Querido F.,
Foi Felipe quem me apresentou à única torta alemã que faz parte do meu cardápio. O relacionamento acabou, anos se passaram e o hábito de ir na Tratoria, em Copacabana, só pensando nela, ficou. Hoje eu fui lá de novo. Sentei sozinha numa mesa, sem o menor pudor de estar desacompanhada num restaurante, depois de uma certa idade não ligamos mais pra estas coisas. Pedi um prato executivo sem muita importância, que depois da última garfada já tinha se apagado da minha memória, e acenei para o garçom atrás da sobremesa. Lá veio ela, com aquela fumacinha de gelo subindo. Vem quase como um sorvete, envolta em biscoito Maria. O creme branco não tem gosto nenhum de manteiga (garanto!) e o sabor é delicado, impossível de descrever. Em cima, uma calda de chocolate generosa, parecida com um brigadeiro puxa-puxa. Delícia! Fui comendo com calma, como criança, aproveitando cada pedacinho na colher com prazer. Raspei o prato. Pediria outra, se a balança não estivesse gritando que aquele pedaço já tinha sido uma extravagância. Saí feliz! E, como todas as vezes em que visito o restaurante, fiquei pensando que, se existe alguma boa razão para o Felipe ter passado pela minha vida, ela estava bem ali, naquela fatia de torta.
Até,
M.
Os textos desta página são cartas que M. escreve para um amigo que (acho) mora na Europa. Todos os dia de manhã, ela deposita um envelope embaixo da minha porta. Depois de encher as latas do condomínio de bolos de papel, desisti, e resolvi publicar algumas por aqui. Assim, quem sabe, podem algum dia atingir o seu destinatário... Renata Magdaleno
terça-feira, fevereiro 07, 2006
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Réveillon
Querido F.,
Vou vestida de branco. E não adianta os especialistas afirmarem que o mar durante o réveillon fica carregado de energias negativas. Não acredito não. Tem um mundão de sal lá dentro prontinho pra descarregar o que está pesado demais. E eu quero as águas do mar molhando os meus tornozelos quando os relógios marcarem meia-noite. Dispenso as uvas, os pulinhos, o pé direito, a calcinha rosa e as lentilhas na mesa de jantar. Mas quero chegar em 2006 limpa, sem rancores, raivas e neuras. O branco, o mar e tudo o mais vão representar exatemente isso, pra ver se a parte de dentro aprende e cópia o que a de fora faz.
E o mergulho virá acompanhado de uma prece.
Feliz Ano Novo!
Até,
M.
Vou vestida de branco. E não adianta os especialistas afirmarem que o mar durante o réveillon fica carregado de energias negativas. Não acredito não. Tem um mundão de sal lá dentro prontinho pra descarregar o que está pesado demais. E eu quero as águas do mar molhando os meus tornozelos quando os relógios marcarem meia-noite. Dispenso as uvas, os pulinhos, o pé direito, a calcinha rosa e as lentilhas na mesa de jantar. Mas quero chegar em 2006 limpa, sem rancores, raivas e neuras. O branco, o mar e tudo o mais vão representar exatemente isso, pra ver se a parte de dentro aprende e cópia o que a de fora faz.
E o mergulho virá acompanhado de uma prece.
Feliz Ano Novo!
Até,
M.
segunda-feira, novembro 21, 2005
Querido F.,
Na semana passada, assisti ao filme "Cinema aspirinas e urubus". É a história de um alemão que vai para o interior do Brasil vender aspirinas, um novo e milagroso medicamento, fugir de uma guerra que tomou conta do seu país e que ele quer esquecer que existe. E de um nordestino, Ranulpho (adorei este nome! Juma corre o risco de ganhar um irmãozinho chamado Ranulph no futuro!), que quer fugir da seca e sonha com um futuro melhor no Rio.
E me lembrei das tantas e tantas vezes em que eu arrumei as malas e saí rodando por aí. Fugindo de mim mesma, dos fracassos da vida, das cobranças, dos planos e sonhos que tinha medo de encarar. E em cada lugar que passava, em cada pessoa que conhecia, vislumbrava um futuro possível, uma história diferente que eu podia, se quisesse, escrever para mim.
E quando começava a chover num lugar, arrumava as malas e ia pra outro. E quando chegava um grupo interessante num dia, cancelava a ida e ficava mais um pouquinho. E, às vezes, acontecia de acordar e, por alguns segundos, não me lembrar da cidade onde estava. Mas a confusão era coisa rápida.
Sempre fui alguém de passagem. Porque, se ficasse, a vida simples e fácil, ganharia problemas. O bom era ver, conhecer, ir embora. Como quem vê a paisagem da janela de um ônibus. Saudades deste tempo...
Hoje a Juma, de pirraça, roeu toda a minha cortina do banheiro. Se estivesse viajando, seria a cortina de um hotel de beira de estrada. Eu virava às costas, ia embora, e deixava o rombo para o próximo hóspede.
Até,
M.
E me lembrei das tantas e tantas vezes em que eu arrumei as malas e saí rodando por aí. Fugindo de mim mesma, dos fracassos da vida, das cobranças, dos planos e sonhos que tinha medo de encarar. E em cada lugar que passava, em cada pessoa que conhecia, vislumbrava um futuro possível, uma história diferente que eu podia, se quisesse, escrever para mim.
E quando começava a chover num lugar, arrumava as malas e ia pra outro. E quando chegava um grupo interessante num dia, cancelava a ida e ficava mais um pouquinho. E, às vezes, acontecia de acordar e, por alguns segundos, não me lembrar da cidade onde estava. Mas a confusão era coisa rápida.
Sempre fui alguém de passagem. Porque, se ficasse, a vida simples e fácil, ganharia problemas. O bom era ver, conhecer, ir embora. Como quem vê a paisagem da janela de um ônibus. Saudades deste tempo...
Hoje a Juma, de pirraça, roeu toda a minha cortina do banheiro. Se estivesse viajando, seria a cortina de um hotel de beira de estrada. Eu virava às costas, ia embora, e deixava o rombo para o próximo hóspede.
Até,
M.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Querido F.,
Caíram gotas grossas de chuva hoje pela manhã. A água escorrendo sem parar pela minha janela. A imagem ficou toda embaçada. Borrões verdes, cinzas, coloridos lá embaixo. Me senti míope.
Mas a verdade é que ando meio míope mesmo. Tenho medo de assumir este defeito de visão e, então, digo com absoluta certeza, convicção nas palavras, que enxergo muito bem, que o olho bom arrasta o ruim pelas costas, corrigindo pequenos deslizes de captação. Mas a verdade é que ando por aí como quem tem lágrimas nos olhos.
E, você nem vai acreditar, mas as tais gotas escorriam às 6h30m da manhã pela vidraça. E eu que antes só me deitava quase neste horário... Agora, costumo acordar cedo, olhar para o céu bem de manhã. O sono ficou leve, leve, de repente, e eu ando achando que esta coisa de dormir é perda de tempo e tenho vontade de sair logo da cama e ganhar a rua. Tenho urgência em tudo.
Saudades!
Até,
M.
Mas a verdade é que ando meio míope mesmo. Tenho medo de assumir este defeito de visão e, então, digo com absoluta certeza, convicção nas palavras, que enxergo muito bem, que o olho bom arrasta o ruim pelas costas, corrigindo pequenos deslizes de captação. Mas a verdade é que ando por aí como quem tem lágrimas nos olhos.
E, você nem vai acreditar, mas as tais gotas escorriam às 6h30m da manhã pela vidraça. E eu que antes só me deitava quase neste horário... Agora, costumo acordar cedo, olhar para o céu bem de manhã. O sono ficou leve, leve, de repente, e eu ando achando que esta coisa de dormir é perda de tempo e tenho vontade de sair logo da cama e ganhar a rua. Tenho urgência em tudo.
Saudades!
Até,
M.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Querido F.,
Uma dor de garganta me pegou. Daquelas brabas, que deixam tudo vermelho e dão uma moleza no corpo que você só consegue andar se arrastando. Alberto fez um chá para mim. Juma traz cada vez um brinquedo novo para me distrair. Mas, mesmo com tanto mimo, não consigo ficar em casa. Me arrasto pelas ruas de Copacabana procurando distração. Os lugares que não saem da minha memória. Não que façam parte de forma tão forte assim do meu passado. Eu nem morava em Copa durante a infância, a adolescência e nem no início da vida adulta. Sou de Petrópolis, você bem sabe. Mas me dá uma nostalgia danada passear por estas ruas. Nostalgia dos textos da Clarice, em prédios áridos do Leme. Das histórias do Dapieve no Posto 6. Dos contos do Sérgio Santanna . Da visão profética de Rubem Braga, quando disse que Copa estava na UTI. Que seria invadida por monstros de concreto e que, por lá, a mais estranha das raças humanas ia se proliferar.
Copa das prostitutas chorosas e das beatas madrugadoras. Das velhinhas e velhinhos andando pelas ruas com seus poodles, atropelando pedestres com seus carrinhos a motor. Do glamour do Copacabana Palace e da degradação da Princesa Isabel.
Ando por aqui e me sinto viva. Me sinto menos sozinha, menos isolada, no turbilhão da multidão que não pára de passar. No meio de tudo o que é feio, sujo ou bonito.
Preciso comprar um carrinho a motor.
Saudades...
Até,
M.
Copa das prostitutas chorosas e das beatas madrugadoras. Das velhinhas e velhinhos andando pelas ruas com seus poodles, atropelando pedestres com seus carrinhos a motor. Do glamour do Copacabana Palace e da degradação da Princesa Isabel.
Ando por aqui e me sinto viva. Me sinto menos sozinha, menos isolada, no turbilhão da multidão que não pára de passar. No meio de tudo o que é feio, sujo ou bonito.
Preciso comprar um carrinho a motor.
Saudades...
Até,
M.
terça-feira, outubro 18, 2005
Querido F.,
Para mim, a culpa sempre foi de Shakespeare. Romeu e Julieta se conheceram, se apaixonaram, morreram por amor. E foi isso. Um amor único e verdadeiro, porque nem deu tempo da vida mostrar o contrário. E eu li a história ainda na adolescência (quantos anos já não se passaram desde então...) e acreditei que era isso mesmo. Que todo mundo tinha um só e especial amor na vida. Fiquei esperando Romeu escalar a trepadeira e subir na minha janela para um beijo de boa noite. E acho que a culpa só pode ser destes altos edifícios cariocas. Morasse eu em Verona e meu Romeu já estaria esquentando os pés no meu edredon há tempos.
Mas hoje acordei assim, F. Pensando nesta história de amor romântico. Cheguei na sala e Alberto colocava um disco de jazz no som, baixinho, com medo de me acordar. E fiquei lembrando de quantos Romeus já passaram na minha vida. O namoro começava,eu apostava que era aquele e os dias iam, o sentimento crescia, diminuía, morria. E a vida continuava e mais dias passavam, meses talvez, e outro chegava pela porta.
Agora Alberto está aqui. Sem cavalo branco ou escaladas noturnas. E meu coração se sente reconfortado. E dá uma paz enorme saber que ele faz parte da minha rotina. Se só agora encontrei o amor da minha vida? Hoje Romeu e Julieta é só mais uns dos livros que tenho na estante. Ainda acho bom, é verdade. Mas tenho a certeza de que a única solução possível para que o amor da dupla permanecesse eternamente lindo, foi a morte. Sábio Shakespeare. E, só agora, na casa dos cinquenta, descobri isso.
Até,
M.
Mas hoje acordei assim, F. Pensando nesta história de amor romântico. Cheguei na sala e Alberto colocava um disco de jazz no som, baixinho, com medo de me acordar. E fiquei lembrando de quantos Romeus já passaram na minha vida. O namoro começava,eu apostava que era aquele e os dias iam, o sentimento crescia, diminuía, morria. E a vida continuava e mais dias passavam, meses talvez, e outro chegava pela porta.
Agora Alberto está aqui. Sem cavalo branco ou escaladas noturnas. E meu coração se sente reconfortado. E dá uma paz enorme saber que ele faz parte da minha rotina. Se só agora encontrei o amor da minha vida? Hoje Romeu e Julieta é só mais uns dos livros que tenho na estante. Ainda acho bom, é verdade. Mas tenho a certeza de que a única solução possível para que o amor da dupla permanecesse eternamente lindo, foi a morte. Sábio Shakespeare. E, só agora, na casa dos cinquenta, descobri isso.
Até,
M.
sexta-feira, outubro 07, 2005
Querido F.,
Outro dia, quando escrevia uma carta pra você, me lembrei de quando aluguel meu primeiro apartamento e resolvi que ia morar sozinha. Me incomodava aquele ambiente estático. Tenho uma família grande, muitos irmãos, você sabe. E estava acostumada a deixar um pente numa mesa e, minutos depois, descobrir que ele tinha parado na bolsa de alguém. De deixar uma blusa na cadeira do quarto e, depois do trabalho, ver que tinham lavado a peça.
Na minha casa nova, tudo ficava onde eu deixava. No início, foi um alívio. Liberdade, privacidade, domínio sobre a minha vida. Depois, meus rastros intactos pela casa só reforçavam a minha solidão.
Morava num apartamento de dois quartos no Grajaú, de frente pra mata, e, descobri, num dia de tarde, que a árvore em frente à janela da sala era visitada constantemente por uma família de micos. Passei a deixar, de propósito, uma banana descascada todos os dias dentro da fruteira. E quando chegava em casa, via que alguém tinha estado lá dentro. Uma banana meio devorada em cima da mesa, um saco plástico no chão, grãos de terra por alguns cantos da casa. Eram educados aqueles micos. Comiam o que tinha sido deixado para eles e iam embora sem muita bagunça. Era uma presença sutil, mas foi um alívio ver que havia vida dentro do meu espaço.
Os anos se passaram, eu mudei de apartamento, de bairro, de vida. Eu e Juma passamos a formar uma dupla perfeita. Hoje... não sei se consigo abrir espaço pra mais alguém.
Até,
M.
Na minha casa nova, tudo ficava onde eu deixava. No início, foi um alívio. Liberdade, privacidade, domínio sobre a minha vida. Depois, meus rastros intactos pela casa só reforçavam a minha solidão.
Morava num apartamento de dois quartos no Grajaú, de frente pra mata, e, descobri, num dia de tarde, que a árvore em frente à janela da sala era visitada constantemente por uma família de micos. Passei a deixar, de propósito, uma banana descascada todos os dias dentro da fruteira. E quando chegava em casa, via que alguém tinha estado lá dentro. Uma banana meio devorada em cima da mesa, um saco plástico no chão, grãos de terra por alguns cantos da casa. Eram educados aqueles micos. Comiam o que tinha sido deixado para eles e iam embora sem muita bagunça. Era uma presença sutil, mas foi um alívio ver que havia vida dentro do meu espaço.
Os anos se passaram, eu mudei de apartamento, de bairro, de vida. Eu e Juma passamos a formar uma dupla perfeita. Hoje... não sei se consigo abrir espaço pra mais alguém.
Até,
M.
segunda-feira, outubro 03, 2005
Querido F.,
Eu sempre quis, é verdade. Você é testemunha disso e eu não ouso negar o que tantas vezes defendi em mesas de bar. Sempre quis um homem ao meu lado. Um homem para dividir a cama todas as noites, para regar as plantas, para me dar beijos e abraços no corredor, para me repreender nas vezes em que estiver errada. Queria encontrar roupas no quarto que não fossem as minhas. Esquecer um copo na sala e não dar de cara com ele, intacto, no mesmo lugar, uma semana depois.
Era para a alegria e a triste, para os sábados de sol e as manhâs de segunda mesmo. E hoje eu tenho. Chegou num adiantado da vida, é verdade também. Mas Alberto está aqui. Abro o meu armário e encontro suas roupas penduradas do lado das minhas. Trouxe os discos de jazz, os livros do Graciliano e pés quentes para me aquecer nas noites de frio.
E.... eu não sei se aguento. Não sei se consigo dividir. Porque esta história de dois virando um só... Eu tenho medo. Tenho medo de ser menos eu na presença do outro. De me perder na mistura dos corpos. Fico dizendo que minha alma é imensa, que precisa de espaço, que gosta de tomar conta da casa. Mas acho que, na verdade, tenho medo é que ela perca os seus contornos.
Tenho pânico de manchar esta personalidade que eu levei tanto tempo para criar. Há anos, grito no meu próprio ouvido que sou assim. Afirmei com convicção para mim mesma que existia. E agora, com o Alberto, pode não haver espaço para tantas leituras, tantas palavras soltas, tantas viagens, tantos prazer que me fazem diariamente lembrar quem eu sou. Tenho medo de não ser mais eu.
Até,
M.
Era para a alegria e a triste, para os sábados de sol e as manhâs de segunda mesmo. E hoje eu tenho. Chegou num adiantado da vida, é verdade também. Mas Alberto está aqui. Abro o meu armário e encontro suas roupas penduradas do lado das minhas. Trouxe os discos de jazz, os livros do Graciliano e pés quentes para me aquecer nas noites de frio.
E.... eu não sei se aguento. Não sei se consigo dividir. Porque esta história de dois virando um só... Eu tenho medo. Tenho medo de ser menos eu na presença do outro. De me perder na mistura dos corpos. Fico dizendo que minha alma é imensa, que precisa de espaço, que gosta de tomar conta da casa. Mas acho que, na verdade, tenho medo é que ela perca os seus contornos.
Tenho pânico de manchar esta personalidade que eu levei tanto tempo para criar. Há anos, grito no meu próprio ouvido que sou assim. Afirmei com convicção para mim mesma que existia. E agora, com o Alberto, pode não haver espaço para tantas leituras, tantas palavras soltas, tantas viagens, tantos prazer que me fazem diariamente lembrar quem eu sou. Tenho medo de não ser mais eu.
Até,
M.
terça-feira, setembro 20, 2005
Querido F.,
Fui surpreendida com um livro na manhã de hoje. Chegou para mim de presente, inesperado, delicioso. E foi a Juma quem encontrou. Fui botar o lixo na lixeira do corredor e lá ficou ela fuçando num monte de jornais jogados no chão. E, de repente, me sai com uma capa durinha, quadradinha de lá de dentro. O rabo abanando, olhando pra mim com cara de sorriso.
Sorri também. Balzac e a costureirinha chinesa. Se passa no fim da década de 60, quando o líder Mao Tse-Tung resolve decretar que tudo quanto é livro escrito no ocidente é proibido e os jovens das cidades grandes precisam passar por um período de reeducação. Eles vão para aldeias isoladas trabalhar e aprender que tudo o que vem da cultura ocidental é coisa de burguês. Inútil para a vida. Capaz de encher a cabeça de caraminholas sem razão de ser.
E lá se vão dois jovens para a reeducação. Eles conhecem uma costureirinha de uma aldeia vizinha, roubam uma mala com livros proibidos e passam a encher as noites da moça com as tramas de Balzac. É uma história sobre amor e literatura também. E sobre livros que mudam as nossas vidas e fazem com que tomemos atitudes inesperadas.
Fiquei a tarde inteira com ele entre os braços. Não saí de casa, mas viajei por terras distantes.
Quanto aos rumos da minha vida, nada posso dizer. Mas Balzac e a costureirinha chinesa mudaram o meu dia.
Saudades...
Até,
M.
Sorri também. Balzac e a costureirinha chinesa. Se passa no fim da década de 60, quando o líder Mao Tse-Tung resolve decretar que tudo quanto é livro escrito no ocidente é proibido e os jovens das cidades grandes precisam passar por um período de reeducação. Eles vão para aldeias isoladas trabalhar e aprender que tudo o que vem da cultura ocidental é coisa de burguês. Inútil para a vida. Capaz de encher a cabeça de caraminholas sem razão de ser.
E lá se vão dois jovens para a reeducação. Eles conhecem uma costureirinha de uma aldeia vizinha, roubam uma mala com livros proibidos e passam a encher as noites da moça com as tramas de Balzac. É uma história sobre amor e literatura também. E sobre livros que mudam as nossas vidas e fazem com que tomemos atitudes inesperadas.
Fiquei a tarde inteira com ele entre os braços. Não saí de casa, mas viajei por terras distantes.
Quanto aos rumos da minha vida, nada posso dizer. Mas Balzac e a costureirinha chinesa mudaram o meu dia.
Saudades...
Até,
M.
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