ficar em outro lugar que não em primeiro. Desisti. Já ia me virando quando vi outra lista enorme em cima da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, vamos ter livros repetidos! Estes todos aqui eu também tenho. Ainda bem que vão ficar em prateleiras separadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estes são os seus, Magnólia. Vou organizá-los também. Assim, nossa biblioteca vai estar com todos os livros catalogados e vai ser mais fácil de consultar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei as costas como uma menina que há muito já deixei de ser e saí batendo pés e portas, com um estrondo rouco me acompanhando até o quarto. E, minutos depois, com os olhos marejados e mais calma, voltei para dizer que nos meus ninguém mexia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas estão de qualquer jeito! Não há ordem nenhuma...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não? E mostrei, meio envergonhada, com a culpa de quem minutos antes tinha olhado com desdém para sua tabela de Excel, que na minha parede os guias de viagem ficavam perto do teto. Abri o de Londres e mostrei os bilhetes de metrô colados pelas páginas, as entradas de museus, as minhas fotos arrastando malas pelo aeroporto de Heathrow, com os cabelos louros que imitavam uma moda da época e a pele bronzeada de quem tinha vindo do verão carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas prateleiras que ficam na altura dos meus olhos, guardo os melhores, uma coleção que eu poderia chamar de meus livros de cabeceira. Fernando me olhou com um sorriso disfarçado. Só uma indecisa como eu poderia ter feito uma seleção de favoritos tão extensa. Não importa. Me dava conforto ver os Machados seguidos das Lygias, acompanhando Clarices e Virginias. Era bom ter eles todos reunidos por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na prateleira debaixo, vários livros com a correspondência de escritores e (isso não contei), dentro deles distribui cartas que troquei ao longo da vida. No volume com a correspondência de Guimarães Rosa para um de seus tradutores, cartas que troquei, aos 22 anos, com um analista, quando fui passar dois meses circulando de mochila pela Itália. Toco a lombada e, ainda hoje, lembro de suas mãos expressivas e os óculos de aros finos. Ali, estão os bilhetes breves que me enviou como resposta, sempre ambíguos, sempre carinhosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando me devolveu a lista, resignado. Não tive coragem de jogar fora. Achei bonito ver todos os meus livros enfileirados. Botei no mural da cozinha, junto com a carta de amor da vizinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-5815656195773742814?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/5815656195773742814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=5815656195773742814&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5815656195773742814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5815656195773742814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/11/biblioteca.html' title='A biblioteca'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SQ5G4MVLekI/AAAAAAAAAK4/exVZsJGte24/s72-c/livros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-3957495448782704614</id><published>2008-10-06T01:37:00.000-03:00</published><updated>2008-10-06T01:38:29.623-03:00</updated><title type='text'>mais um para o café da manhã</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;     Da janela eu via ele se afastando. As sandálias de couro batendo no chão de pedra e o cabelo ainda molhado do banho frio que insiste em tomar toda manhã. Em casa ficou o cheiro forte do perfume, que se espalha pelo jornal, a maçaneta da porta e todo local que os seus dedos toquem. Saiu para comprar pão e voltou horas depois com um embrulho extra embaixo do braço. Me contou a história sem soltá-lo do colo, cortando um pedaço de bisnaga e besuntando a fatia com manteiga Aviador, evitando me olhar nos olhos.&lt;br /&gt;      O dia tava novo ainda e foi por isso que o barulho dos carros não tinha tomado conta de tudo. Passava perto de casa, o saco pardo já agarrado pela mão, quando ouviu algo baixo, mas constante. Difícil precisar de onde saía o choro. Uma senhora de vestido vermelho passou assim rentinho dele e continuou com o andar firme pela rua, sem parecer escutar coisa alguma. Um surfista veio logo depois com uma prancha grande demais para o seu tamanho e o Fernando ficou olhando atento os pés do moço tocarem o chão, num ritmo constante, que se aproximou e se afastou sem se conter minuto algum, sem mudar a rota para detectar de onde vinha aquele barulho estranho. Talvez não existisse som algum. Talvez só ele escutasse. Uma voz dentro de seu ouvido que ninguém conseguia notar.&lt;br /&gt;     Foi quando olhou para as rodas de um Gol vermelho parado na esquina e viu alguma coisa preta se mexendo de leve. Quanto mais se aproximava, mais escutava com nitidez. O preto levantava e descia como num respiro, soltando um sonzinho constante e desanimado.&lt;br /&gt;Era pequeno, magro, cabia na palma da mão e me olhava do seu colo enquanto a história ia ganhando forma, abanando um rabo fino e com pouco pêlo. Chegou na minha casa sem choro algum e parecia consolado, aninhado nas mangas grossas do casaco. Peguei o cachorrinho e levei para a área de serviço, com a Juma curiosa e animada atrás de mim.&lt;br /&gt;     Temos um novo integrante em casa. Alfredo gosta de Papita com água morna.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-3957495448782704614?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/3957495448782704614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=3957495448782704614&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3957495448782704614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3957495448782704614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/10/mais-um-para-o-caf-da-manh.html' title='mais um para o café da manhã'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-3154957752005514929</id><published>2008-09-28T12:48:00.002-03:00</published><updated>2008-09-28T12:51:35.469-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A nuca fazia uma curva e era de um branco que eu nunca tinha imaginado que existisse, pontilhado de pequenas sardas avermelhadas. E ele estava de cabeça abaixada, lendo com atenção uma carta que eu tinha acabado de roubar da portaria (confesso que fiquei compulsiva. Agora, não consigo passar sem arrumar um jeito de pegar uns envelopes “emprestados”). Rasgamos mesmo, sem nos preocupar em ferver uma água na chaleira para que o vapor soltasse a cola com cuidado. Mas depois de ler o que vinha dentro, me deu uma dó profunda. Porque essa era uma carta de amor. Sem remetente como as outras, sem destinatário. Não consigo decifrar, pelo texto, se foi escrita por mulher ou homem, mas veio a lápis, com letra embaralhada e disforme, como se tivesse sido feita num ímpeto.&lt;br /&gt;      E fiquei com o papel numa das mãos e o envelope rasgado na outra, sem saber o que fazer com os dois. Eu que já me sentia tão dona de todas elas e, de uns tempos pra cá, já as abria como se tivessem chegado pra mim, como quem abre um envelope de figurinhas comprado na banca, ansiosa e apressada. Eu que vinha lendo os textos e comentando com o Fernando os engraçados e curiosos e colando no quadro de cortiça da cozinha os que mais me agradavam, criando teorias que dessem sentido para o conjunto. Foi só nesse momento que me dei conta: “Estamos lendo a correspondência de outra pessoa!”&lt;br /&gt;     E essa era uma carta de amor. E com o papel nas mãos eu tinha certeza de que, agora, descolada de todas as outras, fora do seu envelope de origem, nunca mais acharia o seu caminho. Palavras de amor que ficaram paradas no meio. Escritas de forma apaixonada e embaralhada, com tanto sentimento que nem se entendia direito. Senti uma vergonha profunda. Fernando me olhava do canto, quieto, imóvel, com a mão apoiada na boca e os olhos claros que quase nem piscavam.&lt;br /&gt;     Estendi o papel sem muita convicção e foi nesse momento que ele abaixou a nunca e ficou estudando as letras que tanto tinham me perturbado. Foi quando notei que a sua pele era branca que só, mas ao mesmo tempo vinha manchada, pequenos pontos cor de ferrugem. Foi quando vi onde os seus cabelos nasciam e que a gola da blusa fazia uma volta, caindo pelo pescoço. E que as suas mãos tinham veias saltadas e dedos grossos e fortes, mas que seguravam o papel de forma gentil. Pela postura curvada pra frente e toda a atenção que dedicava, senti que ele se importava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-3154957752005514929?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/3154957752005514929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=3154957752005514929&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3154957752005514929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3154957752005514929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/09/nuca-fazia-uma-curva-e-era-de-um-branco.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-4451739700284129349</id><published>2008-09-24T05:01:00.005-03:00</published><updated>2008-09-24T05:19:55.205-03:00</updated><title type='text'>e se for a felicidade...</title><content type='html'>Fernando chegou do Chile e está hospedado aqui em casa. Pela quantidade de malas, imagino que vai ficar por semanas. E estamos passando tardes e mais tardes a descolar envelopes no vapor da chaleira. Talvez nem fosse necessário tanto cuidado. Mas no fundo ainda acredito que alguém vai aparecer para buscar o bolo de cartas um dia desses.&lt;br /&gt;Descobri que o porteiro vem guardando os envelopes destinados à vizinha em cima das estantes onde fica a correspondência do condomínio. A quantidade começou a ficar tão grande, que ele passou a deixar tudo por cima do móvel. Roubei alguns. Ou melhor, peguei emprestado. Vou devolver todos bem fechados dentro de uns dias.&lt;br /&gt;O primeiro que eu abri vinha com um texto estranho, descrevendo uma manhã na beira de uma piscina. A história vinha escrita em caneta preta, com uma caligrafia tão forte que quase chegava a furar o papel. O segundo vinha como uma tira de quadrinhos, esta abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SNn1qvH1IgI/AAAAAAAAAH8/iOe06ar35mI/s1600-h/mafalda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5249496955229643266" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SNn1qvH1IgI/AAAAAAAAAH8/iOe06ar35mI/s400/mafalda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Ainda não consegui entender o significado... Talvez sejam mensagens cifradas. Fernando começou a desenhar gráficos na cozinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-4451739700284129349?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/4451739700284129349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=4451739700284129349&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/4451739700284129349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/4451739700284129349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/09/e-se-for-felicidade.html' title='e se for a felicidade...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/SNn1qvH1IgI/AAAAAAAAAH8/iOe06ar35mI/s72-c/mafalda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-3553016069735474933</id><published>2008-09-05T19:41:00.003-03:00</published><updated>2008-09-24T12:45:06.956-03:00</updated><title type='text'>Uma manhã de exercícios na piscina</title><content type='html'>&lt;p&gt;Era um exercício de respiração. Ele subia e descia, fazendo um bico engraçado com a boca toda vez que levantava da água. O sol estava fraco e talvez sentisse frio. Se a friagem incomodasse, teria levantado e corrido para a toalha aos saltinhos. Mas continuava lá. Trinta e um, trinta e dois...&lt;br /&gt;         _ Chega perto da borda?&lt;br /&gt;         Fui andando calmamente, mas ele tinha pressa. Alguma coisa tinha urgência de ser feita. Quando cheguei, passou as instruções.&lt;br /&gt;         _ Vou ficar embaixo d’água e você liga o cronometro logo que eu descer.&lt;br /&gt;         _ Sei. É para medir o tempo que consegue ficar sem respirar?&lt;br /&gt;         _ Isso.&lt;br /&gt;         Abriu a boca o mais que pôde e puxou o ar para dentro com força. Um, dois, três.... Foi. A cabeça embaixo d’água, o corpo boiando e eu lá, olhando os números no cronometro. Um minuto, dois... Fiquei preocupada e toquei numa parte do seu corpo. Recebi um safanão de volta. Estava vivo. Dois e meio, três... Repeti o gesto sem me preocupar com humores. Novo soquinho. Vivo. Quatro, quatro e meio...&lt;br /&gt;         Ele subiu abrindo a boca ao máximo.&lt;br /&gt;         _ Quanto foi?&lt;br /&gt;         _ Quatro e meio.&lt;br /&gt;         Não falou nada. Mas apareceu um meio sorriso no rosto e senti que o peito estufava de orgulho.&lt;br /&gt;         _ Tenho que chegar até cinco.&lt;br /&gt;         E lá ficou. Levantando e subindo. Minha função tinha acabado e voltei para a cadeira. Mas e se ele se machucar na piscina? E se o frio deixá-lo resfriado? E achava que estava lindo lá dentro. O cabelo grudado na testa e o biquinho engraçado aprisionando o ar dentro do peito.&lt;br /&gt;         _ Já está na hora do almoço.     &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ele levantou e foi aos saltinhos buscar a toalha. Se aninhou nos meus braços e cobri sua testa de beijos. Me beijou de volta, na boca. Meu marido.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-3553016069735474933?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/3553016069735474933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=3553016069735474933&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3553016069735474933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3553016069735474933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/09/uma-manh-de-exerccios-na-piscina.html' title='Uma manhã de exercícios na piscina'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-2287836252944993514</id><published>2008-09-03T14:10:00.002-03:00</published><updated>2008-09-16T23:52:23.317-03:00</updated><title type='text'>Vi na TV que hoje está fazendo sol</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O céu ficou dourado, azul, cinza. Já tirei casacos do armário, arrumei os maiôs enrolados na gaveta. Tirei todos de novo, comprei novas cangas e guardei o suéter de volta na estante perto do teto. Chegaram cartas. Li algumas, outras eu joguei fora. Desinfetaram o prédio, fiz faxina no apartamento, mas hoje de manhã encontrei uma baratinha francesa subindo pela parede da cozinha. Num dia, achei que precisava sair e apanhar sol. No outro, corri para dentro de casa e me refugiei num bolo de edredon perfumado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na porta ao lado, a vizinha sumiu e eu cansei de colar a orelha na parede cada vez que ouvia o trinco da fechadura dando voltas. O namorado famoso não inspira mais matérias nos jornais e os repórteres que subiam as escadas do prédio parecem ter se mudado pra outra parte, pra outra vida, pra outra história. Mas o porteiro fala que os bilhetes ainda chegam. Cartas endereçadas a ela ou a ele. Envelopes vezes com a letra redonda que a moça fazia com lápis, vezes com a dura fôrma de imprensa que ele reforçava com caneta Bic preta. De alguma forma, a vida continua.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-2287836252944993514?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/2287836252944993514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=2287836252944993514&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/2287836252944993514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/2287836252944993514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/09/vi-na-tv-que-hoje-est-fazendo-sol.html' title='Vi na TV que hoje está fazendo sol'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-37051754907668509</id><published>2008-03-31T03:01:00.001-03:00</published><updated>2008-03-31T03:07:01.018-03:00</updated><title type='text'>O dia em que descobri Amália Mirandas</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Me identifiquei totalmente com Amália Mirandas, escritora portuguesa que viveu entre o fim do século XIX e o início do passado. Confesso que nunca tinha ouvido falar e que, algumas vezes, desconfio de que nunca tenha existido. Mas, o que importa? É uma boa história.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Descobri sua existência pesquisando num sebo aqui perto de casa. Sua vida estava num livro escrito pelo catalão Javier Mattos.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Num exemplar de 370 páginas, ele mapeou as escritoras que viveram na Espanha entre o fim do século XIX e início do XX. E foi isso o que Amália fez. Se casou aos dezessete anos, com um homem vinte e cinco anos mais velho e, por causa dele, se mudou para o Sul da Espanha, mais especificamente para Sevilha, a capital da Andaluzia. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Teve cinco filhas e comandava uma espécie de escola que funcionava em sua própria casa. Passava horas trancada dentro de um dos aposentos, um lugar destinado exclusivamente pra ela, escrevendo, escrevendo, escrevendo. O marido acreditava que se tratavam de cartas para os parentes distantes, mas Amália produzia romances.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Não quero entrar no mérito da qualidade de seus escritos. Não li nenhum. Mas posso imaginar o seu conteúdo. Parece que vejo as histórias acontecendo. Na época, Sevilha tinha cerca de 150 mil habitantes. Ela era de família rica, mas vinha do campo e caiu de uma hora para outra num centro urbano que começava a fervilhar, com mulheres elegantes caminhando pelas ruas. O que mais poderia escrever? Histórias românticas de moças casadoiras. Só podiam ser. Mas não apenas isso. Javier Mattos acredita que Amália escreveu cerca de dez romances, depois de pesquisar as anotações que a escritora mantinha num diário. Mas apenas quatro foram achados e tiveram sua autoria confirmada. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Um de seus textos contava a história de Don Juan Tenório, que disputava com o amigo Don Luís o número de mulheres que conseguia conquistar. Para provar que era melhor galanteador que o colega, propõe conquistar a própria noiva de Don Luís, moça &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;pura e devota, recatada ao extremo, daquelas que nem se permitem encarar um homem nos olhos. E ele consegue. Encontra o verdadeiro amor, mas precisa se deparar com a vingança do noivo e de seus familiares. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Achei a história supimpa, baseada na lenda de Don Juan que já circulava pela época. Mas vai lá saber se foi apenas isso que a inspirou. Tenho aqui comigo que ela usou a lenda apenas para despistar o desejo de escrever uma história que mesclasse amor, traição e moças que escondem uma natureza outra, atrás de uma imagem séria e recatada. Quem sabe não falava de si? Vai saber...&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Por muito tempo, a autoria da história foi dada a José Zorrilla, marido de Amália. Mas a descoberta de seu diário e muitas pesquisas posteriores, desfizeram o engano. Aliás, Zorrilla era poeta e dramaturgo e, talvez, alguns de seus textos tenham sido escritos pela própria esposa. Acho difícil que fossem todos, mas não duvido da mistura de alguns. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Onde está a solidão em nome da escrita nisso tudo? Calma. Chega agora. Quando o esposo morreu, Amália tinha cerca de 40 anos. A escola fechou e ninguém nunca mais viu seu rosto pelas ruas da Sevilha da época. O isolamento não veio por luto ou tristeza. Foi uma forma de recuperar o tempo perdido. Mattos acredita que mais da metade de seus livros foram escritos neste período. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;E o que isso tem a ver com o escritor sumido da minha vizinha sem expressão? Não foi apenas o isolamento de Amália que me fez selecionar a sua biografia entre as minhas preferidas, mas a confusão na autoria dos textos. Quem escreveu as cartas? Quem escreveu os romances? Ando me fazendo estas perguntas e observando, cada vez mais atentamente, minha vizinha. Meu próximo plano é oferecer uma faxineira para a moça. Preciso saber se tem máquina de escrever em casa, computador, canetas tinteiro... O que faz com o tempo livre, estas coisas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;E por que me identifiquei tanto com a história de Amália? Bem... isso ainda não posso revelar. Ainda...&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-37051754907668509?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/37051754907668509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=37051754907668509&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/37051754907668509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/37051754907668509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/03/o-dia-em-que-descobri-amlia-mirandas.html' title='O dia em que descobri Amália Mirandas'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-3804849526379219812</id><published>2008-03-28T02:15:00.004-03:00</published><updated>2008-09-17T12:46:43.206-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R-x_5Jv-BBI/AAAAAAAAAHU/QAHmfBkblxc/s1600-h/noticias37a.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R-x_R5v-A-I/AAAAAAAAAG8/1mUqdeyDmZ0/s1600-h/hilda_hilst450.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182657216733119458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R-x_R5v-A-I/AAAAAAAAAG8/1mUqdeyDmZ0/s400/hilda_hilst450.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O que mais me impressionou foram as fotos em preto e branco. Os quartos vazios, os muitos cachorros circulando, móveis velhos e pequenos objetos de uma vida solitária espalhados pelos cantos: uma xícara, um cobertor jogado em cima de uma poltrona, chinelos encostados ao pé da cama. Não era pobreza o que se via, mas simplicidade. Na capa vinha o seu retrato em close, o rosto marcado pelas rugas, os cabelos brancos desalinhados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Na parte de dentro do Caderno de Literatura dedicado a ela estava uma longa entrevista e a história de sua vida. E foi assim que eu fiquei sabendo que Hilda Hilst era uma moça bela, de vida boêmia e namorados mil. Tinha fortuna, morava em São Paulo, passou meses viajando sozinha pela Europa e chegou a ter um caso com Marlon Brando (dizem!). Tinha livros publicados desde os 20 anos. Mas aos 33 resolveu se mudar para uma fazenda a onze quilômetros de Campinas. Deixou as festas de lado, os namorados, a vida boêmia. Tudo pela literatura. Os dias a escrever e ler, escrever e ler, escrever e ler. Talvez não fosse tão mal assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E a idéia nem foi dela. A inspiração de optar pela solidão e se dedicar aos poemas e romances veio de outro escritor: o grego Nikos Kazantzakis. Autor de “Cartas a El Greco” e que defendia que só no isolamento o homem pode conhecer a si mesmo e estudar a complexa natureza humana. Talvez tivesse razão. Talvez. Provavelmente, também ele tenha feito o mesmo. Ainda não sei. Ainda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E porque não poderia ser este, justamente este, o motivo do sumiço do escritor da minha vizinha? A necessidade de paz, concentração e de horas dedicadas aos livros. Ok. A idade avançada e o sucesso profissional depunham contra a minha teoria. Mas quem sabe ele não chegou à conclusão de que sua literatura era falha, superficial ou que não tinha escrito todos os livros que desejava? Quem sabe o problema não era um único livro, o livro. A obra-prima que pretendia deixar para a posteridade. Aquele que valia a pena o sacrifício, que demandava dedicação exclusiva, total.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Onde poderia estar agora? Escondido numa fazenda no interior de Minas? Numa casa de madeira em Visconde de Mauá? Pode ter ido para a Europa também. Como a polícia não cogitou esta hipótese? Quantos não fizeram o mesmo ao longo da história? Por que não ele? Passei a pesquisar os escritores que achavam que a literatura não podia ser dividida com mais nada.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-3804849526379219812?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/3804849526379219812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=3804849526379219812&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3804849526379219812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3804849526379219812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/03/o-que-mais-me-impressionou-foram-as.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R-x_R5v-A-I/AAAAAAAAAG8/1mUqdeyDmZ0/s72-c/hilda_hilst450.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-1740281341147147813</id><published>2008-03-09T16:13:00.004-03:00</published><updated>2008-03-09T16:36:04.031-03:00</updated><title type='text'>O dia da carta</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R9Q3wYDCwMI/AAAAAAAAAGU/uBx-UG8PQCg/s1600-h/envelope1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175823175984005314" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R9Q3wYDCwMI/AAAAAAAAAGU/uBx-UG8PQCg/s200/envelope1.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R9Q3VIDCwLI/AAAAAAAAAGM/CkZZyGSKwjw/s1600-h/56251291_e92cead600.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Comecei com as palavras cruzadas. Uma chatice. Verdadeiros enigmas que me estimulam apenas a correr até as últimas páginas do livrinho atrás das respostas. Passei para a tapeçaria. Comprei uma tela aqui na esquina, alguns novelos de lã, desencavei as lições que minha mãe me dava em Petrópolis e dei início aos trabalhos. Já fiz cinco tapetinhos! Isto tudo para aproveitar o novo espaço que arrumei aqui em casa. Colado à porta de serviço, coloquei uma mesinha com cadeiras. Bem arrumadinho, com um vaso de plantas e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim, meio sem querer, enquanto desfrutava deste meu novo espaço, que descobri quando chegou a primeira carta. Era dia 5 de janeiro, um mês depois do sumiço. Saí para jogar o lixo e a vi no corredor. Achei que estava ainda mais magra e mais pálida, parecia frágil e ouvia sem se mover um homem alto e moreno dizer repetidas vezes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não pode ser! Não pode ser! Por que ele faria isso? Por que mandaria esta carta justamente pra você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela ouvia sem mover músculo. Ainda tentei me demorar, fingindo que a porta da lixeira tinha emperrado, mas, nada, daquela boca não saía palavra e tive que voltar para casa, com a Juma me seguindo de perto, desconfiada (até ela!) do encontro no corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me custou um bocado entender o que estava em volta daquelas quatro frases soltas. Não me perguntem como juntei a história. Tenho fontes. Só posso adiantar isso: tenho minhas fontes. Mas logo nas primeiras horas da manhã ela recebeu uma carta. Era dele. Peritos conferiram a caligrafia. Definitivamente, dele. Disse que estava embaixo da porta quando acordou, mas nem o porteiro e nem ninguém no prédio lembra de ter visto alguém entregando uma correspondência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, depois que tudo parecia resolvido. Depois de um enterro simbólico ter se realizado. Depois de a imprensa alardear o namoro secreto do escritor e do filho ter reivindicado respostas, acusado minha vizinha de assassinato, cobrado explicações em relação aquele relacionamento secreto que ninguém nunca tinha ouvido falar. Juntei os recortes de jornal com todas as declarações da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“- Desde que ficou viúvo meu pai nunca mais se relacionou com mulher nenhuma. Passava os dias em casa, escrevendo e lendo.” &lt;em&gt;O Globo, 29 de dezembro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“- Ninguém viu ele pular na água. As buscas se basearam apenas no depoimento dela. Mas quem é esta mulher? Onde está meu pai? O que fez com ele?” &lt;em&gt;Época, 16 de dezembro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;“ – Estive com ele no dia do sumiço. Não comentou que ia caminhar na Lagoa. Não disse que estava saindo com alguém, muito menos que estava apaixonado. Estava satisfeito e só. Não me pareceu como uma pessoa que quisesse cometer suicídio” &lt;em&gt;Veja, 16 de dezembro de 2007&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de ligar para a imprensa, de descobrir o telefone deste filho e ter com ele dois dedos de prosa que fosse. Dizer que, sim, eu já tinha visto os dois juntos. Uma, duas vezes, mas vi. Não, não pareciam tão apaixonados. Mas quem olhar a minha vizinha pela rua vai entender. Não há como saber o que sente, pensa, o que está prestes a fazer. Talvez estivesse apaixonada. Como saber? Um rosto sempre sem expressão, pra dentro, contido. Mas em uma das vezes, juro, eu vi, tenho certeza, quase certeza absoluta, de que estavam de mãos dadas. Bem dadas. Atadas mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que viu o envelope, ela achou que era uma propaganda. Pegou. Não havia nada escrito em nenhum dos lados. Um envelope bege, como tantos outros que encontramos nas papelarias. E abriu sem dar grande importância. Numa folha pautada, pequena, estava um poema. A letra inconfundível e, antes mesmo de ler qualquer palavra, duas lágrimas desceram pelo rosto (Me deixem! Me deixem! Não posso imaginar duas lagriminhas? Ok, eu não vi a cena, mas elas devem ter existido!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achou que era um sinal. Se tinha mandado uma carta, estava vivo. Um poema. Palavras de saudade. Versos de quem sente a distância. Eram palavras dele. Embaixo, uma frase que ainda não consegui entender direito: “Junte todos. São o meu presente para você”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde então, todo dia 5, a cena se repete. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-1740281341147147813?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/1740281341147147813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=1740281341147147813&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/1740281341147147813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/1740281341147147813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/03/o-dia-da-carta.html' title='O dia da carta'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/R9Q3wYDCwMI/AAAAAAAAAGU/uBx-UG8PQCg/s72-c/envelope1.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-7520652135172106339</id><published>2008-03-01T15:16:00.004-03:00</published><updated>2008-03-01T15:31:18.000-03:00</updated><title type='text'>O sumiço no lago (na verdade, foi na Lagoa, mas lago ganha um ar mais misterioso)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;                  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;               Ando ocupada. Não preciso ligar a novela quando o relógio marca nove horas, assistir filme de suspense em algum canal da TV a cabo (é lógico que eu tenho! Por que todo mundo sempre acha que idoso não tem TV por assinatura ou computador?) ou ler a seção do jornal que traz as notícias da cidade (sem dúvida, a opção mais apavorante das três. Para dias em que você anseia por emoções fortes). Está acontecendo no meu prédio mesmo. Aqui: Copacabana, Rio de Janeiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;                  Não quero concorrer com o Espinosa, do Garcia-Roza, e perder os dias andando atrás de pistas no Bairro Peixoto, mas é inevitável que me interesse. Olhar a movimentação pela janela, abrir a porta para jogar o lixo no momento exato em que conversas acontecem no corredor (coincidências fazem parte da vida!), tirar informações truncadas em conversas aparentemente inocentes com o porteiro. Me sinto, de uma hora para outra, um pouco Miss Marple, num dos livros da Agatha Christie (sim, admito que li alguns na adolescência).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;                É um caso que envolve cartas que chegam, apesar de ninguém saber como, morte e amor. E estes três ingredientes foram suficientes para despertar o meu interesse. Ela mora no meu andar (veja que sorte!), num apartamento de fundos. Sempre fechada, calada, de poucos sorrisos. É jovem de aparência, mas tão séria que tenho a impressão de ser mais idosa do que eu, quando divido com ela o elevador e tenho a oportunidade de, disfarçadamente (claro!), observá-la de perto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;               Ele? Confesso que vi apenas duas vezes, mas nunca tinha suspeitado que fosse um escritor de sucesso. Tão simples, tão comum, sem nenhum pingo do glamour que sempre imaginei que os autores de grandes livros levassem para a vida. Seus personagens, eu conheço, têm histórias movimentadas, dúvidas profundas, vícios e passados condenáveis. Ele sempre me pareceu sem graça e, por isso, infelizmente, nunca tinha prestado muita atenção na sua presença. Andava de bermuda, tênis e regata, mas era, pra mim, como se estivesse sempre de terno, de uniforme, misturado na massa. A diferença de idade entre os dois era gritante. Trinta anos? Mais, talvez. E, quando andavam de mãos dadas, despertavam a atenção mesmo de quem nunca teve preconceitos (como eu! Ok, ok, tenho alguns... Contra homens de terno, por exemplo, não os que usam para trabalhar, mas os que valorizam o traje). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;              Foi num domingo de tarde, me falaram. Os dois estavam caminhando na Lagoa, roupas esportivas. Estava sol e o ambiente era movimentado, famílias, casais, crianças, gente de todo tipo andando e conversando. E os dois se sentaram num dos píeres para descansar, pernas estendidas, calmos. E, de repente, sem nenhum movimento que anunciasse a decisão, ele se levantou e mergulhou na água. Naquela água imunda da Lagoa, a mesma dos peixes volta e meia boiando, das ondas de fedor regulares, da aparência turva e lamacenta. E foi só nisso que ela se preocupou, quando, ao ver que ele demorava a voltar, resolveu sair em busca de ajuda num dos quiosques próximos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;             Ninguém viu nada. E buscas foram feitas por mais de uma semana no local, com máquinas removendo o fundo, mergulhadores com lanternas e roupas a prova da podridão. Nada. Ninguém nunca mais viu o escritor por aqui, por ali, por lugar algum que fosse. Mesmo assim, depois de muito choro, roupas pretas, dias de óculos escuros, chegam recados.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-7520652135172106339?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/7520652135172106339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=7520652135172106339&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/7520652135172106339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/7520652135172106339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2008/03/o-sumio-no-lago-na-verdade-foi-na-lagoa.html' title='O sumiço no lago (na verdade, foi na Lagoa, mas lago ganha um ar mais misterioso)'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-9123925403238395952</id><published>2007-09-22T03:08:00.000-03:00</published><updated>2007-09-22T03:23:35.524-03:00</updated><title type='text'>Variações sobre o mesmo tema</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RvSzCAn1VuI/AAAAAAAAABE/a-ThGfTQ7pg/s1600-h/terno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112908324080539362" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RvSzCAn1VuI/AAAAAAAAABE/a-ThGfTQ7pg/s200/terno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Comentei com a Sheila a minha campanha e eu tenho a impressão de que ela deixou escapar a história para o Seu Zé, meu porteiro, porque, de repente, passei a receber bolos e bolos de bilhetes e cartas de pretendentes, de pessoas que não me conhecem, que nunca viram o meu rosto. Imagino que devem ter achado a história engraçada, curiosa, e resolveram participar, mandando não apenas suas próprias intenções, mas enviando fotos de pais, tios e avôs (avôs? Quanta audácia!).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Num mural na cozinha prego enfileiradas as fotos que recebo. Outro dia descobri porque ninguém parecia se destacar naquele painel e, apesar do número sempre maior, ele ia ficando cada vez mais homogêneo. Notei que 80% dos homens vestiam terno na fotografia! Com gravata e tudo. Mas por que será que eles acham necessário o traje? Será que passa idéia de seriedade? Em mim, o efeito é este mesmo que falei: me parecem todos iguais, de uniforme, um painel composto de dezenas de fotos da mesma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Magnólia, mas que quantidade, hein? Já encontrou algum pessoalmente? – Me perguntou a Sheila, no chá que tomamos ontem aqui em casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não... Tudo tão parecido, não é? Cabelo grisalho, terno escuro, gravata... Acho que vou escolher pelo cachorro. Por enquanto, nada adequado. Só pastor alemão, rotweiller, pitbull. Imagina?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- A Juma não tem estirpe! Vira-latas. Tem que aceitar qualquer um.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Mas como qualquer um? Para ficar com qualquer um eu deixo o rádio ligado na sala sintonizado na CBN. Pronto. Gente falando comigo o dia todo. E compro um bicho de pelúcia pra ela que fale au-au. Cada uma que você tem, Sheila. Onde já se viu?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; E ela ficou encantada com uma figura de terno cinza e gravata abóbora. Cara de estrangeiro. Olho azul piscina.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;- Mas que graça este! Cristian. – e consertou rápido, meio envergonhada - Ou será Christiãn? Ou Christian, com sotaque americano?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E notei que temos esta mania estranha da busca pela pronuncia perfeita. Na França me chamariam de Magnoliá sem culpas. Na Inglaterra, de Megnôlia. E aqui, esta vergonha do sotaque do português impresso no nome. Bem, mas por via das dúvidas, tirei o Christian da lista. Sheila levou a foto embora quando foi pra casa. Talvez ela ligue.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-9123925403238395952?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/9123925403238395952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=9123925403238395952&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/9123925403238395952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/9123925403238395952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/09/variaes-sobre-o-mesmo-tema.html' title='Variações sobre o mesmo tema'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RvSzCAn1VuI/AAAAAAAAABE/a-ThGfTQ7pg/s72-c/terno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-148009227953418637</id><published>2007-09-02T03:03:00.000-03:00</published><updated>2007-09-02T03:10:51.829-03:00</updated><title type='text'>Procura-se um amor que tenha um cachorro</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;        Comecei a campanha hoje de tarde e a Juma já está interessada em um dos pretendentes. A história toda veio meio de repente. Acordei e fazia frio aqui em casa. Olhei para o despertador e ainda estava cedo, muito cedo, e a vontade de dormir mais um pouco brigava com o arrepio que subia pelo braço. Gelado. Me senti ainda criança, em Petrópolis, presa na cama pelas cobertas, enquanto o despertador gritava, chamando para a escola. E pensei que seria bom se tivesse alguém do lado pra buscar no armário do corredor mais uma manta para aquecer a cama.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt; Depois, veio o café da manhã. Sem querer, arrumei a mesa com duas xícaras e fui botando tudo aos pares ao lado: duas facas, dois garfos, dois pirezinhos. Meio envergonhada, espantada com a iniciativa de meus próprios braços, guardei a sobra de volta na despensa. O relógio andou mais um pouco e passei a achar a casa grande e fiquei horas discutindo com a Juma uma notícia que tinha lido no jornal. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Depois disso tudo, senti que estava na hora de preencher a casa com mais uma pessoa.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Resolvi iniciar a busca olhando pela janela mesmo e vi logo, na banca de jornais, um senhor muito do bem apessoado. Já tinha encontrado com ele pela vizinhança. Agora, estava de blusa quadriculada, daquelas de botãozinho (não gosto muito do modelo, mas não posso começar assim já tão exigente), calça comprida e um tênis branco (acho que era tênis. Com a distância, não consegui ver os detalhes direito). Mas o rosto era simpático que só vendo. Gostei.&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;Decidi que ia descer também, comprar uma revista na banca ou algo assim. Olhei para ele de novo. O que poderia causar boa impressão? Veja, Marie Clarie, Uma? Talvez fosse melhor comprar uma Caras mesmo e deixar de fazer tipo. E quando já ia pegar a bolsa para descer, vi a Juma. Me olhava de esguelha sem se mexer, mas entendi tudo no mesmo momento. Se sentia sozinha também. Foi quando decidi: o pretendente precisa ter um cachorro!&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;                    Voltei para a janela e a Juma, animada, se aninhou logo ao meu lado, com o focinho colado no vidro. O primeiro poodle que passou pela rua ela já abanou o rabo e olhou para mim com aprovação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;- Este não, Juma. Um menino! Um menino! Não seja afobada. Temos tempo. Logo aparece outro.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-148009227953418637?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/148009227953418637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=148009227953418637&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/148009227953418637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/148009227953418637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/09/procura-se-um-amor-que-tenha-um.html' title='Procura-se um amor que tenha um cachorro'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-5871433336711848866</id><published>2007-08-04T02:33:00.000-03:00</published><updated>2007-08-04T02:37:18.301-03:00</updated><title type='text'>Sinopse</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Medos privados em lugares públicos&lt;/strong&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;“Coeurs” (França/Itália/..., 2006) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Drama (talvez nem seja tanto). E o filme começa com uma das personagens visitando um apartamento para alugar. Um dois quartos apertado em Paris, como a maioria dos apartamentos por lá (Não que eu saiba. Nunca fui. Os amigos é que contam nas cartas). E, justificando sua insatisfação com o tamanho dos cômodos, ela prova ao corretor que o proprietário na verdade dividiu o único quarto em dois. E vemos o seu braço entrar no vão entre a janela e a parede e sair do outro lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vê? Uma única janela. A parede divide a janela em dois. Originalmente, havia apenas um quarto amplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela continua (não me cobrem fidelidade nos diálogos. Não tenho a memória tão boa assim):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que acontece quando o dono de um dos quartos abre a janela e o outro fecha? Nada. Não tem jeito. Ou os dois morrem congelados ou os dois ficam abafados aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o longa continua mostrando sua seleção de personagens. Isolados em salas, bares, apartamentos. Todos solitários. Mas, vez ou outra, para surpreender, a câmera sobe e, então, nós, espectadores, podemos ver. As paredes que separam os ambientes não vão até em cima, não encostam no teto. Os personagens estão ligados pelo mesmo espaço, separados por divisórias ilusórias. É possível transpor cada uma delas, mas eles acreditam que, por algum motivo, precisam continuar onde estão e ficam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cenário é como a solidão que o filme estuda. Há algo que liga a todos. Os mesmos medos, anseios, esperanças, alegrias, sofrimentos. Como a janela do início: não há como fugir, o frio ou o abafamento é o mesmo. Apesar disso, os personagens terminam como começaram. Sim, acaba assim mesmo. É... contei o final.120 minutos. Livre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-5871433336711848866?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/5871433336711848866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=5871433336711848866&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5871433336711848866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5871433336711848866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/08/sinopse.html' title='Sinopse'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-6869298474226647963</id><published>2007-07-18T18:13:00.000-03:00</published><updated>2007-07-18T18:27:23.724-03:00</updated><title type='text'>Longe de casa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/Rp6FpGUaDZI/AAAAAAAAAA8/vNAfITJXtGo/s1600-h/coetzee%20in%20mirror.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5088651570092576146" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/Rp6FpGUaDZI/AAAAAAAAAA8/vNAfITJXtGo/s200/coetzee%2520in%2520mirror.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fiquei numa fila quilométrica durante a Flip, tentando pegar um autógrafo verdadeiro de J.M.Coetzee. Sempre achei uma besteira esta história de ter um livro assinado na estante de casa. Para quê? Qual a diferença? Na verdade, não quero saber absolutamente nada da vida dos escritores que admiro. Quando leio um livro, tenho a impressão de que o nome impresso na capa não se refere a uma pessoa de carne e osso. Não me interesso em saber se o autor acorda todo dia de manhã e come queijo-quente no café. Se tem a mania de organizar sua escrivaninha com esmero antes de cada dia de trabalho. Tenho curiosidade em relação à obra e ao universo que se abre ao virarmos cada página. E ponto. Nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Coetzee subiu no palco silencioso, recitou uma introdução ensaiada sobre a obra que ia ler para o público. Com voz pausada, calma, leu trechos de seu novo livro e foi só. Gestos estudados. Fiquei com vontade de olhar ele bem no olho e a assinatura na primeira página serviu de desculpa. Fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele me recebeu com um sorriso, contido, como tudo mais. Rabiscou seu nome e olhou pra mim com riso igual ao primeiro, sem mostrar os dentes. Os olhos se tornaram expressivos, apesar do rosto de pedra. Tive a impressão de que ia falar alguma coisa, que as palavras estavam subindo pela garganta, mas por lá ficaram e saí com o exemplar embaixo do braço e a certeza de que eram tantas as histórias que criava que não tinha sobrado mais nada para viver de verdade. Uma vida que só existia na imaginação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, na orelha do romance, vi que ele tem mais ou menos a mesma idade que eu. Será? E descobri que morava não sei onde e que lecionou em tais e tais lugares. Não pode ser! A partir de então, me dediquei a procurá-lo pelas ruas de Paraty. Queria flagrá-lo se movendo de improviso, numa situação inesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistei Coetzee no domingo de manhã. Levei um susto. Caminhava pelas ruas de pedra quando percebi que o escritor passava quase ao meu lado, o mesmo rosto da véspera. Os mesmos olhos expressivos e a mesma boca muda. Mas, de repente, tive a impressão de que perguntava: Quando me cumprimentarem, o que respondo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de pegar meu ônibus, vi mais uma vez. Uma cabeça branca saindo de um café. Foi parado por uma senhora, uma fã provavelmente, que lhe dirigiu palavras que não consegui escutar. Coetzee ficou parado olhando, perplexo, e, depois de alguns segundos, tirou de dentro seu sorriso sem dentes e inclinou a cabeça de leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inadequação. Deve ter sido esta a palavra que ficou entalada na sua boca na noite de autógrafos. Talvez, sentisse falta de casa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-6869298474226647963?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/6869298474226647963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=6869298474226647963&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/6869298474226647963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/6869298474226647963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/07/longe-de-casa.html' title='Longe de casa'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/Rp6FpGUaDZI/AAAAAAAAAA8/vNAfITJXtGo/s72-c/coetzee%2520in%2520mirror.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-4342509236288052796</id><published>2007-07-02T23:41:00.000-03:00</published><updated>2007-07-17T15:38:28.560-03:00</updated><title type='text'>uma história, mais uma história...</title><content type='html'>Nem olhei as prateleiras e fui direto no atendente. Queria o primeiro livro autobiográfico escrito pelo Coetzee, Cenas de uma vida, editado pela Best Seller e esgotado há tempos por aqui. Tinha. Nem acreditei. Tinha! Depois de uma peregrinação por dezenas de sebos da cidade, achei. Fui pra casa com aquela sensação de quem ganhou brinquedo novo. Quarta-feira agora começa outra edição da Flip e o cara vai estar em Paraty. Queria ler antes da festa, levar para ele autografar depois da palestra.&lt;br /&gt;Li num dia, mas passei outro inteiro só tentando decifrar os garranchos que alguém deixou no topo de algumas páginas. Logo no começo, descobri, estava escrito num canto: “o que é ser normal?” Percorri a página inteira pra tentar entender e, naquele ponto da história, o Coetzee menino estava tentando imitar os colegas no colégio. Sofrendo por não saber os códigos que devia seguir. E, por mais que se esforçasse, inadequação era a única coisa que encontrava.&lt;br /&gt;Mais algumas folhas pra frente e outra anotação, desta vez em letra de imprensa: “memória ou ficção?” E entendi que ela se referia ao estilo narrativo que o autor escolheu. Uma autobiografia toda feita em terceira pessoa. Ele conta suas memórias como quem fala de outro. Talvez fale mesmo. Quem disse que um adulto pode lembrar tintim por tintim da sua rotina aos dez anos?&lt;br /&gt;Mas o que mais me intrigava não era decifrar as interpretações que alguém tinha feito, tentar descobrir como cada trecho tinha tocado este ser, o que chamava atenção em cada parte. Mas, sim, quem era este leitor. Eu não era a primeira a percorrer aquelas páginas. E, tentando imaginar este outro, ia criando uma segunda história na cabeça. Estava diante de um livro duplo. Dois romances em um.&lt;br /&gt;Acho que era homem. Letra sem capricho, seca, cheia de ponta. Imagino que era jovem e que ganhou o livro de presente. Olhou para a capa curioso. Relato de um escritor da África do Sul, contando as primeiras dúvidas e questionamentos de sua infância. Acho que leu com calma, aos poucos, anotando os pontos pra não esquecer mais tarde, sentado em alguma cadeira de praia, baixando o livro e fixando o olho no mar enquanto pensava nos trechos da história. Se tinha gostado? Sim, tinha, tinha. Mas porque se desfez do livro, então? Não faz muito sentido alguém perder tanto tempo anotando nas bordas para, mais tarde, deixar o exemplar em alguma prateleira de sebo.&lt;br /&gt;Virei a capa e fiquei olhando o título impresso bem no centro da primeira página. Com uma caneta preta escrevi em inglês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um lugar pro coração pousar.&lt;br /&gt;Um endereço que freqüente sem morar.&lt;br /&gt;Ali na esquina do sonho com a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me dei nem ao trabalho de inventar algo original. Marisa Monte cantava os versos aqui na casa do vizinho, enquanto eu copiava apressada, tentando acompanhar sua fala. Mesmo assim, embaixo das três frases, assinei com letras pouco desenhadas: J.M.Coetzee.&lt;br /&gt;No dia seguinte, estava em frente ao atendente novamente:&lt;br /&gt;- A senhora não gostou? Não é possível, me amarro nesse cara!&lt;br /&gt;- Gostei. Gostei. É por isso que eu tô devolvendo.&lt;br /&gt;- ?&lt;br /&gt;- É pra mais gente poder ler, sabe. Acho que os livros não podem ficar parados não. Têm que circular.&lt;br /&gt;Ele gostou da explicação e pareceu acreditar. Agradeceu e, naquele segundo, foi até a mesma estante de dois dias atrás e depositou o livro entre os romances classificados como literatura estrangeira. De longe, fiquei olhando a lombada negra descansar na prateleira. Me despedi com um riso no canto da boca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-4342509236288052796?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/4342509236288052796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=4342509236288052796&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/4342509236288052796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/4342509236288052796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/07/uma-histria-mais-uma-histria-mais-uma.html' title='uma história, mais uma história...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-7384267546676931210</id><published>2007-05-04T13:05:00.000-03:00</published><updated>2007-05-05T18:03:34.138-03:00</updated><title type='text'>ai, ai, ai...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjtaTdk4lII/AAAAAAAAAAs/w7xx-DIuAL4/s1600-h/585.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060737896684229762" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjtaTdk4lII/AAAAAAAAAAs/w7xx-DIuAL4/s320/585.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acordei com o joelho doendo. Nem consigo andar. Talvez seja carência... Sempre achei que hipocondria era carência afetiva e, agora que me nasceu este problema na rótula, posso confirmar a tese. Saí pela manhã para o supermercado. Mais de 30 minutos para caminhar, arrastando a perna, a extensão da Barão de Ipanema. No trajeto fui parada por três pessoas que nunca tinha visto na vida. Repito: NUNCA na vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Machucou a perna?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Contente, expliquei:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Não. É uma inflamação na cartilagem do joelho. Nada demais. Preciso fazer fisioterapia, mas demora pra ficar bom. O médico disse que isso é comum em mulheres, que têm a musculatura da perna sei lá como e precisam de mais exercício e coisa e tal. Mas escapo de uma operação. Bem, o médico acha. Nunca se sabe...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mais alguns passinhos e um senhor me repetiu a mesma pergunta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Machucou o pé?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Feliz, repeti o discurso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, é uma...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E, invariavelmente, recebi uma receita infalível para curar inflamações na cartilagem do joelho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É só botar gelo no local três vezes ao dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Experimenta umas gotinhas de arnica dissolvidas na água. Tiro e queda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Repouso. Não devia estar andando. Um dia deitada e levanta nova.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Solidários. Não na alegria e na felicidade, isso é certo. Mas, SEMPRE, na tristeza e na doença. Agradeci a todos os conselhos. Prometi com ar convincente seguir as instruções à risca. E voltei do supermercado com um saquinho envolvendo o detergente. Quando cheguei em casa, vi que nem precisava ter comprado. Tinha um refil guardado na despensa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora, deitada no sofá, mudando os canais da TV com um controle remoto, já me sinto bem melhor. O joelho nem me dói tanto... Mas... se piorar amanhã... talvez tenha que comprar uma bengala!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-7384267546676931210?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/7384267546676931210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=7384267546676931210&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/7384267546676931210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/7384267546676931210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/05/ai-ai-ai.html' title='ai, ai, ai...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjtaTdk4lII/AAAAAAAAAAs/w7xx-DIuAL4/s72-c/585.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-1338610881831945649</id><published>2007-05-01T03:11:00.000-03:00</published><updated>2007-05-01T16:33:20.317-03:00</updated><title type='text'>Risadas ao telefone</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjbbK9k4lHI/AAAAAAAAAAk/WKVxd24Hi1M/s1600-h/romeo_and_juliet_.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5059472212771771506" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjbbK9k4lHI/AAAAAAAAAAk/WKVxd24Hi1M/s320/romeo_and_juliet_.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não fui eu quem inventou esta história. Li numa crítica de jornal. Destas de cinema. Logo na primeira frase o autor repetia o verso de Vinícius de Moraes: Todo grande amor só é bem grande se for triste. E eu ri da cabeça virar até atrás e parei para me ver assim no espelho, cheia de certezas, olhos cansados de quem já passou da metade da vida. Tirei o telefone do gancho e liguei pra Olga de troça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá no jornal de hoje. Olha lá.&lt;br /&gt;- Quem assina? O Romeu?&lt;br /&gt;- É! Deve ser ele! Acabou de conhecer a Julieta no baile e se deu conta de que ela é da família inimiga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E um monte de hahahahahas preenchendo o tempo entre as frases.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas Romeu é um adolescente!!!!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a gente ria, ria, como quem sabe de tudo. E da crítica do jornal, passamos pro poema do Vinícius.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mas ele tava falando que quem se protege da vida perde a melhor parte dela – arrisco a Olga.&lt;br /&gt;- Acho que não. Acho que é coisa de gente apaixonada. Ele sabe que ficar junto vai ser difícil, mas que chegou a um ponto que não tem como ir embora mesmo. O famoso se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E as duas ficaram em silêncio. Fazendo na cabeça uma retrospectiva dos amores do passado. E desatamos a soltar um bando de nomes: João, Felipe, Tobias, Delfim, Juca, Célio, Anderson, Francisco...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a Olga empacou no Felipe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Verão de 64. Nunca esqueci. Aquele sim. Grande amor... – e um suspiro subiu pelo telefone.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E não me arrisquei a falar, mas me lembrei do Alberto de pronto. Namoro cheio de brigas, que terminava e voltava, terminava e voltava, terminava e voltava. Até que um dia eu arrumei uma mochila enorme e falei pra minha mãe que ia viajar nas férias pro Nordeste. Fiquei três meses pulando de cidade em cidade. Demorei umas semanas na Bahia. Fiz amigos em Fortaleza e voltei no inicinho das aulas. Ele já estava com outra, se casou com ela. Teve três filhos e hoje deve ter uma penca de netinhos. Amorzão. Não esqueço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falei pra Olga que a máquina de lavar tinha parado. Tava na hora de estender as roupas. E desliguei o telefone pensando porque afinal de contas a gente só se lembra dos que não deram certo, das histórias cheias de sofrimento. É por que ficamos pensando no que poderia ter sido? Se Romeu tivesse se casado com a Julieta a gente não lembrar mais dele? Vou guardar esta crítica pra ler de novo mais tarde...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-1338610881831945649?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/1338610881831945649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=1338610881831945649&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/1338610881831945649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/1338610881831945649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/05/risadas-ao-telefone.html' title='Risadas ao telefone'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjbbK9k4lHI/AAAAAAAAAAk/WKVxd24Hi1M/s72-c/romeo_and_juliet_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-364928502156204019</id><published>2007-04-15T23:17:00.000-03:00</published><updated>2007-04-15T23:23:00.759-03:00</updated><title type='text'>procura-se um verso desesperadamente</title><content type='html'>Uma vez, quase escrevi o verso perfeito. Uma frase só, mas perfeita. Não tinha a ver com métrica, rima ou nada relacionado à forma. Me refiro a idéias. Bombástico e sutil ao mesmo tempo. Surpreendente e simples na medida certa. Sim, teve uma época em que eu escrevia. Chegava a virar noites inteiras preenchendo páginas com a letra quadrada e antiquada da minha Olivetti. Mas, deste período, só ficou na minha cabeça a cena desta noite. A frase brotando, quase pronta e um barulho de chinelas batendo ao longe. O coração disparado, lutando com pressa pras palavras chegarem logo, e o arrastar das chinelas vindo mais depressa que as sílabas, cada vez mais perto. E minha mãe surgiu na porta do quarto com sua camisola azul de listrinhas e, sem perguntar nada ou deixar espaço pra defesa, desligou a luz da luminária:&lt;br /&gt;- Isso são horas? Já pra cama. Amanhã não acorda pra escola.&lt;br /&gt;E o verso se perdeu para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, não era a minha mãe. Sim, sim. Mas o meu pai. Ele e seu estilo seco. Em vez das chinelas atoalhadas da mãe, o calçado de couro do pai. Inclemente, forte, quase acordando a casa intera com as batidas no chão de taquinho. E, sem deixar espaço para argumentações, me olhou da porta.&lt;br /&gt;_ Magnólia, já está na hora de dormir.&lt;br /&gt;E eu fui e obedeci, olhei para o lado e a escrita foi dormir junto e creio que não se levantou até agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, talvez isso não tenha acontecido. Talvez cena mais ou menos assim pertença a um poema chinês que Kafka endereçou a Felice Bauer para justificar encontros que nunca saíam do papel. Ou talvez eu estivesse lendo uma das cartas de Kafka quando o verso me bateu na cabeça, inacabado, mas quase presente. E um pico de luz fez a energia do prédio cessar e, sem poder anotar as idéias, esqueci a arrumação das palavras. Não importa agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-364928502156204019?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/364928502156204019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=364928502156204019&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/364928502156204019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/364928502156204019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/04/procura-se-um-verso-desesperadamente.html' title='procura-se um verso desesperadamente'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-5853012697853716253</id><published>2007-03-08T20:33:00.000-03:00</published><updated>2007-04-01T18:08:24.057-03:00</updated><title type='text'>vestígios...</title><content type='html'>já era de se esperar. Eu sei. mas sempre me espanto. Sílvia ligou aqui pra casa ontem de noite, quase madrugada. O telefone tocou e fui até lá com as chinelas ansiosas. Morreu o Oswaldinho, que estudou com a gente em Petrópolis. Lembro que na minha festa de quinze anos ele me tirou pra dançar e tinha um sorriso que sempre, insisto, sempre, acabava em gargalhada e ia contagiando as pessoas em volta. Era pequeno e magro e doce. E mesmo sem vê-lo há anos, senti sua falta e me deu uma saudade funda. Envelhecer é ver a morte chegando aos poucos, fazendo um cerco, transformando tudo em lembrança, história e, um dia, cada vez mais próximo, vai chegar até aqui. Eu sei. Mas mesmo assim me espanto.&lt;br /&gt;Acordei e fui ligar pra Lúcia. Não há nada para ser dito, mas, mesmo assim, é preciso dizer alguma coisa. O telefone tocou, tocou e a voz que atendeu, se desculpando da ausência e pedindo para que deixassem recado, era a de Oswaldinho e, sem saber porque, achei constrangedor. A pessoa some, mas não tudo. Uma voz na secretária eletrônica, o número do telefone celular nas nossas agendas (e o que afinal a Lúcia vai fazer com o aparelho?), o nome em sites da internet, as contas, as roupas... vestígios... E o nosso impulso é virar o rosto. Você liga pra casa da Lúcia, atende o Oswaldinho e na mesma hora sobe um frio na espinha e uma vontade de desligar o telefone correndo, como se por ali pudesse subir algum tipo de contágio. Quem vai sair apagando estes traços? Quanto tempo demora pro nome do morto sumir de uma pesquisa no google?&lt;br /&gt;E fui no velório, de preto, lenço guardado na bolsa. E quando eu vi a Lúcia, chorei. Reconheci alguns rostos de Petrópolis também. Um grupo cada vez menor. E conforme as pessoas iam chegando as lágrimas iam pulando e encharcando o lenço inteiro e descendo pelo rosto descontroladas. Depois, já em casa, fiquei horas olhando pela janela, vendo o movimento da rua. As pessoas passando, os carros passando, um movimento que eu quase posso jurar que não vai para nunca. Mas eu sei...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-5853012697853716253?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/5853012697853716253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=5853012697853716253&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5853012697853716253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5853012697853716253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/03/vestgios.html' title='vestígios...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-3637803176863868993</id><published>2007-02-25T23:59:00.000-03:00</published><updated>2007-02-26T00:02:23.644-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Da minha janela vi cair por estes dias uma chuva de confetes e, na segunda de manhã, acordei intrigada com umas flores coloridas que tinham nascido nas árvores em frente de casa. Eram diferentes, frágeis, bonitas. Olhando com mais força, achei que talvez não fossem flores, mas parasitas. Nem uma, nem outra. Feliz, vi mais tarde que eram apenas serpentinas. E me rendi. Às pessoas que passavam na calçada cantando, aos blocos que arrastavam multidões, com músicas aos berros assustando a Juma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei uma máscara, destas feitas de couro e que cobrem apenas parte dos olhos, e saí pela cidade dançando. Andando por ruas que em nenhuma outra época do ano parecem seguras. Pulando na frente das baterias, esquecida da idade avançada ou do joelho inflamado. E, assim, subi Santa Teresa, as ruas inclinadas de Laranjeiras, percorri becos de Copacabana e esquinas da Lapa. E não sei se por causa da música, dos instrumentos batendo tão forte, do sol queimando o rosto, das pessoas que pulavam e dançavam ao meu lado, mas senti alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje à noite peguei um táxi na volta pra casa e notei que as barracas montadas na praia tinham ido embora. As ruas, antes tão movimentadas, guardavam apenas vestígios de copos e pedaços de fantasias esquecidas pelo chão. E tudo que denunciava alegria deixava agora uma sensação de vazio. Lembrei surpresa do fim do horário de verão e acertei o relógio. Abri a janela e, com o vento batendo na cara, não consegui escutar nem o barulho dos carros. Era um silêncio de domingo, anunciando uma semana de trabalho pela frente. Dentro das casas, imaginei pessoas estendendo em cabides a roupa que usariam no dia seguinte, enchendo as marmitas de comida. Não agüentei e pedi para o motorista ligar o rádio. Mas a voz que saiu das caixas era a de Tom Jobim tentando esquecer Luísa. E me resignei novamente, sabendo que não havia nada a fazer.  O carnaval acabou. E eu nem pensei que fosse lamentar tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-3637803176863868993?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/3637803176863868993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=3637803176863868993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3637803176863868993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/3637803176863868993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/02/da-minha-janela-vi-cair-por-estes-dias.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-1326877783750740373</id><published>2007-02-22T21:40:00.000-02:00</published><updated>2007-02-22T21:46:03.575-02:00</updated><title type='text'>e eu ganhei um caderno secreto...</title><content type='html'>Chegou ontem pelo correio. Num pacote sem remetente, envolto em papel pardo. Mas o nome Magnólia vinha destacado em letra de imprensa. Era meu mesmo. Ganhei um livro num idioma indecifrável. Minha primeira impressão foi a de que um escritor sem cuidado descansou os dedos no computador e, assim, preencheu 156 páginas. Na capa, uma imagem do Cristo Redentor de braços abertos e uma cidade ao fundo que reconheci de cartão-postal. Saí correndo para a minha estante e peguei o que parecia ser a tradução em português para o mesmo exemplar. Ou seria o contrário? Os livros eram como opostos, um o espelho do outro. Preto no branco e branco no preto. Qual seria o original?&lt;br /&gt;    Olhar o nome do autor na contracapa não era solução. Mesmo que descobrisse a sua nacionalidade, não poderia dizer com certeza em qual idioma a história tinha nascido primeiro. Talvez o nome nem fosse o do escritor verdadeiro e o enredo tivesse sido copiado de um livro perdido num sebo de uma cidade escondida no leste europeu. Ou a simples adaptação para a cultura local já era o suficiente para confirmar a impressão tão viva de estar diante de histórias diferentes, parecidas e não iguais, complementares talvez. Saí com o exemplar embaixo do braço e na primeira livraria perto de casa abri para o vendedor numa página qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. Dicionário pra esta língua eu não tenho não.&lt;br /&gt;- E essa língua é?&lt;br /&gt;- Não, não tenho não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Eram códigos. Um livro inteiro traduzido num código secreto para esconder informações que eu não soube decifrar. Para negar, talvez, o que no outro aparecia afirmado.&lt;br /&gt;    Quando Sofia chegou aqui em casa com minha sobrinha, eu espremia os olhos em cima das palavras para tentar entender à força o que escondiam e analisava pequenos caracteres que descobri sublinhados com lápis. E com os dedos pequenos apontados pra cima, ela fez a pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sobre o que é essa história. Conta, tia! Conta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    E, sem pensar, vi que a minha boca abria e de lá eu disse, num único impulso, que ali estavam descritos os passos de um viajante. Em cada lugar que andava ele ganhava um nome diferente. E, se no México o achavam simpático, nos Estados Unidos tinham dito que era mesquinho, mas falante, e na Itália parecia um pouco tímido. E havia gente que jurava que era cultíssimo e tinha lido bibliotecas inteiras, mas outros descobriram que era analfabeto. E ninguém sabia como era realmente e o que queria dizer quando falava, já que se expressa num idioma, invariavelmente, estrangeiro. Por estar sempre de passagem, não havia como confirmar as versões. Mas o importante não era descobrir a verdadeira, mas notar que todas davam a quem levantava a dúvida, uma espécie de tranqüilidade.&lt;br /&gt;    Antes mesmo de terminar, minha sobrinha foi atrás da boneca e disse que aquele devia ser um bom livro. E por mais absurda que me parecia a história, quando minha boca fechou, senti paz. Descansei o exemplar na prateleira e fui na geladeira pegar dois copos com refrigerante para as visitas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-1326877783750740373?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/1326877783750740373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=1326877783750740373&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/1326877783750740373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/1326877783750740373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/02/e-eu-ganhei-um-caderno-secreto.html' title='e eu ganhei um caderno secreto...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-5102566912720750959</id><published>2007-02-14T22:39:00.000-02:00</published><updated>2007-05-04T20:49:08.623-03:00</updated><title type='text'>hoje tem baile funk, tem samba no flamengo...</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjvGSdk4lJI/AAAAAAAAAA0/uuOtDbzVXcE/s1600-h/chico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5060856626760160402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjvGSdk4lJI/AAAAAAAAAA0/uuOtDbzVXcE/s320/chico.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RdOsVGGA7XI/AAAAAAAAAAM/91BHYxMsEXg/s1600-h/chico.jpg"&gt;&lt;/a&gt; Eu estava lá. E vi que, atrás do Chico, uma linha única fazia voltas e cortava o palco, formando um perfil que reconheci de cara. Era o Rio. Mas parecia algo mais: aquelas linhas que sobem e descem dos aparelhos de eletrocardiograma. E fazia todo sentido. Não só por causa do nome do disco, do nome do show, mas por ele mesmo. Porque quando penso no Chico me vem na cabeça uma sucessão de palavras cariocas. Longas caminhadas no Leblon, Arpoador, Ipanema, mar, praia, cidade, favela, Madureira, Penha, amores, areia, janeiro, rio. Sentei na platéia e mais não posso dizer. Do meu lado tinha gente que falava inglês, alemão, minerês. E vi que a linha que formava o perfil das montanhas ia longe. E saí feliz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Lá não tem brisa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Não tem verde-azuis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Não tem frescura nem atrevimento&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Lá não figura no mapa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;No avesso da montanha, é labirinto&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;É contra-senha, é cara a tapa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Penha&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Irajá&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Olaria&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Acari, Vigário Geral&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Piedade&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Casas sem cor&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Ruas de pó, cidade&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Que não se pinta&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Que é sem vaidade&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Vai, faz ouvir os acordes do choro-canção&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Traz as cabrochas e a roda de samba&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Dança teu funk, o rock, forró, pagode, reggae&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Teu hip-hop&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala na língua do rap&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Desbanca a outra&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;A tal que abusa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;De ser tão maravilhosa&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Lá não tem moças douradas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Expostas, andam nus&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Pelas quebradas teus exus&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Não tem turistas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Não sai foto nas revistas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Lá tem Jesus&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;E está de costas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Maré&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Madureira&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Pavuna&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Fala, Inhaúma&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Cordovil, Pilares&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Espalha a tua voz&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Nos arredores&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Carrega a tua cruz&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;E os teus tambores&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-5102566912720750959?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/5102566912720750959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=5102566912720750959&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5102566912720750959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/5102566912720750959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/02/hoje-tem-baile-funk-tem-samba-no.html' title='hoje tem baile funk, tem samba no flamengo...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_s4nM8-5ZhZU/RjvGSdk4lJI/AAAAAAAAAA0/uuOtDbzVXcE/s72-c/chico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-117097248971225910</id><published>2007-02-08T20:03:00.000-02:00</published><updated>2007-02-08T20:08:09.726-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>As coisas andam um pouco estranhas por aqui.... Hoje de manhã os jornais amanheceram com a notícia de que dois assaltantes roubaram um carro e arrastaram uma criança de seis anos pelas ruas da cidade. Não deu tempo dela sair. O corpo ficou preso no cinto de segurança, e eles arrancaram assim mesmo. A mãe ficou olhando do lado de fora, enquanto o filho gritava preso. Mas não por muito tempo. Porque o motorista, tentando se livrar do corpo, ficava andando com o veículo em ziguezague para ver se o garoto se soltava, passava pelos quebra-molas a toda. E ele lá preso, batendo na lataria. Não durou muito. Que jeito? Foram embora assim. Largaram o carro numa rua e deixaram os restos do menino por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino a cena e acho que já assisti a isso num filme do Tarantino.  Será que os motoristas pensaram o mesmo? Que estavam num filme de perseguição e era tudo gravado? Um boneco preso no carro. E um menino real gritando, protegido numa calçada, enquanto as câmeras juntavam imagem e som e davam a ilusão de realidade. Ou eles já viveram tantas cenas semelhantes que nada tem mais importância?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desliguei a televisão e me lembrei que outro dia eu fui ligar pra Lúcia e ela me contou que o pai estava com problemas de saúde, internado num hospital público, esperando para ser transferido para uma clínica especializada. Lá, talvez pudesse operar. Lá, talvez houvesse esperança. Mas era preciso um contato. Alguém que facilitasse as coisas, que agilizasse uma fila que não anda há meses. Como esperar por meses? Tentei ajudar. Não deu tempo. Passou. E imaginei os funcionários da tal clínica atendendo o telefonema desesperado da Lúcia e repetindo com voz calma que não tinha mais vaga. Que talvez eles pudessem conseguir uma internação para dali a três meses.   E desligando sem pensar. E indo tomar um café na lanchonete logo depois, imaginando a roupa que iam botar  de noite. Parte do dia-a-dia. Tantos e tantos casos parecidos que já não têm mais importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, enquanto eu arrumava as compras na cozinha, com a Juma pulando no meu joelho, a porta de casa ainda aberta e os sacos espalhados pelo corredor, ouvi a filha da vizinha contar que não gostava de ir mais pro baile. Que lá, quando ela queria ir no banheiro, tinha sempre um cara que agarrava as meninas pelo pescoço e tascava um beijo forçado, indo embora logo depois. E ela achava aquilo meio ruim, porque volta e meia uns fios de cabelo ficavam presos no relógio do moço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Ah, eu, heim? Fico horas secando com secador. Compro creme caro pra cacete e ficam aí arrancando os fios todos. Olha lá, Vilma! Tudo quebrado! Uma nuvem de cabelos quebrados aqui em cima da minha cabeça. Olha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Vilma deve ter olhado, porque fez silêncio. E depois começou a contar de um cara que tinha saído:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Saí umas vezes só. Coisa rápida. Eu nem queria ficar muito tempo, inventava logo uma desculpa e ia embora. Agora ele fica me ligando. Um saco. Não atendo não. Cara mala. Parece que gosta de mim. Eu, heim? Que cara maluco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a Vilma concordando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Ah, é assim mesmo. Eu só saio umas vezes também. Depois vô embora e, se encontrar na rua, viro a cara. Eu, heim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei tudo muito esquisito, que ninguém sentia mais nada. Mas parece que não. Parece que é assim mesmo. O assalto, o hospital, os casos. Tem todo dia isso aqui. É normal. Eu é que não sei mais o que significa essa palavra. Meu dicionário é que está desatualizado. Li na revista Bons Fluidos (ou seria outra?)  que é pra desligar a televisão, respirar fundo, repetir num mantra três vezes, entrar no quarto e ligar o ar-condicionado. Não sei. Estou ficando velha e aqui em casa não tem ar-condicionado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-117097248971225910?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/117097248971225910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=117097248971225910&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/117097248971225910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/117097248971225910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/02/as-coisas-andam-um-pouco-estranhas-por.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-116907842279298945</id><published>2007-01-17T21:58:00.000-02:00</published><updated>2007-01-17T22:01:11.540-02:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>Acho que eu devia chegar no teatro logo com uma confissão escrita. Algo como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... é com vergonha que confesso que... tantas e tantas vezes, em vez de olhar entre os meus, roubei um verso teu e dei de presente.  E não foi uma, nem duas ou três. Tantas que perdi a conta. E me perdoe, pois não resisto, e sei que vou fazer outra vez.... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas depois fico pensando que deve haver um quarto cheio delas. Apartamentos inteiros cheios de cartas, caixas de e-mail explodindo de mensagens. Confissões iguais às minhas. Talvez piores. E ninguém ficaria espantado com o volume. Já deve existir um funcionário esperando a remessa antes de cada apresentação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda me lembro da última vez que assisti a um show dele. Faz tempo. Fui com a Judith e sentamos numa mesa central. Lá pelas tantas ela olhou na minha direção:&lt;br /&gt;- São os olhos. O que me mata neste homem são os olhos. Um azul tão limpo.&lt;br /&gt;- Então são azuis? &lt;br /&gt;E ela ficou rindo, achando que eu brincava. Mas juro que nunca tinha notado. E com aqueles versos que prendem a gente por dentro lá dá pra notar alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que em março vou voltar a contar os tostões. Já tenho pesadelos com notas voando, micro saquinhos de dinheiro com asas, como nos desenhos animados. Mas este é um dos meus momentos Scarlett O’Hara. Amanhã eu penso. Só sei que... Mês que vem vou ver o Chico no Canecão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-116907842279298945?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/116907842279298945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=116907842279298945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116907842279298945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116907842279298945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/01/blog-post_17.html' title='...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-116777587182876692</id><published>2007-01-02T19:51:00.000-02:00</published><updated>2007-01-02T20:15:49.083-02:00</updated><title type='text'>primeiro dia útil do ano</title><content type='html'>Ester entrou ontem aqui em casa toda de branco, com um papo de réveillon. Agora que 2007 chegou, ela quer abrir as janelas pra deixar a luz entrar e está andando pela rua com os pulmões cheios, pronta para (vejam só, nunca é tarde!) novas experiências. Ester que me perdoe, mas eu começo o ano fazendo o movimento oposto. Tô é fechando algumas. Algumas. Não é desesperança, medo, nada disso. Muito pelo contrário.  É vontade de cuidar do que tem aqui dentro. E passei o primeiro dia útil do ano fazendo faxina! A fantasia de Cabíria que entulhava o armário, por exemplo, foi pro lixo. E viva 2007!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6794/391/1600/583984/Cabiria.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/6794/391/320/128428/Cabiria.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-116777587182876692?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/116777587182876692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=116777587182876692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116777587182876692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116777587182876692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2007/01/primeiro-dia-til-do-ano.html' title='primeiro dia útil do ano'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-116733975811104287</id><published>2006-12-28T18:59:00.000-02:00</published><updated>2006-12-28T19:05:24.216-02:00</updated><title type='text'>OOOOOOOOOOMMMMM...</title><content type='html'>...estou ocupada. Como aqueles avisos que as pessoas colocam no messenger. Podem até me ver andando pela rua, falando pelo telefone, navegando pela internet. Mas estou ocupada. Uma plaquinha vermelha com um tracinho branco bem no meio. E, sim, tudo bem, isto tem a ver com o fim do ano. Mas não com estas coisas de fazer retrospectivas ou uma lista de metas e estratégias para 2007. Não estranhem se me virem arrastando um carrinho de feira pela rua, lotado de plantinhas embaladas em sacos plásticos. Ou se passarem pela portaria do prédio e sentirem um cheiro insuportavelmente forte de incenso. Ou olharem pela janela e acharem que tem uma velinha iluminando o ambiente. Tem mesmo. Vou sentar em cima da cama, cruzar as pernas, entoar um mantra e esperar 2007 pensando no branco. Imaginando o nada sem imagens intermediárias. A hora é de tentar paz. E não me inventem viagens mirabolantes, projetos cheios de aventuras, amores de explodir o coração. São três dias. Três dias só e a luz fica verde novamente. Por enquanto, ocupada....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-116733975811104287?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/116733975811104287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=116733975811104287&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116733975811104287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116733975811104287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/12/oooooooooommmmm.html' title='OOOOOOOOOOMMMMM...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-116460186741918062</id><published>2006-11-27T02:23:00.000-02:00</published><updated>2006-11-27T02:31:07.433-02:00</updated><title type='text'>o dia em que o contra-regra tirou folga</title><content type='html'>Encontrei, numa caixa de guardados, uma foto do Carlos. E me lembrei de uma viagem que fizemos. A estrada enlameada de Visconde de Mauá e foi só o carro engatar na porta da pousada pra cair um pé d´água de novela das oito. Eu me espremia embaixo de um guarda-chuva florido que a recepcionista foi buscar atrás do balcão e era mais em sinal de protesto mesmo, uma forma de reclamar com o tempo a água que ele deixava cair lá de cima. Porque não adiantava nada, era daquelas chuvas de novela, como eu disse. Quando parece que a atriz entrou embaixo de um chuveiro ligado no máximo e um bando de ventiladores fazem a água dançar de um lado pro outro e enchem o chão de poçinhas bem no lugar onde a gente tá botando o pé. Parece tudo planejado. Pra deixar a roupa grudando no corpo. E quando você pensa que o guarda-chuva tá cobrindo pelo menos a franja do penteado, vem um vento não sei de onde e vira ele todo pra cima. E lá se vai o penteado. A água escorrendo na cara e a franja grudada na testa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me lembro de sentir vergonha. Tinha feito uma mala com roupa nova, os trajes combinando pro fim de semana. Unha feita e tudo mais. E foi só pisar no tal do paraíso verde, pra um céu azul, sem nuvens, cismar em jogar água aos montes de lá. E não dava mais pra disfarçar nada. Logo do começo, de cara, era aquilo ali e pronto. Com o cabelo grudando na testa, a roupa colada no corpo, respingos de lama cobrindo as pernas, eu era eu mesma. Daquele jeitinho lá. Pegar ou largar. Sem muito glacê pra enfeitar o bolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a gente entrou no bagalô, que era lindo e tudo, com lareira e cestinha de flores em cima da mesa, ficamos olhando um pra cara do outro sem saber o que fazer. E parecia que a gente nem tinha lá muito interesse, que tava em Mauá por engano, que tinham trocado o par no meio do caminho e, lá, só dentro da casa, a gente tinha se dado conta. Ué, acho que não tem lá muito a ver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas era só um jeito de quem tava meio sem jeito mesmo. Quando a intimidade chega rápido demais, pelas circunstâncias e não pela convivência. E você fica quieto, sem ação, esperando pra ver como o outro age, depois de olhar assim tão de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu desconjuntada e o Carlos com a cara de quem deixou o carro atolar na lama, já lá quase na linha de chegada. Tinha ficado engatado no meio de três pedras, na porta da pousada. Ele encharcado tentando empurrar com força a traseira e nada do bicho mover um milímetro. Só as pernas do Carlos que escorregavam, patinando na terra. E ele caía e levantava. No joelho esquerdo descia um fio de sangue e os óculos, molhados, vinham tortos no rosto. Lá pelas tantas tinha engasgado do esforço e da boca saiu uma espécie de vômito. E eu fingi que não vi, que era pra ele não se sentir constrangido. Mas o Carlos achou que era só falta de atenção mesmo, indiferença, coisa de quem tinha ficado com nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, em pé no quarto, com a porta fechada, só conseguimos pensar numa coisa: foto. Vamos tirar uma foto. Fingimos que era engraçado e sacamos a máquina da bolsa. Saiu aquela foto que eu tinha achado na caixa de guardados. Ele com um sorriso forçado, apontando com o dedo pro joelho. E o fim de semana passou meio morno e os dois foram pra casa com uma sensação de frustração, querendo que o tempo voltasse e desse pra viver tudo de novo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da história ficou aquela foto amarelada, guardada no fundo de uma caixa por anos. Olhava pra ela e estalava a língua, balançava a cabeça. E ria. Agora, fazer o quê? Ria. Coloquei no meu quadro de cortiça...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-116460186741918062?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/116460186741918062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=116460186741918062&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116460186741918062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116460186741918062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/11/o-dia-em-que-o-contra-regra-tirou.html' title='o dia em que o contra-regra tirou folga'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-116294777515431039</id><published>2006-11-07T22:35:00.000-02:00</published><updated>2006-11-07T23:05:51.606-02:00</updated><title type='text'>depois...</title><content type='html'>Tudo o que me inspira hoje é uma música do Los Hermanos. Uma em que o cantor termina com uma série de ãããããnnnnããããããnnnns. Um em cada tom. Que começa com... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... ah, depois eu escrevo... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só tenho vontade de estender meus pés em cima da cadeira, calçados com havaianas (e olhe lá) e esticar os braços até achar que estou crescendo. Estou de férias. Igual ao cara da música que se permite largar o corpo em cima de um sofá... Férias. Não quero saber se apareceu um novo restaurante na Dias Ferreira, se a moda agora é comer lichia no café da manhã, se o Coqueirão está ultrapassado, se descobriram que iogurte de maracujá é a bebida da estação, se os moderninhos de Ipanema vão tomar banho na laje do Dama de Ferro no pós-praia. O horário de verão começou no domingo, as lojas da cidade já estão prontas para o Natal e daqui a pouco (eu sei) as revistas e matérias de comportamento vão tentar nos convencer de que coisas fantásticas, incríveis, estão tomando a cidade, novas manias, novas histórias. E que nós precisamos, urgente, nos atualizar. Preguiçaaaaaa... Quando o verão chegar, quero férias. Deixa o verão pra mais tarde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deixa eu decidir é cedo ou tarde,&lt;br /&gt;espere eu considerar,&lt;br /&gt;ver se eu vou assim chique-à-vontade,&lt;br /&gt;qual o tom do lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu penso você sugeriu&lt;br /&gt;um bom motivo pra tudo atrasar&lt;br /&gt;E ainda é cedo pra lá,&lt;br /&gt;chegando às seis tá bom demais!&lt;br /&gt;Deixa o verão pra mais tarde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uh ah ãã aeãeã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tô muito a fim de novidade&lt;br /&gt;fila em banco de bar&lt;br /&gt;Considere toda a hostilidade&lt;br /&gt;que há da porta pra lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu fujo você inventou&lt;br /&gt;qualquer desculpa pra gente ficar&lt;br /&gt;E assim a gente não sai&lt;br /&gt;que esse sofá tá bom demais!&lt;br /&gt;Deixa o verão pra mais tarde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uh ah ãã aeãeã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu digo cá entre nós&lt;br /&gt;deixa o verão pra mais tarde...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uh ah ãã aeãeã&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-116294777515431039?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/116294777515431039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=116294777515431039&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116294777515431039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/116294777515431039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/11/depois.html' title='depois...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115994102235126085</id><published>2006-10-04T02:46:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T01:26:29.660-03:00</updated><title type='text'>Ester me convidou...</title><content type='html'>Eu não tinha como dizer não. Ester me ligou na sexta de tarde e foi ditando o endereço por telefone. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ É na Glória. Na mesma rua da Termas Rio. Mas avisa ao taxista que o bar fica na esquina da via da Termas com outra pequenininha, paralela àquela dos travestis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o endereço veio assim, sem nenhum nome de rua, mas cheio de indicações inconfundíveis, inesquecíveis. E, enquanto ela falava, eu ficava pensando o que afinal de contas a Ester ia fazer lá. Ester. Aquela que aluga uma van toda vez que o Miguel Falabella estréia peça nova no Shopping da Gávea. Lembra? Pois, então. Fui. Com todas as direções na cabeça e um papelzinho com o nome do bar escrito em caneta Bic azul royal: Beco do Rato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que tive vergonha do motorista. Não sou uma senhora tão moderna assim. E, antes de sair despejando as diretrizes, falei que ia a um samba num barzinho. Que era convite de uma amiga antiga e querida. E, mal as palavras saíram da boca, senti mais vergonha ainda de ter dado explicações. Não dava mais pra engoli-las de volta. Já tinham ido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi fácil de achar. Dizem que o lugar tá famoso. Que nas quintas de noite vira cinema, com tela ao ar livre. Mas eu, que (repito) não sou moderna, desconhecia. No dia em que fui não tinha cinema. Era carnaval. As pessoas lotavam a rua e um monte de mesinhas, decoradas com garrafas de cerveja, completavam o espaço. Num cantinho, na frente de uma parede com pôsteres de uma seleção brasileira das antigas, um grupo tocava samba. E foi bonito de ver. Pelé comemorava um gol lá atrás, na foto de um cartaz, com Garrincha ao fundo correndo pro abraço, e todo mundo cantava e acompanhava a música com palmas. Cada letra triste que só, mas o ritmo era alegre e enquanto o cantor ia desfiando amarguras, amores não concretizados, paixões interrompidas, a gente ria e dançava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juro que sambei. Sem quase mexer os pés, se isso é possível. Rebolando desengonçada. Esquecida de quem quer que estivesse à volta. Ester era só sorrisos. Está namorando um compositor agora, ou coisa parecida, mas me fez jurar que não contava a história pra ninguém. Calo, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, vi uma menina cheia de piercings e cabelo picotado. Na blusa preta, uma estampa com o cartaz do filme Jules e Jim. Os três personagens correndo sorridentes. Em cima da foto uma frase dizia que nada é perfeito e outra completava com um nada é eterno. Depois de três copos de cerveja (tá... Tá certo. Talvez um pouco mais) achei que fazia todo sentido. Que era assim mesmo. E era bonito que fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui embora prometendo voltar. No dia seguinte, contei a história pro Zé, meu porteiro. Ele ouviu desconfiado, analisando minha figura em pé, segurando a coleira da Juma com a pontinha dos dedos. Disse que ia. Que um dia pisava por lá. Mas deve ter achado que a idade, enfim, anda fazendo efeito por aqui. Quem sabe? Talvez esteja.&lt;br /&gt;                                                 Até,&lt;br /&gt;                                                     M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115994102235126085?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115994102235126085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115994102235126085&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115994102235126085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115994102235126085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/10/ester-me-convidou.html' title='Ester me convidou...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115773420200185098</id><published>2006-09-08T13:46:00.000-03:00</published><updated>2006-09-08T13:50:02.023-03:00</updated><title type='text'>entre quatro paredes</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cerca de um mês, Marisa Monte solta a voz na minha vitrola (sim, sou antiga e, mesmo com estas bolachas prateadas, na minha casa o aparelho de som vai sempre se chamar vitrola). Abro a porta do quarto de manhã e uma voz afinada começa a cantar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu só não te convido pra dançar&lt;br /&gt;Porque eu quero encontrar com você em particular&lt;br /&gt;Há tempos tento encontrar um bom momento&lt;br /&gt;Alguma ocasião propícia&lt;br /&gt;Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus&lt;br /&gt;Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Procuro explicar o meu sentimento&lt;br /&gt;E só consigo encontrar&lt;br /&gt;Palavras que não existem no dicionário&lt;br /&gt;Você podia entender meu vocabulário&lt;br /&gt;Decifrar meus sinais, seria bom&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu só não te convido pra dançar&lt;br /&gt;Porque o assunto que eu quero contigo é em particular&lt;br /&gt;Há tempos tento encontrar um bom momento&lt;br /&gt;Alguma ocasião propícia&lt;br /&gt;Pra que eu possa pegar sua mão, olhar nos olhos teus&lt;br /&gt;Seria bom, quatro paredes, eu, você e Deus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantarolo outro som, finjo que não escuto, mas Marisa não desiste. Some por uns dias e, numa manhã inesperada, lá está ela de novo, martelando com voz potente minha cabeça. Hoje acordei e botei o disco bem alto. Estou dançando pela sala, Juma me acompanha aos saltos. Não me interrompa, por favor. É, por enquanto... só por enquanto... amanhã, quem sabe, consigo encher os ouvidos de algodão novamente.&lt;br /&gt;                                              Até,&lt;br /&gt;                                                  M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115773420200185098?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115773420200185098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115773420200185098&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115773420200185098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115773420200185098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/09/entre-quatro-paredes.html' title='entre quatro paredes'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115603309594195314</id><published>2006-08-19T21:14:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T21:18:15.953-03:00</updated><title type='text'>receita de peixe</title><content type='html'>Há mulheres que dizem:&lt;br /&gt;Meu marido, se quiser pescar, pesque,&lt;br /&gt;mas que limpe os peixes.&lt;br /&gt;Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,&lt;br /&gt;ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.&lt;br /&gt;É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,&lt;br /&gt;de vez em quando os cotovelos se esbarram,&lt;br /&gt;ele fala coisas como "este foi difícil"&lt;br /&gt;"prateou no ar dando rabanadas"&lt;br /&gt;e faz o gesto com a mão.&lt;br /&gt;O silêncio de quando nos vimos a primeira vez&lt;br /&gt;atravessa a cozinha como um rio profundo.&lt;br /&gt;Por fim, os peixes na travessa,&lt;br /&gt;vamos dormir.&lt;br /&gt;Coisas prateadas espocam:&lt;br /&gt;somos noivo e noiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adélia Prado estava no palco declamando poemas, contando histórias. Lembrou do passado. De uma vez que foi na TV ler um poema sobre um casal e recebeu uma carta indignada de uma professora, chamando de machismo a história de uma mulher que levantava no meio da noite só para limpar os peixes que o marido trazia da pesca. Quer dizer que devemos voltar ao século passado? Servir aos homens sempre? E Adélia lá, rindo da lembrança. Achando graça de tudo.&lt;br /&gt;Não acompanhei a risada. Bati na testa. Anta! Eu seria capaz de fazer um comentário desses. Não em relação ao machismo. Mas era capaz de ler um poema bonito que nem aquele e interpretar com meus preconceitos. E lembrei de quando li uma entrevista sobre ela numa revista literária. Numa das perguntas, dizia que era católica praticante e o repórter ainda reforçava o quanto sua obra falava de Deus. E eu criei este rótulo estúpido. Adélia para mim passou a ser sinônimo de quem propaga em seus versos sua religiosidade. Quanta ignorância... Não que eu não tenha a minha, mas implico com quem estampa na camisa suas crenças. Com esta idéia na cabeça, não quis ler mais poema nenhum. E ali estava eu na Flip, tão encantada com a pessoa, tão emocionada com a obra e em como ela conseguia ressaltar a beleza do cotidiano, da vida, da convivência. &lt;br /&gt;“Só as pessoas equivocadas quanto à natureza do fato literário repudiam um livro por sua casuística religiosa. O enredo ou tema de um livro não é o que o torna bom ou mau. Seu valor e desvalor têm a ver com a “forma”, apenas”, dizia Adélia na entrevista. Enxugando os olhos depois de ouvir seus versos, tive que concordar plenamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115603309594195314?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115603309594195314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115603309594195314&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115603309594195314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115603309594195314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/08/receita-de-peixe.html' title='receita de peixe'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115560934158944810</id><published>2006-08-14T23:31:00.000-03:00</published><updated>2006-08-14T23:35:41.670-03:00</updated><title type='text'>eu queria uma máquina fotográfica</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que quisesse, não conseguia ficar sozinha em Paraty. Na sexta de noite, encontrei Ester. Ela me viu de longe e veio de braços abertos por quase um quarteirão me encontrar. Como resistir?&lt;br /&gt; _ Magnólia, quanto tempo? Te vi ontem passando e agora na Praça sozinha. Você veio só? Nada disso! Trate de se juntar a nós.&lt;br /&gt; E me chamou para jantar com um grupo grande: dois casais de São Paulo, um namorado fotógrafo e uma penca de filhos. Tantos que não consegui fazer a ligação dos jovens com os adultos. Foi agradável. Vinho, boa comida e conversa idem. Mas, quando acabou, senti alívio em me ver só novamente.&lt;br /&gt; A verdade é que gosto desta sensação de estar comigo quando viajo. De sentar numa daquelas mesinhas que eles montam no meio da rua e ficar observando as pessoas, o jeito de andar de cada um, como seguram as mãos uns dos outros. Fico feliz em ver que as minhas estão soltas. &lt;br /&gt; E o ambiente é sempre tão cheio de detalhes, que chamam a minha atenção e me prendem por longos minutos, horas até. No sábado de tarde, sentei numa creperia e me peguei vendo as flores que crescem junto ao muro das casas. Nunca tinha notado. Coloridas, delicadas, nascendo do chão de pedras. Queria uma máquina fotográfica para registrar o momento. Mas sempre esqueço. E fiz força com os olhos pra fixar o enquadramento. Fiquei olhando fixo, até a vista ficar embaçada. Não queira esquecer aquela imagem.&lt;br /&gt; E Paraty ainda é cheia daqueles caroços que cobrem todo o centro histórico. Com um grupo de amigos, em plena Flip, me sentiria exausta. Uma série de palestras, apresentações pelas ruas e uma cidade que exige o seu olhar a todo instante. Não é daquelas de asfalto lisinho. Você passa serelepe, sem nem se tocar por onde anda. É preciso prestar atenção. Um calçamento que freia os meus passos e me obriga a seguir o ritmo da cidade, a sua moda. Querer correr por suas ruas é o mesmo que passar a viagem com os joelhos ralados. Os saltos que insistem em pisar por ali quebram longo nas primeiras voltas. Por lá, os sapatos são baixos, as pessoas precisam andar lento e prestar atenção por onde pisam. Como dividir isso tudo com mais um grupo de amigos? É demais para uma senhora da minha idade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprei muitos ingressos, assisti a nove palestras. O bom é que sempre descubro escritores. Nomes que vejo nos suplementos literários, nas estantes das livrarias, mas nunca leio. Por ali, os autores se revezam, lendo trechos de seus livros e falando sobre suas obras. Meu impulso é sair dos debates e ir direto comprar um exemplar. Acho sempre que devem ser ótimos. Mas o orçamento me freia e eu só anoto os nomes num caderninho que depois, eu sei, vou largar numa gaveta. Desta vez, tinham alguns tão jovens, tão talentosos, falando de recantos que eu só leio no jornal, vejo na Internet, sei que existem e só. E eles lá, com tão pouca idade e querendo descobrir o mundo.  E eu, com tanta coisa aqui dentro que, mesmo idosa, ainda não consegui olhar pra fora...&lt;br /&gt;                                  Até,&lt;br /&gt;                                     M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115560934158944810?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115560934158944810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115560934158944810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115560934158944810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115560934158944810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/08/eu-queria-uma-mquina-fotogrfica.html' title='eu queria uma máquina fotográfica'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115552396098158294</id><published>2006-08-13T23:47:00.000-03:00</published><updated>2006-08-13T23:57:34.443-03:00</updated><title type='text'>Flip</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Achei que ainda era jovem. E na quinta de tarde, lá estava eu descendo de um ônibus na rodoviária de Paraty. Duas mochilas nas costas e um mapa, desses de Internet, explicando como chegar na pousada que eu tinha reservado. Flip, né? Não dava para faltar. &lt;br /&gt;Desci feliz, animada, ignorando o peso em cima dos ombros. Respirando fundo e achando tão bom esta história de estar sozinha. Uma liberdade boa. Pela primeira vez, ia poder assistir ao que quisesse. Uma palestra, duas, quinze, sem nem um resmungo ou um olhar torto na minha direção. Mostrei o papelzinho para o primeiro jornaleiro que avistei. Os olhos do rapaz analisaram o desenho, passaram para mim e se demoraram, percebi, nas malas que estavam nas costas:&lt;br /&gt;- A senhora vai a pé?&lt;br /&gt;Ia. E ele me explicou que eram, para um jovem (não o meu caso), de passos largos (também não), com muita disposição (idem, idem), mais ou menos uns vinte minutos de caminhada. Achei que os paratienses deviam ser exagerados. No mapa parecia tudo tão pertinho... Quem mora em cidade pequena deve ter outras referências e achar que ali na esquina já é uma distância pra lá de grande. Estou acostumada a andar. Gosto de caminhadas longas. Eram cinco e meia e eu não tinha pressa. Parei para tomar um café, segui para a Tenda dos Autores. Peguei um programa das palestras, sorri para rostos conhecidos, perdi tempo olhando um grupo de ciranda no meio da praça. Delícia. E lá fui eu, já um pouco incomodada com as malas, deixar o peso na pousada, disposta a assistir a palestra das 19h.&lt;br /&gt;E os pés foram andando, andando, andando e o desenho, que no papel parecia tão miudinho, tudo pertinho, foi espichando de uma forma impressionante.&lt;br /&gt;- Ih, ainda falta. A senhora tem certeza de que vai caminhando?&lt;br /&gt;E lá ia eu.&lt;br /&gt;- Tem um trechão sem luz na rua. Mas...&lt;br /&gt;E eu continuava. E a noite chegou. E passei por um trecho meio escuro. Achei que era o tal. Moleza. Pedaço em penumbra, que já se via luz adiante. Há! Fácil! Essa moça não sabe o que é escuro! &lt;br /&gt;E fui, fui, fui. Andando, andando, andando. E vi, mais na frente, outro trechinho sem luz. Um pouco maior. Devia ser aquele, então. &lt;br /&gt;Não era. De repente, veio uma curva e não se via mais nada. Nada mesmo. Olhava para os meus pés e eles estavam perdidos no preto. Ouvia algumas bicicletas passando. Só o barulho. Alguém abriu um celular e apareceu uma luz azulada flutuando no espaço. Breu. Mato e estrada. Um carro passando vez ou outra. Me imaginei nas páginas policiais do dia seguinte. Ou atropelada por um carro desavisado. Fiquei em pânico.  Se fosse filme americano, neste momento, um rapaz passaria do meu lado sorrindo, pegaria na minha mão, levaria as malas e, quando chegasse na porta do hotel, eu ia olhar pro lado e ver que não tinha ninguém. &lt;br /&gt;De repente, a solidão, tão boa, tão libertadora, me pareceu perigosa. Pensei em ligar pra você até. Se acontecesse alguma coisa comigo, pelo menos alguém ia saber onde eu tinha sumido. Não liguei. Não apareceu menino-espírito-bonzinho pra me acompanhar, nem um carro para dar carona. Mas eu cheguei. Uma hora depois. &lt;br /&gt;Na piscina, Uzondinma Iweala e o irmão, Okechukwu, opinavam sobre como o artista, para escrever algo de qualidade, precisa deixar o seu mundinho confortável e olhar para o outro. Adélia Prado caminhava mirando florzinhas no chão e Ali Smith conversava com a namorada sobre a programação do dia. Essa parte dos autores eu inventei, é claro! :-) &lt;br /&gt;Mas a pousada era boa. E a promessa das palestras, da movimentação na cidade, dos dias de descanso me animaram novamente. E esse era só o primeiro dia...&lt;br /&gt;                                                      Até,&lt;br /&gt;                                                         M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115552396098158294?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115552396098158294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115552396098158294&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115552396098158294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115552396098158294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/08/flip.html' title='Flip'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115325161075855538</id><published>2006-07-18T16:38:00.000-03:00</published><updated>2006-07-19T10:42:30.420-03:00</updated><title type='text'>E, de repente... a luz!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/6794/391/1600/vela.1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/6794/391/320/vela.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que, quando visitei meu apartamento pela primeira vez, o teto altíssimo me chamou atenção. Achei lindo. Arejado. Espaço sobrando de monte. Seu Zé ainda ressaltou:&lt;br /&gt;_ São três metros! Apartamento antigo é assim mesmo. &lt;br /&gt;E abriu um sorriso largo, como se o vão livre fosse a maior das qualidades. Não era, mas fiquei encantada com o pé-direito, as janelas de madeira, a luz que entrava de manhã pela sala... Tudo bom. Aluguei. &lt;br /&gt;Até que, num dia de noite, fui acender a luz do banheiro e ela queimou. Olhei a lâmpada lá em cima, sozinha, pequenininha, grudada no teto, que, neste momento, me pareceu ainda mais alto. &lt;br /&gt;Achei que o melhor era pensar no assunto no dia seguinte. E ele passou e mais outro e outro e outro. Meus olhos já estavam acostumados à penumbra, quando, numa sexta de noite, cheguei em casa, toquei o interruptor do corredor e... pif... outra luz sumindo. &lt;br /&gt;Queimada. Sem luz no corredor! Sem luz no banheiro! Desci até a portaria e peguei a escada emprestada. Era hoje! Nem mais um dia. O problema seria resolvido.  Subi até o último degrau, braço esticado e... Nada. A lâmpada queimada continuou lá em cima. Inatingível. Impossível de tocar!!!!! &lt;br /&gt;Como viviam os vizinhos? Eram todos gigantes? Andavam com velas pelos cômodos? Já tinha notado que, de noite, a maioria das janelas ficava apagada, mas achava que os moradores tinham saído. Agora sabia da verdade. Nada. Deviam estar dormindo. Sem luz, mal o sol baixava e se enfiavam embaixo das cobertas.&lt;br /&gt; Ontem, não agüentei mais. Pedi ajuda. &lt;br /&gt;_ Seu Zéééééééééééééé!&lt;br /&gt;Ele subiu com uma escada enorme, muito maior do que a primeira. Trocou tudo em dez minutos. É... Acho que, por enquanto, vou continuar podendo dormir tarde...&lt;br /&gt;                                                           Até,&lt;br /&gt;                                                               M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115325161075855538?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115325161075855538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115325161075855538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115325161075855538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115325161075855538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/07/e-de-repente-luz.html' title='E, de repente... a luz!'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-115068586680516392</id><published>2006-06-18T23:54:00.000-03:00</published><updated>2006-07-18T14:58:49.603-03:00</updated><title type='text'>verde-amarelo-azul-e-branco</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei como andam os franceses quando a bola começa a rolar nos campos da Alemanha, mas, por aqui, em dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, ninguém faz nada. Os estabelecimentos costumam fechar duas horas antes da partida, mas isso não quer dizer que os funcionários tenham ido trabalhar de manhã. Experimente comprar uma caixinha de fósforos num dia de jogo pra ver. &lt;br /&gt;No supermercado, estão todos uniformizados. Não com a roupa da empresa, mas com a blusa da seleção. E é bem capaz de você pagar três vezes o preço, porque a atendente registrou o número errado. Ou sair com três sacolas de compras que nem eram suas. Os corpos estão lá, é verdade, exercendo as tarefas do dia.  Mas a cabeça, a alma e sei lá mais o que já estão longe, comendo pipoca na frente de alguma TV, esperando o Ronaldinho cantar o hino nacional num gramado alemão.  &lt;br /&gt;   Fiz o mesmo. Sem me dar conta estava com a Juma fazendo uma tigela de pipoca ligth, me vestindo de verde e amarelo dos pés a cabeça e gritando BRASIL, empolgada, toda vez que um vizinho assoprava numa corneta de plástico e um som grave, irritante, invadia todo o prédio. TOOOOOOOOOOOOMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM&lt;br /&gt;   Pendurei uma bandeira enorme na janela e acompanhei atenta cada passe. Gol! Tooommm! Pulinhos de alegria. Grande Adriano!!! Fred entrou em campo e fez o segundo do Brasil!!!! Fred? Quem era esse mesmo? Não importa. Mais Toooommmm. Mais festa!!! Sorrisos e fogos de artifício espocando no céu, para desespero da Juma.&lt;br /&gt;   O jogo acabou. Satisfeita com a vitória tirei minha blusa da seleção e botei um vestido marrom para caminhar na praia. Enrolei a bandeira e arrumei os móveis novamente. Acabou  o meu espetáculo de patriotismo. Quinta-feira tem mais.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;   Lamentei a morte do Bussunda. Disseram que ele era a cara do Brasil. O que será isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                    Até,&lt;br /&gt;                                                        M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-115068586680516392?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/115068586680516392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=115068586680516392&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115068586680516392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/115068586680516392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/06/verde-amarelo-azul-e-branco.html' title='verde-amarelo-azul-e-branco'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114834783889517003</id><published>2006-05-22T22:21:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T22:41:39.580-03:00</updated><title type='text'>mi casa, su casa</title><content type='html'>Querido F., &lt;br /&gt;Foi de madrugada. E a minha televisão de repente ficou preta-e-branca. Laura Cardoso circulava por um apartamento, suspirando de saudades da Espanha natal, sentindo ainda o cheiro da casa distante. Na sua sala, uma TV também sintonizada e o rosto do ex-presidente Collor, anunciando um plano econômico que acabaria com a poupança de muita gente. Lá, junto com o dinheiro perdido, ia o sonho da viagem. &lt;br /&gt;    E me lembrei de quando você arrumou as malas para Paris. Tava frio no Rio e cê chegou lá em casa com uma pilha de guias turísticos, pra gente traçar o roteiro dos primeiros dias na França. E a hora da partida chegou e durante uma semana, duas, não me lembro mais quantas, acordei de noite sobressaltada com um cheiro de cigarro forte pelos cantos. Não fumo, não guardo cinzeiros usados e uma faxineira vinha toda semana esfregar paredes e piso. Não adiantava.  Era como se, todo dia de noite, você aparecesse novamente na sala, com a pilha de guias, as folhas marcadas com pequenos papéis coloridos. Meses depois, me ligou com voz chorosa. O Louvre era lindo; as aulas na universidade, ótimas; uma namorada nova preenchia as noites. Mas tinha um vazio não sei onde. Uma vontade de casa. &lt;br /&gt;     E na tela da TV, no momento mesmo em que recordei desta cena, Fernanda Torres apareceu jovem, com os cabelos voando, caminhando pelas ruas de Lisboa e lamentando o sotaque que saía pela boca dos outros e os acentos desencontrados que os outros escutavam da sua. Estrangeira. Não adiantava falar a mesma língua. Lá estava o sotaque. Com residência, trabalho, amigo e, mesmo assim, estrangeira. A casa ficava onde? Onde estava o seu lugar? &lt;br /&gt;     E me senti um pouco como Fernanda. Passeio pelas ruas do Rio e sinto falta da Petrópolis da infância, de uma inocência que eu achava que existia atrás das janelas de madeira. Mas quando volto pra visitar um parente, não me encaixo mais. Fiquei no meio. Sou a própria Rio-Petrópolis. Uma mistura de menina de interior com senhora de cidade grande e, nunca mais. Digo. Nunca uma coisa só. Sempre vazio. &lt;br /&gt;     É como uma visita pelos corredores do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. A árvore da língua, o jogo que mostra influências e origens das palavras que falamos hoje. Uma mistura do que diziam os índios, os escravos, os portugueses. Nem mais uma coisa, nem outra. Uma transformação sem retorno. Uma língua que viaja, como as pessoas, e nunca mais é a mesma.&lt;br /&gt;     E enquanto Fernanda dirigia desesperada em direção à fronteira, olhando de esguelha pra um navio parado que leva pra longe, junto cenas do passado na cabeça. Penso na palavra casa e não aparecem ruas, residências, paisagens. Vejo encontros com amigos, natais em família, pessoas, pessoas, pessoas. E penso que, se pudesse reunir todos numa cena só, todos os VIPs da minha vida num único encontro, resolveria o meu problema. Só assim.&lt;br /&gt;                                  Até,&lt;br /&gt;                                     M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114834783889517003?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114834783889517003/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114834783889517003&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114834783889517003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114834783889517003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/05/mi-casa-su-casa.html' title='mi casa, su casa'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114647705988269251</id><published>2006-05-01T06:49:00.000-03:00</published><updated>2006-05-01T06:50:59.896-03:00</updated><title type='text'>o ataque das formigas gigantes...</title><content type='html'>Acho que fui envenenada... O caso é que minha casa foi invadida por formigas gigantes. Enormes. Inacreditavelmente grandes. Nunca imaginei que pudessem existir formigas assim. Elas vêm atrás da ração da Juma e saem, uma a uma, carregando os grãos pela cozinha. Juro! Sem exageros. Passam por embaixo da porta e se metem sei lá onde, engordando a pança com a ração da minha cachorrinha. Estão, a cada dia, em maior número. No começo eram só umas poucas, grandes, sempre enormes. E eu achava até bonitinho. Ficava com pena de matar. Devia ser grande o esforço pra carregar a ração pela cabeça. &lt;br /&gt;Mas agora elas vêm aos montes. E já vejo pequenininhas no meio. Acho que procriaram. Eu e a Pedigree estamos ajudando a alimentar uma família inteira de insetos. Por mais que eu saia como uma louca, pisando com meu chinelo pelos cantos, gritando: Morram! Morram! Sem piedade por carregarem migalhas ou grãos inteiros de ração. Não adianta. Elas resistem! Não devem ser daqui. &lt;br /&gt;Fui reclamar com o porteiro. Não era possível. Em algum lugar do prédio elas deviam morar. Qualquer dia desses, acordava e encontrava umas quatro na minha cama, dividindo o travesseiro comigo. E lá veio ele com um saquinho lacrado, cheio de grãos verdes no interior. E explicou direitinho: era pra eu isolar a área, prender a Juma e espalhar o granulado pelo chão da cozinha. As dita-cujas iam levando as pedrinhas, como faziam com a ração, e morreriam todas dentro da própria casa. Cruel. Mas, lembrando da cozinha ocupada por elas, resolvi levar o remédio. &lt;br /&gt;Deixei o saquinho no tanque para ler melhor depois. Lavei a mão de leve, repito, de levinho, sem muitas esfregações e comecei a escovar os dentes para dormir. Fio dental, dedos passeando pela boca, escova, pasta, líquido verdinho para, segundo o comercial, exterminar as placas e sei lá mais o quê. E, quando terminei a operação, me toquei: peguei o saquinho com as tais pedras verdes!!!!!! Tomei um copo de leite (dizem que é bom! Corta o efeito!), peguei uma revista pra distrair a cabeça e comecei a ler: Angélica clicando o Luciano Huck numa cachoeira. Ele só de sunga (até que é bonitinho). Meninas com vestidos esquisitos tentando convencer as leitoras de que dá pra sair na rua daquele jeito. Uma receita pra deixar o cabelo bonito e brilhoso.... e, de repente, nem conseguia mais engolir direito. A boca seca, incrivelmente seca! Fui até a cozinha, despejei um copo inteiro de água. Nada. E, daqui a pouco, não era mais só a boca, mais a garganta inteira. Seca, seca, seca! Entrei na cozinha e fiquei olhando atenta para elas. Pareciam alegres, como nunca, passeando pelos cantos. Tomando conta da casa. Acho que me envenenaram. Vou tentar dormir. Talvez seja impressão. Se não escrever amanhã, telefone pra minha casa.&lt;br /&gt;Até,&lt;br /&gt;M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114647705988269251?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114647705988269251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114647705988269251&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114647705988269251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114647705988269251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/05/o-ataque-das-formigas-gigantes.html' title='o ataque das formigas gigantes...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114343020580446315</id><published>2006-03-27T00:26:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T22:54:09.586-03:00</updated><title type='text'>Tudo e nada</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;... não se avexe não. amanhã pode acontecer tudo, inclusive nada... A música vinha da vitrola do vizinho, que chegou de férias hoje de manhã com a família. Sim. Eles ainda têm vitrola, com uma pilha de discos de vinil de cobrir uma estante do chão ao teto. E, quando a agulha toca cada um deles, um som cheio de um ruído reconfortante entra aqui dentro de casa. E vai invadindo cada cômodo, até chegar em mim e me encher de uma saudade danada.&lt;br /&gt;E é só fechar os olhos para me ver de manhã, abrindo uma janela de madeira com a pintura descascada. Do outro lado da rua, uma fileira de casas coloridas. No meio, um risco de terra batida para servir de passagem pros carros. E, quando alguém dizia Centro, tava falando das ruas casadas de Petrópolis. História significava andar de pantufas pelos corredores do Museu Imperial ou subir no ziguezague da escada espremida da casa de Santos Dummont. &lt;br /&gt;De tarde tinha bolo de fubá, brigadeiro de colher, queijo-quente com um queijo amarelo escorrendo pelos lados, de fazer qualquer médico de hoje arregalar os olhos. E a diversão era apoiar os cotovelos na janela e fingir que via os passantes, enquanto o pensamento ia longe, num futuro movimentado e cheio de gente. Uma gente que fazia tanta, mas tanta coisa, que o dia pra eles era apertado. O meu, sobrava pelos cantos. &lt;br /&gt;E diziam que em Copacabana dava pra ir andando até o mar. Os turista desfilavam no calçadão. E era esta mesma calçada, exatamente a mesma, que falava inglês de dia e virava cama de noite pruma penca de pessoas sem teto. Rua e casa num mesmo lugar. Prédio com escritórios e consultórios e outros com apartamentos para famílias inteiras, pras pessoas morarem e fazerem tudo a pé, resolvendo qualquer história, das mais cabeludas às mais sem importância, numa caminhada de dez minutinhos. E era lá que eu queria estar. Onde as coisas aconteciam. Onde, numa virada de olho, eu podia ver como andava o mundo. &lt;br /&gt;E era pensamento de menina de treze anos, num fim de tarde de uma rua parada do interior, do interior, do interior de Petrópolis. Mas é claro que as idéias vinham junto com a lembrança do João na sala de aula, do professor de português, dos deveres de casa, da fofoca da Marina, da pipoca quente e do filme da sessão da tarde.&lt;br /&gt;E eu vim. E um dia descobri que o supermercado da esquina tava com uma promoção para o iogurte Danone. Num outro, cheguei podre do trabalho e fui dormir sem jantar. Descobri, num sábado de tarde, que ir ao cinema de Havaianas tava na moda e fumaça de cigarro tinha virado sinônimo da falta de educação (era um charme na minha época!). Numa quarta, me apaixonei por um menino bonito, de sorriso largo. Num domingo, passei uma tarde chuvosa inteirinha lendo em casa. E conheci você F. e ganhei a Juma e fiquei amiga da Irene.  Pintei o cabelo de louro e as unhas do pé de vermelho em janeiro. Um dia de manhã, fui na esquina comprar os jornais e vi um homem atropelado. E acordei no meio da noite com o barulho de tiros, mas descobri, pouco depois, que era sonho. E tantas vezes arrumei as malas para conhecer como viviam os outros, nos outros lugares. Numa sucessão de segundos, minutos e horas, que, todos juntos, formaram 52 anos...não se avexe não. amanh&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114343020580446315?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114343020580446315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114343020580446315&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114343020580446315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114343020580446315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/03/tudo-e-nada.html' title='Tudo e nada'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114299663123552704</id><published>2006-03-21T23:58:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T22:53:26.440-03:00</updated><title type='text'>Terezinha...</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Tem tempo. É... bastante tempo. Mas sempre me lembro desta história. Hoje, me veio de novo, enquanto a televisão mostrava um filme choroso na sessão da tarde. Foi durante uma festa de casamento em Paraty. As madrinhas saindo da igreja com os sapatos na mão, porque nenhuma tinha levado muito a sério esta história de calçamento em pé-de-moleque e todas tinham teimado que conseguiam se equilibrar em saltos, mesmo com o alto e baixo das pedras. E fomos todos para um restaurante, sem os sapatos mesmo, porque ninguém ligou de calçar os saltos depois, quando os pés já pisavam em tábuas de madeira. &lt;br /&gt;Uma bandinha tocava músicas alegres e pratos saíam da cozinha para as mesas, com uma fumacinha de quentura em cima de cada um deles. Fiquei debruçada pela janela, olhando espantada para aquela cidade que parecia cenário de novela. Uma corrente separava uma teia de ruas de terra batida e casas sem graça, de um trecho com casario antigo e preservado, chão ondulado de pedrinhas e cheiro de mar pelos cantos. Sinhá Moça poderia bem virar uma esquina daquelas, mas quem me encarava era um senhor arrumado, de seus mais de setenta, parado na rua, de frente pra festa. &lt;br /&gt;- O que tá acontecendo aí dentro? Moro aqui na cidade... Fiquei querendo saber o que era...&lt;br /&gt;- É um casamento. Da Rose e do César.&lt;br /&gt;E a resposta não pareceu suficiente, porque o olhar continuou em mim. E achei que ele queria era saber quem era a Rose e como ela e o César tinham se conhecido e alguma coisa assim, mas só depois notei que a comemoração lá dentro não era o motivo, mas o pretexto.&lt;br /&gt;- Você se parece muito com uma ex-namorada minha: a Terezinha... foi o amor da minha vida....Se tivesse a sua idade, ia querer namorar você.&lt;br /&gt;E as mãos enrugadas tocaram as minhas. E ele sorriu. Disse que era bonito o que via e foi embora. Ri de volta, achei engraçado, aliás, engraçadíssimo. Comentei com os presentes. Mas por dentro me perguntava porque afinal de contas ele tinha deixado a Terezinha ir embora. Não era o tal amor da vida dele?&lt;br /&gt;E até hoje encasqueto nesta cena. E me pergunto se é só depois, lá pelo fim da vida, que descobrimos quem foi o tal do amor importante? E fico achando que, se é que ele existe (e logo decido tirar o se da frase, porque deve mesmo existir. Talvez não O, mas UM importante), muita gente deve ter deixado ele passar. Num surto de racionalidade, de emoções pensadas, motivos pesados, deixar a pessoa se perder pela vida, contando que talvez o futuro pudesse juntar novamente. E fico pensando que talvez o tal do amor não tenha nada a ver com uma história comprida, mas com um sentimento forte, que a gente fingiu que não viu e seguiu adiante, achando que era o certo a fazer no momento. E que isso não tem nada a ver com pessoas casadas e romantismo em excesso também, mas com histórias que precisavam ser vividas e foram deixadas pra trás. &lt;br /&gt;E, hoje, tantos e tantos anos depois, no meio das lágrimas por causa de um filme bobo e sem graça, lá estava eu neste caso novamente. Terezinha. Olhei pra trás e fiquei tentando achar o meu no meio de tantas histórias vividas. Não consegui. Ou fingi que não vi mais uma vez. Talvez ainda precise de mais alguns anos. Talvez, talvez, talvez...    &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;                                             Até,&lt;br /&gt;                                                 M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114299663123552704?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114299663123552704/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114299663123552704&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114299663123552704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114299663123552704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/03/terezinha.html' title='Terezinha...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114210003277511348</id><published>2006-03-11T14:57:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T22:49:41.386-03:00</updated><title type='text'>Alguma coisa acontece...</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Meu vizinho assina o Estado de São Paulo. A família deve estar viajando, porque a pilha aumenta cada vez mais ao longo da semana. Tenho pena. Desperdício aquele monte de informação amontoada, pronta para ser jogada fora. Não acredito que alguém chegue disposto a ler aquela montoeira toda depois de uma semana de férias onde quer que seja. Então, resolvi pegar um exemplar ou outro para dar uma espiada. Coisa rápida. Depois eu coloco tudo de volta naquela torre de papel. Foi assim que me deparei com um encarte inteiro dedicado à Bienal do Livro de São Paulo. &lt;br /&gt;Não gosto muito de bienais. Elas servem pra você fazer compras, voltar cheia de sacolas com livros em desconto. As palestras são tão disputadas que é preciso passar horas na fila para avistar, de um canto espremido, uma personalidade das letras falando de um assunto qualquer. Cortei as tais da minha vida. A Flip é a única festa literária que não falto. Vou feliz para Paraty todos os anos. Mas acontece que, desta vez, movida pela desculpa do encarte, fiquei tentada. Arrumei uma mala pequena, dois dias só, deixei Juma aos cuidados do porteiro, e lá fui eu.  &lt;br /&gt;Minhas sandálias percorreram grande parte dos vinte mil metros quadrados descritos no jornal. Não me pareceram tanto assim. Estandes e mais estandes com livros empilhados. Comprei vários. Impossível resistir a um exemplar de “Grande Sertão: Veredas” com 40% de desconto. O título está completando 50 anos e nunca esteve na minha prateleira até então. Tava na hora. &lt;br /&gt;Saí feliz do Anhembi. Mas o contentamento acabou na mesma hora em que entrei no táxi. Cidade espalhada é São Paulo. Me sinto pequena, perdida naquele monte de ruas e prédios sem sentido, intermináveis. Os restaurantes podem ser maravilhosos, a comida deliciosa, as lojas com roupas irresistíveis, mas tudo o que sinto quando cruzo suas ruas é vontade de ir pra casa.  Tenho a impressão de que a cidade é dividida por blocos e que cada um dos moradores só freqüenta um número limitadíssimo de quadras e ninguém se importa com o pedaço dos outros.  São Paulo me deixa com um vazio por dentro.&lt;br /&gt;Marquei a passagem para a manhã seguinte. Estava de bom tamanho e, quando o despertador tocou, levantei aos pulos. Feliz. Congonhas me pareceu acolhedor e, cada vez que Rio de Janeiro piscava nas telas de chamada, uma coisa vibrava aqui dentro. Casa. E lá fui arrastando minhas malinhas pelo saguão, uma só com livros. Na entrada para o embarque, dois taxistas descansavam do lanche observando os passantes.&lt;br /&gt;_ Essa é carioca.&lt;br /&gt;_ Do Rio?&lt;br /&gt;_ Com certeza.&lt;br /&gt;Falavam de mim e, no primeiro momento, achei que estava mal-vestida. Mas foi só olhar para os lados com mais atenção para notar que todos desfilavam casacos, calças compridas e sapatos fechados. Só eu com vestido de alça e sandália rasteira. Não adianta. Para mim, São Paulo vai ser sempre só um endereço para um compromisso marcado na agenda.&lt;br /&gt;                                                         Até,&lt;br /&gt;                                                           M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114210003277511348?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114210003277511348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114210003277511348&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114210003277511348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114210003277511348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/03/alguma-coisa-acontece.html' title='Alguma coisa acontece...'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114145448091733456</id><published>2006-03-04T03:37:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T22:50:29.783-03:00</updated><title type='text'>Bonecas russas</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Alberto me convidou para assistir a uma maratona Odeon. Não estamos mais juntos, mas, quando o amor acaba e a pessoa continua querida, conseguimos ser amigos. Claro que não agüentei os três filmes seguidos, não subi para ver o DJ tocando no segundo andar e apenas gostei de saber que, às 5h, eles servem café e bolo para os sobreviventes da noite. Com certeza, não seria uma delas. Sou uma senhora e, apesar de não dormir cedo, gosto de passar as madrugadas na minha casa. Assistimos somente à primeira sessão, “Bonecas russas”, continuação de “Albergue espanhol”, com mesmo diretor e elenco. A história fala novamente de relacionamentos. Estamos sempre a procura daquela bonequinha russa, a do miolo, a principal. Depois dela, mais nada. Acabou a busca. Encontramos o amor. Mas, surpresos, descobrimos que há sempre mais uma, numa sucessão de relacionamentos que não parece acabar nunca. Cansativo. Difícil. E lá vem Xavier aparecendo na tela, com trinta anos agora, morando de favor na casa de amigos, trabalhando em bicos a espera de uma editora que publique o seu livro, colecionando uma série de namoros que terminaram em desastre.   E as nacionalidades se misturam, as fronteiras são cruzadas com facilidade. Ele acorda em Paris, dorme em Londres, viaja para a Rússia. Os amigos vêm da Itália, Espanha, Inglaterra, França... As culturas são diferentes, os idiomas idem, mas eles se entendem, conseguem se comunicar apesar de toda a dificuldade, das muitas imperfeições e ruídos. Vão seguindo. E o irmão de Wendy supera a maior das adversidades. Trabalhando como iluminador, conhece uma bailarina de uma companhia russa de balé clássico. Ela não fala nem uma palavra de inglês, ele não entende nada de seu idioma enrolado. São só sorrisos, acenos, mímicas. O grupo vai embora, o rapaz se matricula num curso para aprender a língua. Um ano passa, até que ele a procura de novo. Acha, claro. E, sim, há um casamento. Mas será que ela é a última bonequinha russa? O tal amor verdadeiro? Aquele do para todo o sempre, até que a morte os separe e coisa e tal? O filme acaba antes de a gente descobrir se, depois da bailarina, o menino se apaixona por uma dançarina de cabaré ou uma trocadora de ônibus. Olhei para o Alberto sentado ao meu lado. Qual será o próximo?   &lt;br /&gt;                                                       Até,&lt;br /&gt;                                                            M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114145448091733456?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114145448091733456/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114145448091733456&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114145448091733456'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114145448091733456'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/03/bonecas-russas.html' title='Bonecas russas'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-114123378106658686</id><published>2006-03-01T14:19:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T22:51:09.240-03:00</updated><title type='text'>Cadê a minha Marie Claire?</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Durante todo o carnaval, recebi a assinatura da Marie Claire na porta de casa. Um rapaz louro, com cabelo de cachinhos vinha me entregar a revista todos os dias. Uma promoção para que pudéssemos conhecer a publicação e, a cada manhã, chegava uma diferente. Desta forma, li novembro, dezembro, janeiro e fevereiro em quatro dias. Hoje, quarta-feira de cinzas, preparei meu café e fiquei esperando a campainha tocar. Nada. O relógio passou das dez para as onze, pulou para o meio-dia e já vem marcando duas e meia. Nada. É claro que eu estava gostando de me espalhar no sofá e explorar outros cantos do mundo, outras histórias e fotos e mais fotos e fotos em cada página. Mas o que eu queria mesmo era ver o sorriso do rapaz pelo olho mágico, a mão estendida decorada com um anel de prata. Me apego. Sinto falta. Devia morar no interior, porque não me acostumo com o ir e vir constante da cidade grande. Fico presa aos pequenos detalhes e sofro com a falta que me fazem nos dias que seguem. Me pego imaginando por onde andam os dedos com o anel de prata pendurado, para que cantos e rostos o sorriso aparece. Sabia que era uma promoção por tempo limitado e nem por isso pensei em fechar a porta e ficar no quarto ouvindo a campainha tocar e fingir que não tinha ninguém em casa só por causa do prazo de validade tão curto. Mas uma parte de mim se espanta. Quer reter os momentos no tempo e fica imaginando o que pensava, por onde anda, que outras palavras saem daquela boca além de bom dia. A outra grita que a vida é assim mesmo. Que já estou há 52 anos por aqui e é preciso se acostumar com esta história. Juma me chama para passear. Pula de um canto para o outro com a coleira na boca. Lá fora está um sol bonito e o mormaço entra pela janela pedindo uma roupa fresca e um chapéu protegendo o rosto. Vou descer agora.     &lt;br /&gt;                                                         Até,&lt;br /&gt;                                                            M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-114123378106658686?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/114123378106658686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=114123378106658686&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114123378106658686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/114123378106658686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/03/cad-minha-marie-claire.html' title='Cadê a minha Marie Claire?'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-113934070332256855</id><published>2006-02-07T16:54:00.000-02:00</published><updated>2006-05-22T22:52:23.540-03:00</updated><title type='text'>Torta alemã</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Foi Felipe quem me apresentou à única torta alemã que faz parte do meu cardápio. O relacionamento acabou, anos se passaram e o hábito de ir na Tratoria, em Copacabana, só pensando nela, ficou. Hoje eu fui lá de novo. Sentei sozinha numa mesa, sem o menor pudor de estar desacompanhada num restaurante, depois de uma certa idade não ligamos mais pra estas coisas. Pedi um prato executivo sem muita importância, que depois da última garfada já tinha se apagado da minha memória, e acenei para o garçom atrás da sobremesa. Lá veio ela, com aquela fumacinha de gelo subindo. Vem quase como um sorvete, envolta em biscoito Maria. O creme branco não tem gosto nenhum de manteiga (garanto!) e o sabor é delicado, impossível de descrever. Em cima, uma calda de chocolate generosa, parecida com um brigadeiro puxa-puxa. Delícia! Fui comendo com calma, como criança, aproveitando cada pedacinho na colher com prazer. Raspei o prato. Pediria outra, se a balança não estivesse gritando que aquele pedaço já tinha sido uma extravagância. Saí feliz! E, como todas as vezes em que visito o restaurante, fiquei pensando que, se existe alguma boa razão para o Felipe ter passado pela minha vida, ela estava bem ali, naquela fatia de torta. &lt;br /&gt;                                                              Até,&lt;br /&gt;                                                                 M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-113934070332256855?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/113934070332256855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=113934070332256855&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113934070332256855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113934070332256855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2006/02/torta-alem.html' title='Torta alemã'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-113578168383582777</id><published>2005-12-28T12:43:00.000-02:00</published><updated>2006-05-22T22:54:50.576-03:00</updated><title type='text'>Réveillon</title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;Vou vestida de branco. E não adianta os especialistas afirmarem que o mar durante o réveillon fica carregado de energias negativas. Não acredito não. Tem um mundão de sal lá dentro prontinho pra descarregar o que está pesado demais. E eu quero as águas do mar molhando os meus tornozelos quando os relógios marcarem meia-noite. Dispenso as uvas, os pulinhos, o pé direito, a calcinha rosa e as lentilhas na mesa de jantar. Mas quero chegar em 2006 limpa, sem rancores, raivas e neuras. O branco, o mar e tudo o mais vão representar exatemente isso, pra ver se a parte de dentro aprende e cópia o que a de fora faz. &lt;br /&gt;E o mergulho virá acompanhado de uma prece.&lt;br /&gt;Feliz Ano Novo!&lt;br /&gt;                                                              Até,&lt;br /&gt;                                                                 M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-113578168383582777?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/113578168383582777/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=113578168383582777&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113578168383582777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113578168383582777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/12/rveillon.html' title='Réveillon'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-113260287330950230</id><published>2005-11-21T16:49:00.000-02:00</published><updated>2005-11-21T17:58:29.953-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Na semana passada, assisti ao filme "Cinema aspirinas e urubus". É a história de um alemão que vai para o interior do Brasil vender aspirinas, um novo e milagroso medicamento, fugir de uma guerra que tomou conta do seu país e que ele quer esquecer que existe. E de um nordestino, Ranulpho (adorei este nome! Juma corre o risco de ganhar um irmãozinho chamado Ranulph no futuro!), que quer fugir da seca e sonha com um futuro melhor no Rio. &lt;br /&gt;E me lembrei das tantas e tantas vezes em que eu arrumei as malas e saí rodando por aí. Fugindo de mim mesma, dos fracassos da vida, das cobranças, dos planos e sonhos que tinha medo de encarar. E em cada lugar que passava, em cada pessoa que conhecia, vislumbrava um futuro possível, uma história diferente que eu podia, se quisesse, escrever para mim. &lt;br /&gt;E quando começava a chover num lugar, arrumava as malas e ia pra outro. E quando chegava um grupo interessante num dia, cancelava a ida e ficava mais um pouquinho. E, às vezes, acontecia de acordar e, por alguns segundos, não me lembrar da cidade onde estava. Mas a confusão era coisa rápida. &lt;br /&gt;Sempre fui alguém de passagem. Porque, se ficasse, a vida simples e fácil, ganharia problemas. O bom era ver, conhecer, ir embora. Como quem vê a paisagem da janela de um ônibus. Saudades deste tempo...&lt;br /&gt; Hoje a Juma, de pirraça, roeu toda a minha cortina do banheiro. Se estivesse viajando, seria a cortina de um hotel de beira de estrada. Eu virava às costas, ia embora, e deixava o rombo para o próximo hóspede.&lt;br /&gt;                                                  Até,&lt;br /&gt;                                                     M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-113260287330950230?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/113260287330950230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=113260287330950230&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113260287330950230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113260287330950230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/11/querido-f_21.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-113138094693883701</id><published>2005-11-07T13:53:00.000-02:00</published><updated>2005-11-07T14:29:06.983-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Caíram gotas grossas de chuva hoje pela manhã. A água escorrendo sem parar pela minha janela. A imagem ficou toda embaçada. Borrões verdes, cinzas, coloridos lá embaixo. Me senti míope.&lt;br /&gt;Mas a verdade é que ando meio míope mesmo. Tenho medo de assumir este defeito de visão e, então, digo com absoluta certeza, convicção nas palavras, que enxergo muito bem, que o olho bom arrasta o ruim pelas costas, corrigindo pequenos deslizes de captação. Mas a verdade é que ando por aí como quem tem lágrimas nos olhos. &lt;br /&gt;E, você nem vai acreditar, mas as tais gotas escorriam às 6h30m da manhã pela vidraça. E eu que antes só me deitava quase neste horário... Agora, costumo acordar cedo, olhar para o céu bem de manhã. O sono ficou leve, leve, de repente, e eu ando achando que esta coisa de dormir é perda de tempo e tenho vontade de sair logo da cama e ganhar a rua. Tenho urgência em tudo. &lt;br /&gt;                                                     Saudades!&lt;br /&gt;                                                           Até,&lt;br /&gt;                                                             M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-113138094693883701?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/113138094693883701/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=113138094693883701&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113138094693883701'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113138094693883701'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/11/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-113033954362946534</id><published>2005-10-26T13:01:00.000-02:00</published><updated>2005-10-26T13:12:23.633-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Uma dor de garganta me pegou. Daquelas brabas, que deixam tudo vermelho e dão uma moleza no corpo que você só consegue andar se arrastando. Alberto fez um chá para mim. Juma traz cada vez um brinquedo novo para me distrair. Mas, mesmo com tanto mimo, não consigo ficar em casa. Me arrasto pelas ruas de Copacabana procurando distração. Os lugares que não saem da minha memória. Não que façam parte de forma tão forte assim do meu passado. Eu nem morava em Copa durante a infância, a adolescência e nem no início da vida adulta. Sou de Petrópolis, você bem sabe. Mas me dá uma nostalgia danada passear por estas ruas. Nostalgia dos textos da Clarice, em prédios áridos do Leme. Das histórias do Dapieve no Posto 6. Dos contos do Sérgio Santanna . Da visão profética de Rubem Braga, quando disse que Copa estava na UTI. Que seria invadida por monstros de concreto e que, por lá, a mais estranha das raças humanas ia se proliferar. &lt;br /&gt;Copa das prostitutas chorosas e das beatas madrugadoras. Das velhinhas e velhinhos andando pelas ruas com seus poodles, atropelando pedestres com seus carrinhos a motor. Do glamour do Copacabana Palace e da degradação da Princesa Isabel.&lt;br /&gt;Ando por aqui e me sinto viva. Me sinto menos sozinha, menos isolada, no turbilhão da multidão que não pára de passar. No meio de tudo o que é feio, sujo ou bonito. &lt;br /&gt;Preciso comprar um carrinho a motor.&lt;br /&gt;                                                Saudades...&lt;br /&gt;                                                      Até,&lt;br /&gt;                                                         M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-113033954362946534?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/113033954362946534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=113033954362946534&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113033954362946534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/113033954362946534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/10/querido-f_26.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-112963839212270842</id><published>2005-10-18T09:52:00.000-02:00</published><updated>2005-10-26T13:01:27.240-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Para mim, a culpa sempre foi de Shakespeare. Romeu e Julieta se conheceram, se apaixonaram, morreram por amor. E foi isso. Um amor único e verdadeiro, porque nem deu tempo da vida mostrar o contrário. E eu li a história ainda na adolescência (quantos anos já não se passaram desde então...) e acreditei que era isso mesmo. Que todo mundo tinha um só e especial amor na vida. Fiquei esperando Romeu escalar a trepadeira e subir na minha janela para um beijo de boa noite. E acho que a culpa só pode ser destes altos edifícios cariocas. Morasse eu em Verona e meu Romeu já estaria esquentando os pés no meu edredon há tempos.&lt;br /&gt;Mas hoje acordei assim, F. Pensando nesta história de amor romântico. Cheguei na sala e Alberto colocava um disco de jazz no som, baixinho, com medo de me acordar. E fiquei lembrando de quantos Romeus já passaram na minha vida. O namoro começava,eu apostava que era aquele e os dias iam, o sentimento crescia, diminuía, morria. E a vida continuava e mais dias passavam, meses talvez, e outro chegava pela porta. &lt;br /&gt;Agora Alberto está aqui. Sem cavalo branco ou escaladas noturnas. E meu coração se sente reconfortado. E dá uma paz enorme saber que ele faz parte da minha rotina. Se só agora encontrei o amor da minha vida? Hoje Romeu e Julieta é só mais uns dos livros que tenho na estante. Ainda acho bom, é verdade. Mas tenho a certeza de que a única solução possível para que o amor da dupla permanecesse eternamente lindo, foi a morte. Sábio Shakespeare. E, só agora, na casa dos cinquenta, descobri isso. &lt;br /&gt;                                                    Até,&lt;br /&gt;                                                       M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-112963839212270842?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/112963839212270842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=112963839212270842&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112963839212270842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112963839212270842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/10/querido-f_18.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-112870220731300947</id><published>2005-10-07T13:09:00.000-03:00</published><updated>2005-10-07T13:23:27.320-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Outro dia, quando escrevia uma carta pra você, me lembrei de quando aluguel meu primeiro apartamento e resolvi que ia morar sozinha. Me incomodava aquele ambiente estático. Tenho uma família grande, muitos irmãos, você sabe. E estava acostumada a deixar um pente numa mesa e, minutos depois, descobrir que ele tinha parado na bolsa de alguém. De deixar uma blusa na cadeira do quarto e, depois do trabalho, ver que tinham lavado a peça. &lt;br /&gt;Na minha casa nova, tudo ficava onde eu deixava. No início, foi um alívio. Liberdade, privacidade, domínio sobre a minha vida. Depois, meus rastros intactos pela casa só reforçavam a minha solidão. &lt;br /&gt;Morava num apartamento de dois quartos no Grajaú, de frente pra mata, e, descobri, num dia de tarde, que a árvore em frente à janela da sala era visitada constantemente por uma família de micos. Passei a deixar, de propósito, uma banana descascada todos os dias dentro da fruteira. E quando chegava em casa, via que alguém tinha estado lá dentro. Uma banana meio devorada em cima da mesa, um saco plástico no chão, grãos de terra por alguns cantos da casa. Eram educados aqueles micos. Comiam o que tinha sido deixado para eles e iam embora sem muita bagunça. Era uma presença sutil, mas foi um alívio ver que havia vida dentro do meu espaço. &lt;br /&gt;Os anos se passaram, eu mudei de apartamento, de bairro, de vida. Eu e Juma passamos a formar uma dupla perfeita. Hoje... não sei se consigo abrir espaço pra mais alguém.  &lt;br /&gt;                                                       Até,&lt;br /&gt;                                                          M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-112870220731300947?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/112870220731300947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=112870220731300947&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112870220731300947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112870220731300947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/10/querido-f_07.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-112837782143294042</id><published>2005-10-03T18:40:00.000-03:00</published><updated>2005-10-03T19:17:01.463-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Eu sempre quis, é verdade. Você é testemunha disso e eu não ouso negar o que tantas vezes defendi em mesas de bar. Sempre quis um homem ao meu lado. Um homem para dividir a cama todas as noites, para regar as plantas, para me dar beijos e abraços no corredor, para me repreender nas vezes em que estiver errada. Queria encontrar roupas no quarto que não fossem as minhas. Esquecer um copo na sala e não dar de cara com ele, intacto, no mesmo lugar, uma semana depois. &lt;br /&gt;Era para a alegria e a triste, para os sábados de sol e as manhâs de segunda mesmo. E hoje eu tenho. Chegou num adiantado da vida, é verdade também. Mas Alberto está aqui. Abro o meu armário e encontro suas roupas penduradas do lado das minhas. Trouxe os discos de jazz, os livros do Graciliano e pés quentes para me aquecer nas noites de frio. &lt;br /&gt;E.... eu não sei se aguento. Não sei se consigo dividir. Porque esta história de dois virando um só... Eu tenho medo. Tenho medo de ser menos eu na presença do outro. De me perder na mistura dos corpos. Fico dizendo que minha alma é imensa, que precisa de espaço, que gosta de tomar conta da casa. Mas acho que, na verdade, tenho medo é que ela perca os seus contornos. &lt;br /&gt;Tenho pânico de manchar esta personalidade que eu levei tanto tempo para criar. Há anos, grito no meu próprio ouvido que sou assim. Afirmei com convicção para mim mesma que existia. E agora, com o Alberto, pode não haver espaço para tantas leituras, tantas palavras soltas, tantas viagens, tantos prazer que me fazem diariamente lembrar quem eu sou.  Tenho medo de não ser mais eu.&lt;br /&gt;                                                          Até,&lt;br /&gt;                                                             M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-112837782143294042?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/112837782143294042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=112837782143294042&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112837782143294042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112837782143294042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/10/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-112725207266479337</id><published>2005-09-20T18:16:00.000-03:00</published><updated>2005-09-20T18:34:32.670-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Fui surpreendida com um livro na manhã de hoje. Chegou para mim de presente, inesperado, delicioso. E foi a Juma quem encontrou. Fui botar o lixo na lixeira do corredor e lá ficou ela fuçando num monte de jornais jogados no chão. E, de repente, me sai com uma capa durinha, quadradinha de lá de dentro. O rabo abanando, olhando pra mim com cara de sorriso.&lt;br /&gt;Sorri também. Balzac e a costureirinha chinesa. Se passa no fim da década de 60, quando o líder Mao Tse-Tung resolve decretar que tudo quanto é livro escrito no ocidente é proibido e os jovens das cidades grandes precisam passar por um período de reeducação. Eles vão para aldeias isoladas trabalhar e aprender que tudo o que vem da cultura ocidental é coisa de burguês. Inútil para a vida. Capaz de encher a cabeça de caraminholas sem razão de ser. &lt;br /&gt;E lá se vão dois jovens para a reeducação. Eles conhecem uma costureirinha de uma aldeia vizinha, roubam uma mala com livros proibidos e passam a encher as noites da moça com as tramas de Balzac. É uma história sobre amor e literatura também. E sobre livros que mudam as nossas vidas e fazem com que tomemos atitudes inesperadas.  &lt;br /&gt;Fiquei a tarde inteira com ele entre os braços. Não saí de casa, mas viajei por terras distantes. &lt;br /&gt;Quanto aos rumos da minha vida, nada posso dizer. Mas Balzac e a costureirinha chinesa mudaram o meu dia. &lt;br /&gt;                                                        Saudades...&lt;br /&gt;                                                                Até,&lt;br /&gt;                                                                    M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-112725207266479337?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/112725207266479337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=112725207266479337&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112725207266479337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112725207266479337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/09/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-112304236729254950</id><published>2005-08-03T01:03:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T01:16:07.536-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Alberto passou a chamar a Juba de Jujuba e eu fiquei irritada. Jujuba é um nome infantil, enjoativo de tão doce. E Juba tem uma inspiração anos 80, Armação Ilimitada, aventuras praianas e liberdade.&lt;br /&gt;Ele comprou um enorme sapo de cerâmica com um rasgo na barriga de onde sai uma planta daquelas de água. Decorou uma das paredes da sala com o enfeite. Fiquei irritada. Primeiro porque o enfeite é horrendo e, depois, porque a sala é minha, ora bola.&lt;br /&gt;Alberto chega na minha casa e a primeira coisa que faz é largar os sapatos sujos de terra na porta do quarto, não sem antes deixar um caminho escuro pelos cômodos. &lt;br /&gt;Alberto cortou os cabelos rente à cabeça, deixando um topetinho um pouco mais longo na frente. Irritada. Quantos anos ele pensa que tem?&lt;br /&gt;Alberto acabou de me chamar. Humpf...&lt;br /&gt;                                               Até,&lt;br /&gt;                                                   M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-112304236729254950?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/112304236729254950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=112304236729254950&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112304236729254950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112304236729254950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/08/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-112234834453397236</id><published>2005-07-26T00:23:00.000-03:00</published><updated>2005-08-03T01:17:26.723-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Hoje sonhei com você novamente. Estávamos andando em Petrópolis, passando pela casa do Santos Dummont, vindo da faculdade. E a gente ria, ria e ria tão alto que todo mundo que passava olhava em nossa direção. Estava frio e nós seguimos caminhando pelas ruas gêmeas, paralelas, arborizadas. E, de repente, estávamos em Paris, mas ainda éramos jovens e você ainda ria. Um barco daquele de turistas cruzou pela gente e algumas pessoas levantaram o braço e acenaram para nós. Ficamos dando adeus, esperando eles se distanciarem, até que as fisionomias ficassem embaralhadas. &lt;br /&gt;    Acordei e caminhei até a janela. Estava frio no Rio também. Alberto continuava dormindo no meu quarto. Agora, ele resolveu passar mais dias aqui em casa, aumentando gradativamente a convivência. Olhei para baixo e tive a impressão de que as pessoas que passavam, encolhidas, sérias, sentiam o mesmo que eu.&lt;br /&gt;    Estou com saudades F...&lt;br /&gt;    Como anda Paris?&lt;br /&gt;                                                          Até,&lt;br /&gt;                                                             M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-112234834453397236?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/112234834453397236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=112234834453397236&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112234834453397236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/112234834453397236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/07/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-111715908724571132</id><published>2005-05-26T22:47:00.000-03:00</published><updated>2005-05-26T23:02:13.783-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>O tempo passa, o tempo voa... Como andam as coisas por ai? Eu estou solteira novamente, deixei meu apartamento e arrumei uma nova fonte de renda. E ja estou com o coraçao cheio e apartamento novo. Quanto aos amores, vou deixar para contar as historias numa proxima vez, porque voce sabe como eu sou cheia de supertiçoes. Nada de numero 13 (agora acrescentei o quatro a lista), de passar embaixo de escadas ou pular aquelas macumbas cheias de farofa no meio dos cruzamentos. DEixa a coisa se firmar. Quanto a fonte de renda, estou agora fazendo umas materinhas de viagens pra uma revista especializada. Paga pouco, mas ta divertido e grana e sempre grana, nao da pra desprezar. E estou morando agora na Barao de Ipanema, num predio la pro finzinho da rua. E bem mais tranquilo. EStou adorando.&lt;br /&gt;Bem... mas nem tudo mudou. Estou eu aqui, mais uma vez, escrevendo sem acentos.&lt;br /&gt;Alguem me ensina, por favor, a configurar este teclado? Acho que vou chamar o porteiro...&lt;br /&gt;                                             Ate,&lt;br /&gt;                                                M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-111715908724571132?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/111715908724571132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=111715908724571132&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/111715908724571132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/111715908724571132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/05/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-111101560405194043</id><published>2005-03-16T20:16:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T20:29:23.516-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Há tempos não escrevo... Confesso que estava com preguiça e que a vida andava boa, sem sobressaltos, caminhando vagarosa e gostosa. Mas hoje fiquei com vontade de abrir a boca, pegar um lápis, sentar no computador e te escrever uma carta. &lt;br /&gt;Minha vizinha pulou da janela. Na verdade, nunca tinha visto seu rosto antes. Só vi hoje, de longe. Uma forma largada no chão do play, com uma mancha escura em volta da cabeça. Parece velha, uma senhora pelos cabelos prateado. Fiquei achando que devia ter escorregado, que olhava entretida uma lagarta do lado de fora do vidro, quis tocá-la, pegar entre os dedos e acabou escorregando pela janela.&lt;br /&gt;A filha de minha prima estava aqui em casa. Assistiu ao rebuliço e quis saber da mãe o que tinha acontecido. Cecília explicou que uma moça de um andar de cima tinha feito uma viagem. Viagem curta. Do sétimo andar até o térreo. O que passa na cabeça de uma pessoa durante estes segundos tão fugazes. O vento correndo solto pelos cabelos. O corpo voando pela janela. Uma sensação de liberdade momentânea. Talvez estivesse rindo. Tenha batido no chão com um sorriso na boca. Talvez tenha se arrependido. Tentou segurar algum parapeito com as unhas, mas o corpo seguiu decidido seu caminho até o chão.&lt;br /&gt;Foi. Acabou. Nada. &lt;br /&gt;Minha vizinha se suicidou. E isto é o suficiente. Não preciso dizer mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-111101560405194043?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/111101560405194043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=111101560405194043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/111101560405194043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/111101560405194043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/03/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110800354917049367</id><published>2005-02-10T00:28:00.000-02:00</published><updated>2005-10-03T19:52:45.466-03:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Abri a janela hoje de manhã e o dia veio abafado. A brisa deixou de correr. Procurei bem  fundo no peito e não encontrei mais nada lá dentro. Não tenho certeza absoluta, nunca temos, mas meu corpo pareceu limpo, liso, oco por dentro.&lt;br /&gt;As obras na casa do Alberto se estenderam um pouco mais. Ele resolveu fazer uma pequena reforma lá dentro. Trouxe uma mala grande, bolsas e mais bolsas cheia de papéis, livros, agenda. E eu me peguei remexendo em seus papéis. Queria saber. Dar conta de tudo. Saber todos os passos, tudo o que se passa dentro do peito. Ter a certeza de que ele me ama. Saber o que ele sente.&lt;br /&gt;Admito que procurei, em meio aos papéis, cartas, bilhetes e o que fosse da ex-mulher, de ex-namoradas, de ex-casos. Quero saber de tudo. O que aconteceu. As mulheres que ele amou e quanto amou. Se foi mais ou melhor do que é comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero saber se, em alguns momentos, deseja outras pela rua. Se tem casos mal resolvidos, lembranças de um passado que gostaria de manter durante o presente. Quero um homem transparente ao meu lado, decodificado. Porque o contrário disso parece inadmissível. Porque precisa ser só eu. A única. A mais amada. Uma relação completa. &lt;br /&gt;E a minha analista acha que eu ando procurando um motivo para acabar com esta relação. Porque se eu souber que ele pensou numa mulher que conheceu, lembrou de leve um caso do passado, depois do café da manhã, de termos feito sexo ou da novela das oito, vou ter que terminar. E isso vai acontecer. Porque não é possível ter uma pessoa por completo, por inteiro. E talvez eu faça isso só para sacudir o que sinto aqui dentro. Porque é melhor sentir ciúmes do que não sentir absolutamente nada. Ou talvez porque eu precise saber que ele é desejado por outras para ver que tem valor.&lt;br /&gt;Será que o amor é isso? Uma coisa que inventamos depois de assistir à novela das sete? É tudo um dia após o outro, com um ar morno e denso, sem vento? Uma brisa parada envolvendo tudo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110800354917049367?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110800354917049367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110800354917049367&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110800354917049367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110800354917049367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/02/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110679297270260401</id><published>2005-01-27T00:13:00.000-02:00</published><updated>2005-01-27T00:29:32.703-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Eu e Alberto adiamos a viagem para a próxima semana. É que aqui no Rio não pára de chover, me fez lembrar da minha infância e de como eu gostava de ficar em casa em dias assim, comendo brigadeiro de colher e assistindo a filmes pela televisão com a minha mãe. A sorte da aposentadoria é esta: poder voltar aos hábitos da infância sem culpas, porque eu já trabalhei a vida inteira mesmo. O azar é que se chega nela já lá pro meio da casa dos enta e o brigadeiro não é gasto numa corridinha apressada até a cozinha, fica acumulado em pregas em volta da barriga. Troquei ele por um pote de iogurte light e me tranquei no quarto para assistir a um vídeo que peguei na locadora. Sim, ainda resisto aos DVDs. Ignoro  todos os extras e entrevistas com diretores e atores. Gosto de sentar no sofá com o cobertor cobrindo a pontinha dos pés, fingindo que está frio, e ouvir o reconfortante barulho da fita rodando. É isso mesmo, F. Sou uma senhora e resisto às mudanças. &lt;br /&gt;Me tranquei no quarto porque Alberto tomou conta da sala. A casa dele está pintando e ele veio com mala e tudo passar uns dias aqui. A idéia era que estivéssemos em Angra, mas São Pedro quis assim. E chegou largando sapatos, que Juba faz questão de catar com a boca, como se fossem seus brinquedos. E o filho mais novo veio visitar. E, de repente, me senti numa casa com um homem adulto e um adolescente e é como se eu fosse a hóspede. Preciso aprender a dividir. Hoje, tive saudade da solidão.&lt;br /&gt;                                     Até,&lt;br /&gt;                                        M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110679297270260401?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110679297270260401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110679297270260401&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110679297270260401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110679297270260401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/01/querido-f_26.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110641987797138978</id><published>2005-01-22T16:47:00.000-02:00</published><updated>2005-01-22T16:51:17.973-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Ganhei estrelinhas de presente de um mês de namoro. Lindas estrelinhas de chocolate, embaladas com papel colorido. Não é a coisa mais adolescente do mundo? E a mais deliciosa, e romântica e linda? Amei. Juba também. Comeu uma meia dúzia delas, apesar de o veterinário ter proibido qualquer tipo de doce para a minha cachorrinha. Mas era dia de festa...&lt;br /&gt;Ah, vamos todos (Eu, Alberto e Juba) passar uns dias em Ilha Grande, na Praia de Palmas. Mando notícias de lá, se possível...&lt;br /&gt;                                         Até,&lt;br /&gt;                                              M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110641987797138978?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110641987797138978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110641987797138978&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110641987797138978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110641987797138978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/01/querido-f_22.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110634297384981630</id><published>2005-01-21T19:13:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T19:32:21.776-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Segui seu conselho e falei sobre este meu lado voyeur de mim mesma na análise. Carmem, sempre tão calada, abriu a boca para uma observação simples: as pessoas com estima alta costumam se sentir bem em situações amorosas. Se entregam sem  críticas, se achando merecedoras de carinho e amor. Quem tem a estima no pé acaba vendo um lado ridículo em toda a situação.  É como se no fundo você achasse que não merece viver nada daquilo. Foi como engolir um caroço de ameixa à seco. Ela deve ter razão. Se eu cortar a unha do pé muito rente acho que perco minha auto-estima, de tão lá embaixo que está.&lt;br /&gt;Saí de lá e entrei numa loja para comprar uma lingerie nova. Queria me sentir desejada, merecedora de uma noite de amor com o namorado, coisa simples, para qualquer mortal. Meu erro foi chegar em casa e experimentar a peça em frente ao espelho. Juro que era um conjunto lindo, de sonho, que nunca na vida eu tinha tido. Todo feito de uma renda finíssima, com um lacinho delicado entre os seios. Mas as coxas rechonchudas, a barriga com pregas e os braços redondos chamam mais atenção do que qualquer sutiã e calcinha. Não consegui olhar pra mais nada a não ser o excesso de gordura. Agora é que perdi ela de vez. Talvez o Vigilantes me salve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110634297384981630?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110634297384981630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110634297384981630&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110634297384981630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110634297384981630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/01/querido-f_21.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110598978907848661</id><published>2005-01-17T17:11:00.000-02:00</published><updated>2005-01-17T17:23:09.076-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Eu tenho esta mania de me olhar de fora. Não consigo aproveitar os momentos, porque estou sempre observando cada coisa que faço pelo lado de fora, como se estivesse olhando um filme em que estou atuando. E meu olhar é sempre crítico, procura pelos defeitos. Por mais que eu tente me esquecer nos braços do Alberto, por exemplo, me pego sempre com um olho aberto e outro fechado. E tudo fica parecendo inapropriado. Me vejo velha para beijos, abraços, sexo. Mas me sinto jovem durante os beijos, abraços e sexo. Tento desligar o olho vigilante, mas ele resiste, cada vez mais crítico, implacável. Tenho vontade de transar com as luzes apagadas, embaixo das cobertas. Me escondendo de mim mesma. Mas resisto, não me entrego. Na minha luta, tento ignorar as rugas, as gordurinhas que os anos e os doces consumidos em todos estes anos acumularam em volta da minha cintura, e acendo a luz principal e finjo que não vejo meu reflexo passeando pelo espelho que tenho em frente à cama. Na primeira vez que o alberto pisou na minha casa, veio afoito, passando as mãos pelo meu corpo. Me senti viva, cheia de desejo. E me senti sem graça, me vendo de fora sentada no sofá, velha para tudo aquilo. Talvez você ache que este papo todo deveria ficar guardado para meus encontros com minha analista. Mas eu fico achando que não sou só eu que tenho uma espiã dentro de mim. Enfim, quis dividir com você a experiência.&lt;br /&gt;                                               Mil beijos, querido.&lt;br /&gt;                                                          Até,&lt;br /&gt;                                                               M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110598978907848661?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110598978907848661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110598978907848661&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110598978907848661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110598978907848661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/01/querido-f_17.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110504662730371696</id><published>2005-01-06T19:09:00.000-02:00</published><updated>2005-01-06T19:23:47.303-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Sei que eu dei uma sumida e você deve estar se perguntando o que foi que aconteceu. Confesso que me deu preguiça de ficar descrevendo desta vez tudo o que eu fiz em Nova York, porque lá é sempre aquela correria gostosa, mil lugares pra ir, mil coisas para ver e uma andança que toma conta do dia todo. E, depois, porque o que aconteceu comigo no aeroporto apagou a importância de todo o resto.&lt;br /&gt;Hoje em dia eu sempre fico tensa quando viajo para os Estados Unidos. Por causa desta paranóia que eles têm depois dos atentados. Mandam você tirar o sapato, vasculham cada bolsinho atrás de tesourinhas de unha e mortíferos alicates. Pois eu estava era pensando nisso: se tinha alguma coisa na mala que pudesse ser vista por eles como uma arma. Não curti os momentos de espera, como normalmente. Não comprei revistas. Não fui tomar café e observar as pessoas arrastando as malas pelos corredores. &lt;br /&gt;Conheci o Alberto já dentro do avião. Estava sentado do meu lado, mora no Rio e, o melhor de tudo, em Copacabana também. Ele tem um filho já adulto e foi pra Nova York justamente visitar o menino. Foi uma viagem curta. Pelo menos, foi assim que senti. Ficamos conversando e no final estávamos nos beijando em pleno vôo. Achei que já tinha passado da idade destes encontros amorosos, mas, naquela hora, esqueci de todos estes meus preconceitos. Acho que estamos namorando... Estou feliz.&lt;br /&gt;Feliz 2005, querido! Como foram as comemorações por aí!&lt;br /&gt;                                        beijos, com carinho,&lt;br /&gt;                                                          M.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110504662730371696?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110504662730371696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110504662730371696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110504662730371696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110504662730371696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2005/01/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110325300991275467</id><published>2004-12-17T01:01:00.000-02:00</published><updated>2004-12-17T01:10:09.913-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Há tempos estou para escrever, mas confesso que me deu preguiça, uma preguiça enorme de ter que passar para o papel tudo aquilo que vi em Nova York. Foram dias movimentados. Fiquei no apartamento da irmã da Lúcia, que estava no Brasil na mesma época. Me senti como se morasse por lá. Quer dizer, a diferenca era que eu podia tomar um café da manhã em casa, preparar coisinhas gostosas para comer de noite e bisbilhotar a vida dos vizinhos pela janela do apartamento. A rotina era de turista. Não parei um minuto. Andava tanto, tanto que de noie os meus pés não me aguentavam em pé e eu tinha que deitar e dormir para estar inteira novamente no dia seguinte. A partir de amanhã começo a voltar os dias para trás e escrevo tudo o que passei por lá.&lt;br /&gt;E o Juarez? Bem... qando cheguei em casa, minha secretária eletrônica tinha dezoito mensagens. Todas dele. O dedo coçou, tenho que admitir. Mas me fiz de forte e não liguei. Quero alguém que me valorize daqui pra frente.&lt;br /&gt;                       Saudades...&lt;br /&gt;                                 Até,&lt;br /&gt;                                   M.&lt;br /&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110325300991275467?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110325300991275467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110325300991275467&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110325300991275467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110325300991275467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/12/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-110141563439195617</id><published>2004-11-25T19:28:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T18:47:14.396-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Hoje estou num clima Música Urbana do Legião. "Não há mentiras nem verdades aqui/ Só música urbana...". Minha sala está um caos. A mala em cima do sofá e bolinhos de roupas separados por sacos plásticos. Descobri que, assim, as peças não amassam e eu não tenho lá muito saco para ficar passando roupas em trânsito. Meu avião pra Nova York sai amanhã de noite. O Juarez me ligou querendo me levar até o aeroporto. Disse que Célia já tinha combinado de me levar de carro. Mas vou sozinha mesmo.&lt;br /&gt;Na semana passada saí com ele de novo. Combinamos de comer uma pizza e, depois, regar o papo com uns chopes no Jobi. E lá fui eu sozinha. Peguei um táxi na porta da minha casa e encontrei o Juarez, que não dirige, em frente ao restaurante. A fila estava grande, mas ele não tinha notado que era preciso botar o nome numa lista. E lá fui eu falar com o garçom e ficamos mais de meia hora esperando por um lugarzinho. A pizza veio engordurada, comi assim mesmo, olhando para baixo e vendo se a minha barriga já começava a crescer imediatamente de tanta gordura.&lt;br /&gt;Mas continuava achando que ele estava bonito de camisa amarela, com um sorriso aberto. O chope estava bom. Lá pela meia-noite um casal amigo do Juarez chegou no bar e puxamos duas cadeiras para que sentassem também. Ficou um papo animado, mas mais ou menos uma hora depois, resolvi ir embora. E foi aí que descobri que ia embora sozinha de novo. Nada de companhia até em casa, nada de beijo de despedida ou esticada na minha cama vaporizada com essência de lavanda para ocasiões especiais. O Juarez disse que queria ficar mais, que a gente se encontrava no dia seguinte.&lt;br /&gt;Fui assim mesmo e resolvi que, sozinha por sozinha, ficava era em casa mesmo com minha cachorrinha ou do lado da minha mala andando pelo mundo, que pelo menos não ia ficar com a barriga enorme de chope e pizza. No dia seguinte ele me ligou me chamando para um cinema. Mas eu peguei uma gripe. Na mesma semana, comprei o pacote para Nova York. A minha analista não sabe o que é bom da vida.&lt;br /&gt;                                                   Até,&lt;br /&gt;                                                       M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-110141563439195617?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/110141563439195617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=110141563439195617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110141563439195617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/110141563439195617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/11/querido-f_25.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109997673895361821</id><published>2004-11-09T03:02:00.000-02:00</published><updated>2004-11-09T03:05:38.953-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Estou pensando em passar dez dias em NY. Aproveitar as minhas milhas e ficar dias caminhando por aquela cidade cinza. Foi esta a impressao que tive quando fui pela primeira vez.&lt;br /&gt;O Juarez me ligou hoje me chamando para sair. Aceitei. Devo estar louca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                Ate,&lt;br /&gt;                                                  M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109997673895361821?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109997673895361821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109997673895361821&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109997673895361821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109997673895361821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/11/querido-f_08.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109971500293184335</id><published>2004-11-06T02:11:00.000-02:00</published><updated>2004-11-06T02:23:22.930-02:00</updated><title type='text'>Querido F.,</title><content type='html'>Me senti como uma adolescente. Juarez me levou para o Bracarense e sentamos numa mesa improvisada no meio da calçada. Ficamos conversando e conversando e, lá pelo meio da noite, descobri que nem uma mesa era. Estávamos apoiando os copo num barril com um pedaço de madeira em cima. E ele me falava da sua rotina, dos passeios que costumava fazer todos os dias pela cidade. Das horas que chegava a passar dentro de um ônibus só para conhecer um boteco lá do outro lado do Rio. Eu ficava lá dizendo que ele entendia muito do negócio, que, depois de visitar a quantidade que ele tinha visitado, já devia saber muito para abrir o seu próprio bar. E o homem lá, falando dos projetos para o futuro, de como ele queria morar numa cidade na beirinha do mar e montar um negócio tranqüilo para seus últimos tantos dias. E o bar fechou e ficamos andando pelo Leblon. Paramos na livraria para folhear revistas e, quando vimos, o sol já estava em cima de nossas cabeças. E o Juarez ficava segurando a minha mão e, de quando em quando, parava um minutinho para beijá-la. Meu coração começou a bater forte e senti um calor bem no meio do  peito. &lt;br /&gt;Ele me deixou em casa, me deu um beijo comprido na boca antes de ir embora e... eu percebi que não tinha falado nada de mim a noite inteira. E nem ele tinha perguntado absolutamente nada. Falta de interesse total. Fiquei meio chateada com isso... Logo me deu vontade de arrumar as malas. Ando namorando uma viagem para Nova York. Acredita que depois do 11 de setembro ainda não fui lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     Até,&lt;br /&gt;                                        M. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109971500293184335?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109971500293184335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109971500293184335&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109971500293184335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109971500293184335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/11/querido-f.html' title='Querido F.,'/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109919619704437288</id><published>2004-10-31T00:52:00.000-03:00</published><updated>2004-10-31T01:30:52.926-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Desculpe estar novamente escrevendo sem acentos.... Estou semanas sem saber muito bem como te contar o que aconteceu. Foi no domingo de tarde, antes da hora do almoço. A Lucy acordou indisposta e cismou de passar o dia inteiro se recuperando de uma ressaca. Eu e o Juarez aproveitamos a carona de um casal hospedado na nossa pousada e fomos passear de lancha novamente.&lt;br /&gt;Deve ter sido o vento. Ventava muito e tive que segurar o chapeu com as duas maos para que nao voasse. O ar, com toda a sua violencia, foi entrando dentro de mim e varrendo raiva, implicancia, mau humor e tirando as coisas todas do lugar. E, assim, entre uma travessia de lancha e um mergulho no mar, cai de amores.&lt;br /&gt;Nao sei se foi o sorriso, mas achei ele especialmente bonito naquela tarde. E sumiu o Juarez beberrao, o espaçoso, o exagerado, aquele que cisma em afirmar, com a maior de todas as certezas, que o melhor botequim do mundo e aquele onde esta sorvendo sua tulipa de chope e mudar de ideia tres, quatro, cinco vezes numa mesma noite. Ficou um homem de sorriso bonito, que me estende a mao para saltar do barco e me chama de querida.&lt;br /&gt;Em Paraty caminhamos por toda a cidade e Juarez, empolgado, constatou que por la nao ha um botequim sequer. E nos dois juntos andamos por mais horas e horas, procurando pela esquina onde ele pretende instalar o projeto de sua aposentadoria.&lt;br /&gt;De noite, Juarez tentou me beijar, mas eu recuei... Amanha vamos nos encontrar para um cafe no fim do dia. Com ele, imagino que seja um cafe com cognac.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                         Ate&lt;br /&gt;                                                                                             M.    &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109919619704437288?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109919619704437288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109919619704437288&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109919619704437288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109919619704437288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/10/querido-f_30.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109857537582897449</id><published>2004-10-23T20:24:00.000-03:00</published><updated>2004-10-23T20:49:35.826-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Não fomos para Ilha Grande. O Juarez sugeriu que a gente fosse para Paraty e, na quinta de noite, rumamos para cá. Para falar a verdade, não gostei muito da mudança, mas isso nada tem a ver com a cidade. Adoro o charme de Paraty e ainda guardo na memória os bons momentos que passei por lá na última Flip. &lt;br /&gt;    Confesso que o que me irritou foi este intrometimento do Juarez. Um convidado de última hora para lá de espaçoso. Se intrometeu no nosso programa e foi mudando tudo sem a menor cerimônia. Veio com a história de que está trabalhando em sua aposentaria e vem pesquisando um lugarzinho calmo e simpático para abrir um botequim e passar os fins dos dias arrastando os chinelos. Sinceramente, não consigo imaginar um futuro mais apropriado. Tá certo. Tá certo. Vou parar de implicâncias.&lt;br /&gt;    A verdade é que estamos nos divertindo muito. Na quinta, ainda tivemos tempo de jantar num restaurante Tailandês de Paraty. Lucy não tem do que reclamar. A cidade parece na medida para ela. Os paulistas e os estrangeiros invadiram tudo por aqui, montando estabelecimentos simpáticos, com um toque de sofisticação e boa comida. O tailandês, por exemplo, é moderníssimo, com decoração ultra colorida, flores caindo do teto e mesas pintadas com motivos tropicais. Poderia estar funcionando numa esquina de Ipanema, numa rua da Vila Madalena, mas tem a vantagem de estar instalado em Paraty. Temos beleza natural, conforto, boa comida, gente bonita (ai, como odeio esta expressão. Mas a Lucy está falando isso o tempo todo e escapou) e muito vinho. Tudo o que a Lucy queria ver reunido.&lt;br /&gt;    Em falar em vinho, o Juarez não economizou e, na primeira noite, tomou tantas cervejas que nem sei como conseguiu levantar da cadeira no final. Ontem ficamos rodando pela cidade, aproveitando as horas vagarosas para conversar e bebericar. Hoje alugamos uma lancha e conhecemos praias lindas. Ficamos nadando e nadando e não consigo pensar num dia mais agradável do que esse. Trouxe minha cachorrinha e ela anda muito enturmada com tudo. Parece que sempre viveu por aqui. Agora estamos saindo para aquele tradicional teatro de bonecos. Há uns dez anos esta companhia encena a mesma peça, mas é tão bonito, tão simples, singelo e tocante ao mesm tempo, que sempre assisto de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         Até,&lt;br /&gt;                                            M.      &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109857537582897449?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109857537582897449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109857537582897449&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109857537582897449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109857537582897449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/10/querido-f_23.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109829876190314120</id><published>2004-10-20T15:44:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T15:59:21.903-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;    Hoje tenho duas coisas para falar. Primeiro, fiquei muito irritada porque a Lucy resolveu convidar o Juarez para nos acompanhar em nossa viagem a ILha Grande. Da para acreditar? Lembra dele? Beberrao. Vive com o nariz vermelho de tanta cachaça, cantando todas as mulheres que passam, com aquele ar de gala decadente. Fiquei revoltada. Tenho certeza de que, mesmo la, no meio do mato e da natureza, Juarez vai encontrar um pe-sujo para passar as noites. E vai varar a madrugada com a barriga encostada no balcao, conhecendo a historia do bar e do dono do estabelecimento inteirinhas. Depois, vai querer nos convencer de que encontrou uma reliquia em plena Angra dos Reis.... Saco!&lt;br /&gt;E nao posso deixar de registrar aqui minha profunda tristeza com a morte de Fernando Sabino. Me senti muito sozinha quando escutei no jornal que ele tinha partido. Grande amigo. Que me ensinou em livros como, "O encontro marcado", que se sentir um marciano em plena Terra nao era privilegio ou dor apenas minha. Que a angustia e aquele vazio dentro do peito, de quem nao descobre o seu lugar, estao presentes em outros coraçoes tambem.&lt;br /&gt;Hilda Hilst, Fernando Sabino..... Era tao bom saber que eles continuavam por aqui, caminhando, produzindo...Mesmo que eu nunca tivesse trocado uma palavra com nenhum dos dois.  Era muito bom saber que estavam por perto. Saudades....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                        Ate,&lt;br /&gt;                                                                                              M.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109829876190314120?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109829876190314120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109829876190314120&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109829876190314120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109829876190314120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/10/querido-f_20.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109788423896573974</id><published>2004-10-15T20:44:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T16:21:56.443-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy nao quer acampar. Disse que este tempo ja passou e que hoje ela gosta mesmo e de uma pousadinha confortavel, com ar-condicionado, lençois limpos e banho quente. Talvez tenha razao.... Disse que seu tempo de menina hippie ficou no passado e, hoje, aprendeu com a maturidade que nao precisa passar nenhum sufoco para estar em contato direto com a natureza. Quer tirar o melhor de tudo...&lt;br /&gt;Talvez ficasse meio ridiculo mesmo... Duas senhoras com seus pequenos cachorros penteados querendo voltar no tempo numa barraca de camping. O tempo nao volta. Passou.&lt;br /&gt;Mas vmos comemorar o hoje, entao.  A amizade e a natureza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ate,&lt;br /&gt;M.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109788423896573974?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109788423896573974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109788423896573974&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109788423896573974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109788423896573974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/10/querido-f_15.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109761422345009650</id><published>2004-10-12T17:43:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T16:24:38.503-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lucy veio aqui em casa na ultima semana. Ha tempos nao nos viamos e ficamos horas botando o papo em dia. Fiz um jantar caprichado, daqueles que costumava fazer para voce, lembra? Cuscuz marroquino e frango com curry. Receita da vovo. Ficou excelente. Tomamos vinhos, acendi umas velinhas com suporte de ceramica em cima para filtrar a luz e abri a porta da varanda para a casa ficar com cheirinho de mato. Pode acreditar. Com a quantidade de plantas que tenho na varanda, consigo cheirinho de mato em plena Nossa Senhora de Copacabana.&lt;br /&gt;Lucy vai voltar a morar no Brasil. Falei para ela que talvez um dia voce venha tambem, nao e mesmo? Se casou pela quinta vez e agora anda escrevendo umas colunas sobre sexo para o jornal Folha de Sao Paulo. Supimpa! Achei interessante. MInha amiga fica ate o fim deste mes e combinamos de passar um fim de semana em Ilha Grande acampando. E, isso mesmo. Vamos acampar para lembrar os velhos e bons tempos. Saudades suas....&lt;br /&gt;Ate,&lt;br /&gt;Madame M.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109761422345009650?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109761422345009650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109761422345009650&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109761422345009650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109761422345009650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/10/querido-f_12.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109683753520034418</id><published>2004-10-03T18:00:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T16:28:47.993-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu computador quebrou... Isso explica tanto tempo sem escrever. Não sei o que fazer para conserta-lo. Fico pensando porque não optei por me casar na minha vida. Isto resolveria muitos dos meus problemas... Ia ter pelo menos alguem para me ajudar a manter as coisas funcionando.&lt;br /&gt;Na semana passada fui a São Paulo. A intenção era ir à Bienal, mas eu me informei mal. A exposição só começaria no fim de semana. E, como agora estou sofrendo uma coisa muito estranha: uma vontade louca de sair de casa e, depois de uns dias, uma outra ainda maior de voltar logo (nunca estamos satisfeitos, não é mesmo?), não vi nada de artes plásticas na minhas estada por lá. Aproveitei, então, para assistir à apresentação do Ballet do Teatro Scala de Milão. Balé clássico me faz lembrar a infância. As aulas de balé na Dalal Achcar, no Rio. Foi tudo muito lindo por lá. O grupo dançou uma versao de "Sonho de uma noite de verao", a obra de Shakespeare coreografada pelo mestre Balanchine, que revolucionou a dança classica no seculo XX. Amei! Agora, preciso marcar outra viagem. Acho que volto para ver as artes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até,&lt;br /&gt;M.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109683753520034418?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109683753520034418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109683753520034418&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109683753520034418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109683753520034418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/10/querido-f.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109564612094331151</id><published>2004-09-19T23:00:00.000-03:00</published><updated>2004-09-19T23:08:40.943-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>    Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Nao sei se te contei, mas agora ando fazendo analise. E. De tanto insistirem comigo, resolvi ceder. Ficavam dizendo que esta minha mania de viver viajando e simplesmente uma forma de escapar da vida. Eu sei, eu sei, que toda vez que me sinto um pouquinho deprimida, um ventinho monotono que seja batendo na minha janela, corro e arrumo as malas. As pessoas ate podem ter razao. Viajar tambem nao e vida? Pois, entao. Como posso estar correndo dela? MInha analista, como todo analista, acha que ha um fundinho de verdade nisso tudo e que meus mais fundo desejos pedem que eu me aquiete em casa. Caso contrario, o que afinal de contas estaria eu fazendo la. Afinal, nao fui obrigada. Eu mesma marquei minha primeira hora. Ela provavelmente tem um pouco de razao. Agora, minhas escapolidas tem tempo determinado. Nao podem durar mais do que uma semana. Toda sexta, Amelia esta la esperando por mim. E sabe que tenho gostado? Nasci para fazer analise. Para pensar na vida, nos propositos escondidos atras de nossos atos.&lt;br /&gt;E voce? Como anda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                 Ate mais,&lt;br /&gt;                                                                                              M.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109564612094331151?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109564612094331151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109564612094331151&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109564612094331151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109564612094331151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/09/querido-f.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109505070764146225</id><published>2004-09-13T01:31:00.002-03:00</published><updated>2004-09-13T01:45:07.640-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Desculpe a demora em responder. Passei a semana botando as coisas em ordem aqui em casa. Estou fazendo desenhos dos lugares onde vou e esta semana inaugurei uma parede na minha sala com as pinturas. &lt;br /&gt;    É impressionante como realmente nunca, nunca estamos satisfeitos com o que temos. Tanta era a minha vontade de voltar e, agora que enfim estou instaladinha nos meus cobertores, com meus queridos livros na estante e a caótica e acolhedora imagem da Avenida Nossa Senhora de Copacabana da janela, não penso em outra coisa a não ser no meu próximo destino. Já começo a planejar outra viagem. O que posso fazer? Já nasci com este espírito inquieto. &lt;br /&gt;    E tem mais... Estou feliz, feliz com minha cachorrinha de volta, mas, ontem, fiquei com vontade, juro, de devolvê-la para o filho do Seu Zé e ir só visitar no fim de semana. A danada comeu meu chinelo preferido, um com uma carinha de dálmata que você tinha me dado de presente, lembra? E resolveu fazer do meu tapete da sala  seu banheiro. Desde então, não falo com ela, passo olhando para outro lado. Amanhã o gelo acaba. Ai, ai, ainda bem que ela não sabe ler...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           Até,  &lt;br /&gt;                                               M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109505070764146225?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109505070764146225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109505070764146225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109505070764146225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109505070764146225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/09/querido-f_109505070764146225.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109505049098124387</id><published>2004-09-13T01:31:00.000-03:00</published><updated>2004-09-13T01:41:30.980-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Desculpe a demora em responder. Passei a semana botando as coisas em ordem aqui em casa. Estou fazendo desenhos dos lugares onde vou e esta semana inaugurei uma parede na minha sala com as pinturas. &lt;br /&gt;    É impressionante como realmente nunca, nunca estamos satisfeitos com o que temos. Tanta era a minha vontade de voltar e, agora que enfim estou instaladinha nos meus cobertores, com meus queridos livros na estante e a caótica e acolhedora imagem da Avenida Nossa Senhora de Copacabana da janela, não penso em outra coisa a não ser no meu próximo destino. Já começo a planejar outra viagem. O que posso fazer? Já nasci com este espírito inquieto. &lt;br /&gt;    E tem mais... Estou feliz, feliz com minha cachorrinha de volta, mas, ontem, fiquei com vontade, juro, de devolvê-la para o filho do Seu Zé e ir só visitar no fim de semana. A danada comeu meu chinelo preferido, um com uma carinha de dálmata que você tinha me dado de presente, lembra? E resolveu fazer do meu tapete da sala  seu banheiro. Desde então, não falo com ela, passo olhando para outro lado. Amanhã o gelo acaba. Ai, ai, ainda bem que ela não sabe ler...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           Até,  &lt;br /&gt;                                               M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109505049098124387?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109505049098124387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109505049098124387&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109505049098124387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109505049098124387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/09/querido-f_12.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109431375088377117</id><published>2004-09-04T12:53:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T13:03:36.270-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Cheguei no Rio num dia de chuva. Chuvisco seria mais preciso dizer. Mas vi aquilo com os olhos de um otimista: a cidade está me recepcionando! Vou lavar a alma!&lt;br /&gt;  Acho que esta vontade louca de voltar para casa tinha uma intuição forte por trás. Isso porque tive uma surpresa maravilhosa assim que cheguei na portaria do meu prédio. Nem precisei subir as escadas. Seu Zé, o porteiro, me recebeu com um sorriso e deu logo a notícia: acharam a sua cachorrinha. Eu não falei para a senhora? Quando a gente bota o endereço e o telefone na coleira, pode dar sorte de encontrar a bichinha de novo!&lt;br /&gt;   Nem consegui responder. Fiquei completamnte sem palavras. Saí correndo para a casa do Seu Zé e vi a bichinha sentada numa almofada no chão, como se visse televisão do lado da filha dele. Era a mesma e estava linda. Fiquei com os olhos cheios d'água e ela comemorou abanando seu rabo compriiiido. Levei a minha cachorrinha pra casa feliz da vida, mas fiquei com a imagem dela vendo TV na cabeça: será que queria voltar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   Até.&lt;br /&gt;                                      M.   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109431375088377117?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109431375088377117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109431375088377117&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109431375088377117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109431375088377117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/09/querido-f_04.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109431189533203670</id><published>2004-09-04T12:29:00.000-03:00</published><updated>2004-09-04T12:38:57.593-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Só tenho uma coisa a dizer: e o Rio de Janeiro continua lindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    Até,&lt;br /&gt;                                        M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109431189533203670?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109431189533203670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109431189533203670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109431189533203670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109431189533203670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/09/querido-f_109431189533203670.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109400668669141722</id><published>2004-08-31T23:35:00.000-03:00</published><updated>2004-08-31T23:47:16.586-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Orlando, 31 de agosto de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Descobri hoje de manhã que a minha pssagem é para amanhã e não para quinta, como tinha pensado. Onde estou com a cabeça? Quando olhei a data no bilhete só senti vontade de dizer uma coisa: IIIIUUUPPPPPIIIIIIIII!!! Felicidade! Definitivamete, Orlando e eu não nascemos para ficar juntos. Deixo a terra sem saudades. Hoje fui fazer comprar. Quer dizer, olhar lojas, porque o meu orçamento não me permite comprar mais do que o almoço. Fui num shopping aqui só com pontas de estoque. Uma maravilha. Tudo barato mesmo. Tinha loja da Nike com tênis por menos de R$ 100 (em reais mesmo). Tá certo que isso não é barato, mas experimente ir no shopping e ver quanto está custando um sapato da Nike. Quase o dobro. Tinha Gap e um monte de outras lojas que eu adoro. Consegui comprar uma bolsinha na Gap por US$ 2. Dá pra acreditar? Seis reais! Pudera, tava na promoção da ponta de estoque, mas eu juro que não era bagulho não. Bonitinha que só. Bem, mas minhas compras pararam aí.&lt;br /&gt;Amanhã estou embarcando!&lt;br /&gt;Ah, e agosto acabou! Ainda bem! Êta mês difícil...&lt;br /&gt;                                           &lt;br /&gt;                                        Até...&lt;br /&gt;                                             M. &lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109400668669141722?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109400668669141722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109400668669141722&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109400668669141722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109400668669141722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/08/orlando-31-de-agosto-de-2004-querido-f.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109392766106038022</id><published>2004-08-31T01:41:00.000-03:00</published><updated>2004-08-31T01:47:41.060-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;    Hoje fui ao Sea World. Como estava cheio. Nunca imaginei. Uma multidão enorme. Vi um berçário de golfinhos. Não achei muita graça. Os pobres ficam numa piscina (pequena, não é grande não) e a gente fica vendo uns rabinhos mexendo e alguns pulinhos de uns mais levados. Almocei num restaurante onde você consegue ver um monte de tubarões passando. No começo fiquei fascinada. Depois me deu um nervoso danado. Eles passavam e passavam e passavam. Fazendo sempre o mesmo percurso. Pareciam mecânicos. Ai, ai, ai... Talvez eu esteja de mau humor. Mas a verdade é que me senti muito sozinha. Podia ficar sentada num canteiro qualquer daqueles. O dia inteirinho, sem nem me mexer. Ninguém nem ia notar... Era tanta gente que eu me senti invisível...&lt;br /&gt;                                        Até mais,&lt;br /&gt;                                                M.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109392766106038022?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109392766106038022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109392766106038022&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109392766106038022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109392766106038022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/08/querido-f.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109383446877278768</id><published>2004-08-29T23:41:00.000-03:00</published><updated>2004-08-30T00:03:00.413-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Estou há quase uma semana aqui em Orlando e a única coisa que posso dizer é que... não aguento mais. Já comprei um chapéu com as orelhinhas do Mickey, bichos de pelúcia nas muitas lojinhas dos parques (não tenho idéia de onde vou colocá-los depois, mas simplesmente parece impossível deixar de comprá-los) e, sim, preciso confessar, no início parecia uma crinça vibrando em montanhas-russas, tirando fotos dos bichos de pertinho no Bush Gardens e mergulhando com os golfinhos no Paradise Island. A sorte foi ter viajado sozinha. Isso evitou que alguém visse cenas ridículas potagonizadas por mim. No Paradise Island, por exemplo, um parque cheio de lagos, onde você pode mergular junto com os peixes e passar a mão em arraias e golfinhos, cada visitante recebe uma macacão de calça e camisa curtas, justinho ao corpo, além de máscara e snorkel. Me espantei quando vi minha imagem refletida num vidro. Minha aparência se aproximava muito a de uma meninnha de uns seis anos, exatamente ao meu lado. Cabelos molhados e descabelados, máscara na mão, ligando a mínima para os pneuzinhos que apareciam desenhados no macacão. É, eles conseguiram me fazer voltar à infância. Quase saí correndo entre os lagos, segurando as pernas com a mão e dando um pulo na água, BOMBA, para molhar todos em volta. Bem, mas nem que eu tivesse seis anos, poderia fazer isso. Porque os americanos são todos cheios de normas, cuidados, leis. Tem o comportamento todo controlado. E era só olhar com mais atenção para o lado para ver que a água dos lagos tinha um gosto insuportável, salgada artificialmente, com temperatura, PH e tudo mais controlado. A vegetação era um jardim planejado por algum paisagista e o ambiente imitava pedra, imitava grama, imitava areia. Estou agoniada com tudo aqui. Tudo à minha volta finge ser alguma coisa.&lt;br /&gt;Ontem senti um certo alívio. Fui visitar um lugar chamado Ybor City, em Tampa. É um bairro histórico. Eu não sabia, mas muitos cubanos se instalaram nesta localidade no início do século passado e a região chegou a ser um pólo de fabricação de charutos. Hoje ainda é possível comprar charutos feitos lá, mas as fábricas fecharam quase todas. Os prédios, porém, ainda estão de pé, feitos de tijolos de verdade, maçicos, com os enormes janelões para iluminar o ambiente.  Tem museu, com aposentados dando explicações sobre a história local, e dá para fazer um passeio a pé (coisa rara nos Estados Unidos) com guia, dando uma volta por todo o bairro. Um alívio... Tudo ali existiu de verdade e tem uma história para contar. Me senti, pelo menos um pouquinho, conectada com o mundo.&lt;br /&gt;Bem, ainda faltam três dias. Mando notícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                      Até.&lt;br /&gt;                                          M.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109383446877278768?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109383446877278768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109383446877278768&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109383446877278768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109383446877278768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/08/querido-f_29.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109332004041810865</id><published>2004-08-24T00:56:00.000-03:00</published><updated>2004-08-24T01:00:40.416-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades suas... Acabou o período de luto. Pelo menos, decidi que era hora de retomar a vida. Estou aqui no aeroporto. Parei um minuto para lhe enviar esta mensagem. Vou para Orlando. Tantos e tantos brasileiros fazem este mesmo percurso todo ano. Os americanos mesmo, basta ter um pequeno feriado, para se enfiarem nos parques de diversões. Vou também. Colei adesivos coloridos na minha mala. Portanto, acho que não vou ter problemas em encontrá-la e ando animada. Quero experimentar tudo, deixar a parte criança que ainda existe aqui dentro fluir. Vamos ver o que acontece. &lt;br /&gt;Ah, os dias voltaram a nascer ensolarados....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                               Até mais...&lt;br /&gt;                                                        M. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109332004041810865?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109332004041810865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109332004041810865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109332004041810865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109332004041810865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/08/querido-f_23.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-109167631734166201</id><published>2004-08-05T00:23:00.000-03:00</published><updated>2004-08-24T00:50:27.330-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Minha mala não saiu do armário, estou sentada na minha própria cama, do lado da minha mesinha de cabeceira, longe de qualquer mobiliário impessoal de um quarto de hotel. Mas hoje eu acordei e estava tudo diferente. Olhei pela janela e juro que o prédio da frente não estava mais lá, colocaram uma névoa densa e cinza no lugar. Não havia árvores na rua e pessoas de roupa fluorescente circulavam lá embaixo. Que cidade é essa? Tantas vezes já acordei assustada no meio da noite numa cidade distante, de um país esquisito, tentando fazer na memória o percurso das últimas semanas. Tentando me localizar num espaço irreconhecível. Nunca tinha acontecido era de despertar em casa e me sentir no apartamento de outra pessoa, como nos sonhos, você gira a chave e encontra do outro lado da porta uma casa que não é mais a sua, ocupada por pessoas que você nunca viu.  É como se de repente, não existisse mais lugar para você no mundo, puxaram o tapete e, junto com ele, foi tudo o que tinha sido estruturado, arrumado, empilhado.&lt;br /&gt;Caminhei até a sala e meu sofá tinha mudado de cor, pelo menos eu não me lembrava de ter escolhido um tecido verde para forrar aqueles módulos de espuma. A janela estava coberta de plantas, folhas que eu nunca vi, que parece terem crescido ao longo da noite.  Abri o vidro e entrou uma brisa empoeirada e um tufo de vento jogou folhas secas que estavam na rua para dentro de casa. Agora, é como se estivesse num edifício abandonado, destes que se vê no noticiário da noite, invadido por um bando de gente que não onde viver. Onde é que eu estou? Pela geladeira, fico com a impressão de estar na casa de alguém de regime, muito magro. Dois vidros de iogurte desnatado já fora de validade pendem da porta, junto com cinco maçãs meio passadas. Me espanto quando olho para o chão. Botaram um tapete azul celeste ali que eu nunca teria escolhido, com um bordado bem no meio, um coração explodindo.&lt;br /&gt;Pelo frio fico achando que estou no Sul do país ou talvez esteja em pleno inverno de Londres, isso explicaria a névoa lá fora. Um frio forte. Não consigo fazer mais nada, volto pra cama. No caminho tropeço numa toalha embolada na porta do quarto. Recolho e sinto um cheiro tão familiar que lembro de tudo. A Juba, perdi a Juba. Fui levá-la para passear de noite e ela começou a correr de repente, correr, correr. No meio da calçada, sumiu na escuridão. Gritei, chorei, chamei, procurei em toda parte. Sumiu a minha vida.&lt;br /&gt;Desculpe não ter botado data nesta carta, não sei que dia é hoje. Já estamos em agosto?&lt;br /&gt;Até M.   &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-109167631734166201?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/109167631734166201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=109167631734166201&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109167631734166201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/109167631734166201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/08/minha-mala-no-saiu-do-armrio-estou.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108994991900652663</id><published>2004-07-16T00:49:00.000-03:00</published><updated>2004-07-16T00:51:59.006-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Rio de Janeiro, 16 de julho de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Lygia Fagunde Telles, Paul Auster, Veríssimo, Michael Amis. Todos foram para Paraty na última semana. Portanto, eu fui também. E, desta vez, levei a Juba. Tenho de admitir que ando me sentindo meio solitária. Tudo bem, viajar por aí, sem ninguém para discutir, só você para decidir tudo, dá uma certa sensação de liberdade. Mas desta vez, quis companhia. E quando estava saindo de casa, ela me olhou com olhos de quem pedia para não ficar no hotal novamente. Concordei. Levei a pequena comigo.&lt;br /&gt;Me hospedei numa pousada na estrada Paraty-Cunha. Posso dizer que a cidade andava lotada por conta da Flip. Mas é mentira, reservei com antecedência. É porque, por ali, os preços são muito mais baratos. É impressionante, mas é só cruzar a corrente que separa o Centro Histórico do resto de tudo que os preços despencam.&lt;br /&gt;Minha pousada não aceitava cachorros. Mas Juba se comportou muito bem. Ficava escondida na bolsa quando eu entrava e saía do hotel. Aluguei uma bicicleta com cestinha e foi assim que nós duas íamos e voltávamos para o centro. Não é que todo mundo faz o mesmo. Descobri que os paratienses só andam de bike, como o meu sobrinho gosta de dizer. Encontrava senhoras, jovens, crianças, idosos, todos pedalando pelo caminho.&lt;br /&gt;Numa dessas idas, eu e Juba nos deparamos com Chico Buarque. Tirei uma foto.  Assim que revelar, te envio. Chico, quem diria, estava jogando futebol num campo perto da entrada da cidade. Fiquei horas olhando aquelas pernas correrem pelo gramado. Tá certo, não são lá pernas muito bonitas. Afinal, ele fez 60 (!) este ano. Mas são as pernas do Chico Buarque, ora bolas. Se fossem bonitas ninguém nem agüentava ficar olhando.&lt;br /&gt;Amo Paraty! Paraty me irrita! Adoro o casario colorido, o clima do lugar (agora então, estava tudo fervilhando cultura, mimeógrafos rodando na praça, palestras com escritores, debates em bares), o grupo de teatro de bonecos, aquele jeitinho de Tiradentes com um mar enorme banhando... O problema é o calçamento pé-de-moleque. Lindo de olhar em fotos e postais, horrível de testar na prática. É que ele me obriga a andar sempre olhando para o chão e perdendo todas estas coisas boas que eu já citei. Andando pelo Centro Histórico, por exemplo, eu posso ter passado mais de dez vezes pelo Chico Buarque sem nem ter percebido. Estava olhando para os meus pés, decidindo o caminho a percorrer, para não me esborrachar no chão. Em Paraty, qualquer estrela de cinema pode andar tranqüila, sem ser reconhecida. Afinal, todos que passarem por ela vão estar com os olhos para baixo, procurando um caminho seguro em meio as pedras irregulares.&lt;br /&gt;Entrei num bar e vi a Clarah Averbuck, aquela menina do bog que publicou um livro, falando. Não prestei muita atenão ao que dizia, curiosa que estava em desvendar sua personalidade naqueles pequenos minutos. Tem força, personalidade. Acho que vamos acompanhar ela crescer através dos livros que for publicando. É adolescente de alma. Mas, se tiver sorte, continua assim.&lt;br /&gt;  Tive que levantar rápido. Juba se mexia dentro da bolsa, estava apertada para ir no banheiro. Aliás, quantos amigos Juba não fez nas andanças por Paraty. Cidade cheia de cachorros aquela. Outra qualidade para acrescentar na minha lista.  &lt;br /&gt;Saudade da cidade. De ver a Lygia falando do seu amor por Dom Casmurro. Tive vontade de dizer: Eu também, Lygia. Eu tambem amo o Bentinho, a Capitu, o Escobar. De ver o Verissimo questionar o que é um clássico. A Coca-Cola não batizou a sua tradicional fórmula de classic? Então, eu também posso batizar meus escritores saborosos e inesquecíveis de meus clássicos. E de conhecer estes dois ingleses tão famosos, Martim Amis e Ian McEwan, que eu nunca tinha lido. Voltei com um exemplar de Amis debaixo do baço. Já digo se é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Até...       &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108994991900652663?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/108994991900652663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=108994991900652663&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108994991900652663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108994991900652663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/07/rio-de-janeiro-16-de-julho-de-2004.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108863988286918551</id><published>2004-06-30T20:33:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T23:34:23.373-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Vassouras, 30 de junho de 2004 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Visitei a casa de Eufrásia Teixeira Leite. Até a adolescência, ela viveu numa chácara em Vassouras que hoje se transformou no museu Casa da Hera. Mas não foram os móveis trazidos da França, os papéis de parede, os vestidos e sapatos importados, ainda bem preservados, que me chamaram atenção. Nem mesmo a organização dos cômodos, que mostra bem como vivia uma família no século XIX, com as alcovas na entrada, para viajantes e convidados e o jardim interno (inovação na época!), para as mulheres apanharem sol protegidas dos olhares dos curiosos.&lt;br /&gt; Gostei foi da história. Eufrásia era neta do Barão de Campo Belo e sobrinha do Barão de Vassouras e viveu no período em que o café trouxe poder e fortuna a donos de fazendas produtoras. Depois da adolescência, trocou Vassouras pelo agito do Rio e, quando os pais morreram, achou que aquilo era pouco e se mudou com a irmã para  Paris, onde tudo parecia acontecer por aqueles anos. &lt;br /&gt; Numa época em que as mulheres eram criadas para formarem famílias, Eufrásia não quis saber de se casar. Os maldosos vão dizer que ela era feia, que ninguém quis. Não achei não. Pela casa, havia pinturas aos 18 anos, aos vinte e poucos... Era interessante. &lt;br /&gt; Se mudou para a França aos 23 anos (se seguisse a tendência da época, deveria ter se casado aos 15) e, na viagem, conheceu o abolicionista Joaquim Nabuco. Ficou noiva. Mas, por estes motivos da vida que só quem vive pode explicar com exatidão, não se casou. Investiu a fortuna do pai no mercado financeiro e, quando morreu, em 1930, aos 80 anos, sua fortuna equivalia a 10% do PIB brasileiro. &lt;br /&gt;   Eufrásia vai entrar na pesquisa. Aquela que eu comecei a fazer depois da aposentadoria, lembra? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         Até...&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108863988286918551?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/108863988286918551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=108863988286918551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108863988286918551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108863988286918551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/06/vassouras-30-de-junho-de-2004-querido.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108778860894369135</id><published>2004-06-21T00:29:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T23:39:39.720-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Rio de Janeiro, 20 de junho de 2004 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Estava pensando hoje, enquanto tirava os sapatos e estendia os pés em cima da cama, que o tempo é relativo. Saí ontem de manhã de ônibus em direção a Vassouras. Volto hoje, um dia só fora e parece que fiquei uma semana longe da minha casa. Corri para regar as plantas, pensando que as pobres deviam estar secas e sem atenção. Depois, me lembrei que ontem mesmo eu pensei algo parecido e enchi os pratinhos até quase transbordarem. Ainda mato uma alagada. &lt;br /&gt;Mas o motivo da sensação, foi a quantidade de coisas que fiz lá pelas terras dos antigos barões do café. Passei um fim de semana visitando fazendas. &lt;br /&gt;   Mergulhei na história, na do passado e na do presente. Isto porque, de uns anos para cá, os atuais proprietários de muitas destas lendárias fazendas resolveram receber o público em suas próprias casas. Você paga uma taxa, agenda tudo por telefone e é recebido pelo próprio dono da casa, de forma simpática, como se fosse um convidado numa tarde de festa. Alguns vêm caracterizados, com roupas de época.&lt;br /&gt; Andando pelos cômodos, você vai vendo onde ficava a capela, a sala de jantar, as alcovas e o fulano desfia toda a história do barão sicrano, o primeiro dono daquele pedaço de chão. E vai explicando as modificações que fez naqueles palácios em estilo colonial (se é que isto existe), com uns vinte quartos, quatro salas e uma infinidade de janelas. Do lado de fora, você explora o terreno sozinho e vê onde ficava a senzala, o terreiro de café... Em muitos casos, há só ruínas para ver destas partes, o que, convenhamos, é ainda mais prazeroso. A imaginação vai juntando aquelas pedras todas, as que estão ali e as que já sumiram com o tempo, e você espia como era tudo, olha numa fresta para dentro do passado. &lt;br /&gt;  No fim do tour, na maioria das vezes, há um chá, do jeitinho que as senhoras costumavam fazer em mil oitocentos e bolinha. É, mas parece que até os dias de hoje, só a nós mesmo o programa tem um ar tentador. Só me deparei com senhoras durante o percurso e, apesar de ter ido sozinha, vi vans chegarem cheias delas.&lt;br /&gt;  Mas, vagando por ali,  não consegui deixar de viajar um pouco na história dos donos de hoje também. Em como deve ser louco morar numa daquelas casas imensas, decoradas como no início do século retrasado. A cadeira de D. Pedro II, que já viu uns dois séculos virarem, parecendo estalar de nova. Limpa, linda, conservada. Me vi naqueles espaços também. Imaginei como ficaria a minha decoração, onde receberia os amigos para as reuniões de domingo, onde botaria meus livros e, em que cantinho, numa casa tão cheia deles, guardaria minha querida mala. &lt;br /&gt;  Numa das fazendas, a família inteira me esperava para a visita, o casal, o filho e a nora. Como é engraçado como, às vezes, o destino empurra a gente pra uma casa como aquela. A nora talvez gostasse da cidade, de ir ao cinema nos fins de tarde, de manter um blog na internet. Talvez tivesse passado a vida inteira morando num apartamento de dois quartos no meio da Nossa Senhora de Copacabana. Mas, por estas voltas que a vida dá, se casou com o filho de um fazendeiro e, por estas coisas que a gente faz sem saber muito bem o por quê, estava ali, vivendo na antiga fazenda do Barão de Vassouras. &lt;br /&gt;  Se isso tivesse acontecido comigo, o barão que me perdoasse, mas eu ia encher um canto do quarto com almofadões em tecido indiano, ia levar a Clarice, a Lygia e a Hilda Hilst para viver comigo lá dentro, nem que tivessem que, para não brigar com a decoração, serem encadernadas com capa de couro. &lt;br /&gt;  Caetano, Gil e os Mutantes iam ecoar naquelas paredes que tantos concertos e noites de piano já devem ter presenciado.  E um carro, um fusca que fosse, ia ter que me esperar na garagem. Porque, neste caso, a família que me perdoasse, mas viagens virtuais não são o suficiente par mim.&lt;br /&gt;  E foi em Vassouras também, numa das visitas, que descobri um pouco da vida de Eufrásia Teixeira Leite. Mas esta história eu vou ter que deixar para depois. A chaleira está apitando na cozinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                           Até...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108778860894369135?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/108778860894369135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=108778860894369135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108778860894369135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108778860894369135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/06/rio-de-janeiro-20-de-junho-de-2004.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108671943033179545</id><published>2004-06-08T15:22:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T23:41:54.830-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Rio d Janeiro, 08 de junho de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qerido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ando querendo encontrar um lugar onde guardar a minha mala. Não aguento mais subir numa escada toda semana e puxá-la lá de cima do armário. Ando cansada. Não das viagens, mas de guardar e desguadar a tal da mala. Já pensei em deixá-la num cantinho, disfarçadinha que só, com uma plantinha displicente caindo por cima. Mala-estante. Outra idéia era fazê-la de mesinha de centro, com cinzeiro e livros por cima. Mala-mesa.&lt;br /&gt;  Descartei todas. Vamos dizer que ela não é tão pequena e nem tão bonita para ficar assim, aparente, fazendo parte da decoração. A solução é escondê-la embaixo da cama. Mas gostaria mesmo é que pudesse deixar a mala já no aeroporto, num armário só meu. Ou na casa de uma amiga com espaço de sobra para quinquilharias. Porque, assim que você desse do avião e vai para casa, ela vira um destes objetos enormes e sem função. Quero uma mala inflável. Depois de usar, esvazio e pronto, cabe numa gavetinha de mesa de cabeceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                        Até...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108671943033179545?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/108671943033179545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=108671943033179545&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108671943033179545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108671943033179545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/06/rio-d-janeiro-08-de-junho-de-2004.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108614539233690405</id><published>2004-06-01T23:55:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T23:50:26.193-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Florianópolis, 01 de junho de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido F., &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não sei porque, mas o Sul do país sempre me atraiu. Acho que é porque eu tenho raízes por lá. Desde pequena eu ouço a minha avó contar histórias sobre a sua infância em Blumenau, as peripécias de uma jovem como ela pelas ruas e praças de Curitiba. Tenho que confessar que fiquei meio decepcionada quando pisei em Curitiba pela primeira vez. Não que a cidade não tenha atrativos. Lógico que tem. Mas eu imaginava outra coisa. &lt;br /&gt;  Hoje, depois de muitas idas e vindas, passei a descobrir os encantos de lá. Gosto principalmente da parte antiga do Centro e, é claro, me sinto atraída pelos lugares artísticos. Perto do relógio de flores tem um bequinho fofo com galerias de arte e lojas. Não me pergunte o nome, você sabe que não consigo guardar o nome das coisas. Mas agora ando melhorando, me obrigando a levar um micro bloquinho dentro da bolsa, para anotar tudo o que gosto. Comprei uma vez canecas e quadrinhos feitos com azulejos lindos por lá. &lt;br /&gt;Mas isto tudo foi pra dizer que estou em Florianópolis. &lt;br /&gt;   Floripa. Não consigo evitar o apelido, tamanho é o meu carinho por aquela ilha. &lt;br /&gt;  De lá, talvez por coincidência, ou porque estou ficando velha também, gosto da parte antiga da cidade: Ribeirão da Ilha, onde dizem que Floripa começou. Tem um casario preservado numa ruazinha de pedra e uma praia calma, pequena, com uma faixa de areia estreita e muitos barquinhos estacionados. A desculpa para ir até Ribeirão são os restaurantes de ostras e mariscos. Há muitos ali. E, pelo menos os que conheço, servem tudo fresquinho e saboroso. Mas gosto de ir para simplesmente pisar num lugar onde parece que o tempo deu uma estacionada. Fiquei horas hoje por lá, sentada sozinha num destes restaurantes, Ostradamus, e vendo uma chuva forte lavar tudo do lado de fora,&lt;br /&gt; Chovia. Mas a minha impressão era de que, ali, o vento tinha parado. O tempo estava estagnado. Passado, presente, tudo fica meio misturado. Não parece haver grandes diferenças e mudanças.&lt;br /&gt;  Ah, e as pessoas... As pessoas são outro grande atrativo da cidade. Gente simples. Tenho uma prima que morou anos na ilha e diz que a mentalidade do povo de lá era o que mais a deixava louca. Chegava a enervar. Por isso, a boba arrumou as malas e se mudou para o Rio. Diz que pensam estreito, são preconceituosos e quadrados. &lt;br /&gt;   Não sei. Não sei o que pensaria se morasse em Florianópolis. Mas, como turista, posso dizer que fico completamente encantada. Fui bem recebida em todos os lugares onde estive. Fiz perguntas idiotas e fui respondida com simpatia. Me meti na vida dos outros mesmo, querendo saber detalhes de suas rotinas de suas histórias. Fui atendida todas as vezes. E uma perguntinha assim, bobinha, pequena, simples, virava um papo enorme, de horas. Gente simpática. &lt;br /&gt;  Não encontrei porta fechada também. Explicava que estava de passagem, que tinha pouco tempo, que não podia voltar depois, e deixavam eu olhar o lugar, apreciar pelo menos um pouquinho. Aconteceu assim no Casarão da Lagoa, onde há oficinas de renda, biblioteca e exposição de arte. Aconteceu na igrejinha de Ribeirão e no moderno antiquário-bar-restaurante-galpão de restauração de móveis que abriram por lá. Isto, aliás, anda cada vez mais comum. Lugares com a cara de São Paulo e do Rio de Janeiro, no meio de Florianópolis. Acho bom, pelo menos por enquanto. A paisagem é paradisíaca, praias maravilhosas, a bela Lagoa da Conceição, a gente simpática, e os lugares antenados que fazem você se sentir, de alguma forma, conectado com o resto do mundo.&lt;br /&gt;  O Centro de Floripa é outro passeio gostoso. Meio tumultuado, lembrando o Centro do Rio também, com uma multidão caminhando por ruas estreitas. Mas por lá ficam os prédios históricos. E o Mercado Público, com sua falta de ordem, grãos, artigos de cozinha, bares, artesanato, objetos dos mais diferentes tipos, dos mais vagabundos aos interessantes, todos convivendo junto. Lembra um pouco as praças da Espanha, cercada por um antigo edifício. Há muitas em Madrid. Outras tantas em Bilbao.&lt;br /&gt;  Ai, Floripa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                      Até...   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108614539233690405?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/108614539233690405/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=108614539233690405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108614539233690405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108614539233690405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/06/florianpolis-01-de-junho-de-2004.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108614378262163789</id><published>2004-06-01T23:27:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T23:54:50.050-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Rio de janeiro, 28 de maio de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido F.,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Sou uma andarilha. Não adianta. Podem dizer que o lugar e distante, que eu vou ficar cansada. Nao tem jeito. Se for possivel ir a pé, eu vou. E nao tenho medo nenhum de me cansar. Se isto acontecer, pego um taxi, um onibus, o metro, ora bolas. &lt;br /&gt;  Uma vez, numa viagem para Londres, peguei emprestado de uma amiga um guia da cidade. No fim, havia um mapa com o centro da capital inglesa. Os bairros divididos por cor. Sentia felicidade em ver que eu cruzava os quadrados mostrando as divisões a pe. Mostrava para outra amiga, orgulhosa, o percurso que tinha cumprido ao final de um dia. Em uma semana ja conhecia tudinho, todas aquelas areas. So assim eu consigo me virar num lugar. Se pego um ônibus, fico perdida. Não entendo a cidade, não consigo me situar pelas ruas.&lt;br /&gt;E a verdade e que eu acho que so conheço uma cidade assim, andando.    &lt;br /&gt;   Gosto de passear e ficar observando as pessoas na rua, o jeito de se vestirem. Admito que estico ate o pescoço quando passo na frente de uma fresta de porta ou janela abertas. Gosto de ver la dentro, quero saber como vivem, o que fazem, me colocar um pouquinho no lugar daquele individuo, saber como seria a vida na pele daquela pessoa. Meu jeito.&lt;br /&gt;  Andando por Londres descobri que, la, do outro lado, as pessoas são como aqui. Ja sabia, mas gosto de constatar assim, ao vivo. Se vestem igual, se portam muito parecido. Aquela historia de cabelo azul, cortes loucos. Não achei nada. Nada do que uma jovem da zona sul não usaria. Nada do que o Romulo do cabeleireiro Rush Rush não esculpisse na cabeça dos modernos daqui. E a globalização, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ai, que saudade dos acentos e pontos no lugar certo. Sumiram deste teclado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            Ate...   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108614378262163789?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/feeds/108614378262163789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6846105&amp;postID=108614378262163789&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108614378262163789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108614378262163789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/06/rio-de-janeiro-28-de-maio-de-2004.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6846105.post-108301327584285547</id><published>2004-04-26T17:39:00.000-03:00</published><updated>2004-07-15T23:58:34.333-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Galeão (para mim, ainda não é Rio. Um lugar perdido entre um destino e outro), 26 de abril de 2004&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querido, F.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Não aguento mais procurar a minha mala na esteira de bagagens. Na última viagem que fiz, logo entre as primeiras malas que passavam, estava uma com estampa de safari, zebras e girafas passeando num fundo bege. Vi várias pessoas apontando para ela, comentando, rindo. Tenho que admitir: era cafona mesmo. Mas senti inveja mesmo assim. Tenho certeza de que a dona reconheceu sua mala de longe e puxou sem sobressaltos, quando esta passou na sua frente. Não vi a cena. Estava ocupada lendo discretamente a etiqueta com o nome de todas as malas pretas que desfilavam por ali. &lt;br /&gt;   Já tentei decorar as listrinhas cinzas da minha, dispostas pela lateral. Não adianta. Jogada numa esteira, junto com dezenas de malas pretas, ela fica igual a todas as outras. &lt;br /&gt;   Numa outra ocasião, voltando de Salvador, amarrei uma fitinha do Senhor do Bonfim na alça. Acho que ninguém sabia o que fazer com aqueles bolos de fitinhas que você recebe numa única semana por lá. Foram todas parar em alças de malas de viagem. Quando cheguei à esteira, feliz da vida e despreocupada, vi fitinhas do Senhor do Bonfim decorando a maioria delas.&lt;br /&gt;  Depois de nove, dez horas dentro de um avião, tudo o que uma pessoa pode desejar é uma mala com estampa de safari.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                         Até...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6846105-108301327584285547?l=diariodeviagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108301327584285547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6846105/posts/default/108301327584285547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diariodeviagem.blogspot.com/2004/04/galeo-para-mim-ainda-no-rio.html' title=''/><author><name>Madame M.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15591128622819020185</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://www.lifecooler.com/Edicoes/imagens/@artigos/1660_36.JPG'/></author></entry></feed>
